Instalas o Waze, ligas o telemóvel ao Android Auto, escreves o destino e segues viagem. É assim que 90% das pessoas usam a aplicação e é por isso que a maioria nunca percebeu que está a usar metade do que ela sabe fazer. O menu de definições do Waze é confuso, está enterrado a três toques de distância e tem definições que ninguém explica. Mas há quatro que mudam mesmo a experiência: tornam o mapa legível, as rotas mais fiéis ao que costumas fazer, e evitam que apanhes uma portagem que não querias pagar.
Antes disso: porque é que ainda vale a pena o Waze
O Google comprou o Waze em 2013 e, desde aí, muita gente pergunta porque é que as duas aplicações continuam a existir. A resposta está na comunidade.
O Google Maps sabe onde há trânsito. O Waze sabe porquê, porque houve um utilizador a reportar o acidente, o objeto na faixa, o buraco, as obras, a viatura da GNR parada na berma. Esses alertas são validados por quem vem atrás e chegam-te antes de lá chegares. Numa A1 congestionada às sextas-feiras, isso é a diferença entre travar a tempo e ficar preso.
Em troca, tens um interface carregado, com ícones a saltar por todo o lado e uma estética que parece um jogo. É precisamente isso que as definições abaixo resolvem.
1. Ativa a navegação personalizada
Esta é a que dá mais retorno e a que menos gente conhece.
Abre o Waze no telemóvel, toca no menu (as três linhas, canto superior esquerdo) e segue para Definições > Geral > Personalização > Navegação personalizada. Liga as duas opções: horas de chegada personalizadas e rotas personalizadas.
A partir daí, o Waze deixa de calcular a hora de chegada com base num condutor médio e passa a usar as tuas viagens anteriores. Se costumas ir ao aeroporto de Lisboa às 6h da manhã, ele já sabe quanto tempo tu demoras. As rotas passam a refletir os caminhos que escolheste no passado, em vez de te empurrarem sempre para o mesmo desvio que tu recusas há dois anos.
É uma mudança pequena. Nota-se ao fim de uma semana.
2. Diz-lhe que tens (ou não tens) Via Verde
Em Definições, procura a secção de portagens e passes. O nome pode variar consoante a versão da aplicação, mas costuma aparecer como Identificadores.
Se tens Via Verde, indica. Se não tens, indica também.
Sem esta informação, o Waze calcula rotas sem saber se te vai custar dinheiro ou se te vai mandar para um pórtico eletrónico onde não podes passar sem identificador. Com ela, as rotas mudam e os preços da viagem aparecem antes de arrancares. Em zonas com autoestradas em paralelo, o eixo Lisboa–Porto, a saída de Setúbal, a A22 no Algarve, a diferença entre a rota com e sem portagem pode ser de vários euros por trajeto.
3. Põe o limite de velocidade sempre visível
Vai a Definições > Visualização do mapa > Velocímetro.
Por defeito, o Waze só te mostra o limite de velocidade quando já o estás a exceder. Muda isso: coloca-o sempre visível. Passas a ter o número no canto do ecrã, permanentemente, em vez de descobrires que ias em excesso quando o ícone acende a vermelho.
No mesmo menu podes definir a partir de quantos km/h acima do limite queres ser alertado. O valor por defeito é generoso. Se queres margem real, baixa-o para 5 km/h.
4. Limpa o mapa
O Waze mostra por defeito os outros utilizadores no mapa, as conversas entre condutores e um leitor de música. Nenhuma destas coisas te ajuda a conduzir.
Desliga os ícones dos outros wazers: não precisas de dezenas de bonecos a poluir o ecrã. Desliga as conversas do mapa. E remove o leitor de música da vista principal, porque o Android Auto já está a tratar disso e está apenas a roubar-te espaço.
Se vives numa zona em obras permanentes, considera também desligar os alertas de obras na secção de reportes. Alertar-te para uma coisa que está lá há três anos não é informação, é ruído.
O que ganhas com isto
Cinco minutos de configuração, uma vez. Depois: um mapa que se lê de relance, rotas que respeitam os teus hábitos, portagens contabilizadas antes de arrancares e o limite de velocidade sempre à vista.
Entretanto há muito mais escondido no menu. Assim podes trocar a seta de navegação por um carro ou um camião, mudar a voz das indicações, dizer à aplicação que conduzes um elétrico para receber sugestões de carregadores, ou silenciar os tipos de alerta que não te interessam.
O Waze não é uma aplicação simples. Assim trata-se de uma aplicação poderosa mal apresentada. Vale a pena os cinco minutos.






