Quem contrata um tarifário com dados ilimitados assume que pode navegar, fazer streaming e descarregar ficheiros sem restrições ou barreiras invisíveis. A revelação de que o mercado aplicava uma Política de Utilização Responsável (PUR) agressiva, travando o consumo por volta dos 200 GB, gerou uma enorme onda de contestação entre os utilizadores portugueses. Na prática sentiram-se enganados pelas campanhas publicitárias. Por conseguinte, a WOO alegadamente decidiu mexer-se. Conforme avançado pelo especialista Ricardo José Saraiva, que fez testes durante o fim de semana, a Woo aumentou o limite da sua PUR para uns expressivos 361 GB. Isto redefine o patamar de tolerância na sua rede.
WOO: o que fazem os 361GB?
Em primeiro lugar, ao esticar a corda dos 200 GB para os 361 GB, a WOO consegue afastar-se da concorrência mais rígida. Assim oferece um argumento de peso para os consumidores intensivos de internet:
Passar de 200 GB para 361 GB representa quase o dobro do tráfego permitido antes de qualquer intervenção na linha. Para quem faz muito tethering (partilha de internet com o PC ou tablet) ou consome vídeo em alta resolução fora de casa, esta mudança elimina o fantasma do corte de velocidade a meio do mês.

Numa altura em que o mercado está sob escrutínio devido às novas ofertas e à entrada de novos operadores, dar este passo ajuda a WOO a posicionar-se como uma marca mais flexível e atenta às queixas dos clientes.
O problema de fundo continua por resolver?
Embora o aumento para 361 GB seja uma excelente notícia para o bolso e para o quotidiano dos clientes, a verdade é que esta medida não resolve a questão filosófica e legal que gerou a polémica original.
O cerne da discussão mantém-se ativo nos fóruns e nas associações de consumidores:
A ilusão do termo “Ilimitado”. Enquanto existir um teto definido, sejam 200 GB ou 361 GB , a palavra “ilimitado” continua a ser uma rasteira comercial. Os utilizadores mais puristas defendem que um plano infinito não deveria ter qualquer tipo de barreira numérica, independentemente do abuso de tráfego.
Precedente para o futuro. Ao alargar o limite em vez de o extinguir, a WOO assume que a gestão de tráfego baseada numa PUR volumétrica veio para ficar no mercado nacional, servindo apenas para gerir a capacidade da infraestrutura 5G da NOS.
Consequentemente, a jogada da WOO caso se confirme oficialmente é uma resposta inteligente e muito prática para abafar a crise dos 200 GB. Isto dá aos utilizadores o espaço que eles exigiam para respirar. Em suma, para quem estava prestes a bater na barreira antiga, esta atualização é uma lufada de ar fresco tremenda. Também uma decisão comercial acertada para reter clientes, mesmo que a discussão sobre a legitimidade das PUR continue bem viva nos bastidores.
Achas que esta subida da PUR para os 361 GB é suficiente para esquecer a polémica dos limites ocultos ou as operadoras deviam ser proibidas de usar a palavra “ilimitado” quando existem tetos de tráfego?




