O Waze cortou os avisos de operações policiais em vários países europeus: O cerco está a apertar, e mais tarde ou mais cedo… Chega cá! – Se há coisa que toda a gente faz assim que entra no carro e mete o destino no telemóvel, é abrir o Waze. Porquê? O Google Maps até pode ter gráficos bonitos e a integração com o Android Auto ou Apple CarPlay ser impecável, mas o verdadeiro trunfo do Waze sempre foi a comunidade.
Ou seja, a capacidade de saberes, em tempo real, se há um buraco na estrada, um carro avariado na berma ou… aquela famosa patrulha da polícia escondida atrás do viaduto pronta a passar faturas a quem vai com mais pressa.
Dito tudo isto, se por acaso tens viagem marcada pela Europa ou pensas que esta festa dos avisos vai durar para sempre, prepara-te para o banho de água fria. A Google foi obrigada a puxar o travão e a desligar por completo os alertas de polícia e radares em vários países europeus! Não é um bug da aplicação nem é o teu telemóvel a falhar. Os governos estão fartos de ver os condutores a fintar as autoridades com o smartphone e decidiram fechar a torneira por lei! (Afinal de contas, multas são dinheiro em caixa para os governos).
Suíça e Liechtenstein: Por agora

O caso mais recente e radical aconteceu na Suíça e no vizinho Liechtenstein. A lei federal de trânsito suíça (especificamente o artigo 98a) é muito clara. Proíbe terminantemente qualquer dispositivo ou software destinado a alertar os condutores sobre controlos de tráfego oficiais ou a perturbar a fiscalização rodoviária.
A reação da Google foi rápida para evitar multas pesadas nos tribunais:
- Desapareceu o botão da polícia: Assim que o teu carro cruza a fronteira da Suíça, o Waze deteta a localização por satélite e remove automaticamente do ecrã qualquer opção para assinalar polícias. Seja o ícone clássico, carro escondido ou câmara móvel.
- Radares de velocidade banidos da app: A legislação suíça nem sequer permite ter alertas de radares fixos. Como tal, a Google limpou também os radares das estradas suíças na aplicação. Não vês avisos no ecrã nem podes reportar novos pontos.
- Atinge toda a gente: Não interessa se a tua conta do Waze é portuguesa, espanhola ou francesa. O bloqueio é feito com base na localização geográfica do veículo e não na nacionalidade do perfil. Entraste no país, ficaste sem alertas. Ponto final.
França e a União Europeia: Bloqueios cirúrgicos e operações stop?
Se achas que isto é apenas uma mania dos suíços, desengana-te.
Em França, a legislação já permite que as autoridades obriguem o Waze e outras aplicações semelhantes a “apagar” os alertas de presença policial durante determinados períodos. A justificação oficial não é apenas caçar o excesso de velocidade: é impedir que operações de busca a criminosos, controlos de álcool e estupefacientes ou caça ao terrorismo sejam sabotadas porque alguém decidiu avisar no telemóvel onde está a barreira.
Para piorar o cenário para quem gosta de ter tudo no ecrã, o Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) veio validar que os Estados-membros têm toda a legitimidade jurídica para impor restrições à partilha da localização das autoridades na via pública. Ou seja: a porta ficou escancarada para que outros países da Europa comecem a copiar a cartilha suíça e francesa.
O que é que isto significa para Portugal?
Por cá, a tradição de avisar as operações stop nos grupos de mensagens e nas aplicações continua de boa saúde e recomenda-se. Mas… O precedente europeu está aberto. As autoridades e os governos sabem perfeitamente que o Waze é o maior pesadelo das operações de fiscalização surpresa.
Se vais conduzir lá fora nas férias ou em trabalho, convém não confiar cegamente no silêncio do telemóvel. O facto de o Waze não chiar não significa que a estrada esteja livre. Significa apenas que a Google foi obrigada a calar-se por ordem das autoridades locais.






