Quantas vezes já vos disse aqui na Leak.pt que a indústria dos computadores está a mudar a passos largos para o conceito de memória unificada? Já vimos a Apple a fazer isso com um sucesso tremendo nos seus processadores da linha M. Vimos as consolas portáteis a ter de gerir cada megabyte com pinças. E estamos agora a assistir à chegada de soluções brutais da Nvidia e da Qualcomm com piscinas gigantescas de memória partilhada entre o sistema operativo, os gráficos e a Inteligência Artificial.
O grande problema sempre foi o mesmo… O Windows. A gestão dessa memória partilhada sempre foi automática e muitas vezes burra, deixando os jogos a engasgar ou os modelos locais de IA sem espaço para respirar.
Pois bem, parece que a Microsoft decidiu finalmente dar o controlo manual a quem realmente percebe do assunto.
A funcionalidade escondida que muda as regras do jogo

Portanto, escondida nas linhas de código da mais recente versão de testes do Windows 11 (a compilação 29648.1000), foi descoberta uma nova ferramenta batizada de IntelligentCarveout.
Esta opção não vem descrita nas notas oficiais de atualização, mas o código revela claramente que a Microsoft está a preparar uma barra deslizante para o utilizador definir exatamente quanta memória fica reservada para os aceleradores gráficos e de IA. Blindando esse espaço contra o resto das aplicações do sistema operativo.
Esta novidade surge com um alvo muito específico na mira! O novíssimo chip RTX Spark da Nvidia, uma plataforma desenhada para computadores compactos com arquitetura de memória unificada que pode chegar a uns impressionantes 128GB.
Mais memória para a gráfica do que uma RTX 5090?
Até aqui, quando um computador com gráficos integrados ficava sem memória de vídeo suficiente, o sistema tentava ir buscar memória RAM tradicional emprestada à força. O que resultava quase sempre numa queda brutal nos FPS. Agora, com este novo controlo do Windows 11, o cenário muda de figura.
Num sistema equipado com 128GB de memória partilhada, o utilizador vai poder reservar manualmente 48GB, 64GB ou até mais exclusivamente para tarefas pesadas. Isto significa que a gráfica integrada pode ter acesso a mais volume de memória do que os 32GB de VRAM dedicada que encontramos numa placa topo de gama como a RTX 5090.
Sim, é verdade que a memória LPDDR5x não tem a largura de banda alucinante de uma memória GDDR7 dedicada. Mas, para quem corre modelos de inteligência artificial gigantescos ou quer jogar sem soluços na resolução certa, a capacidade bruta faz toda a diferença.
Assim, depois de anos a tratar a memória partilhada como um recurso de segunda categoria nos computadores portáteis. A Microsoft parece estar finalmente a afinar o sistema operativo para a era do hardware unificado de alto rendimento. O problema aqui já poderá estar na falta de conhecimento no lado do consumidor/utilizador.







