Vá, isto não é bem verdade. Porque o que realmente aconteceu é que estou a testar os novos WH-1000XM4C da Sony, que são um “novo” modelo que basicamente aproveita o modelo antigo. Mas, a ideia é genial, e prova que não é preciso andar sempre atrás daquilo que é novo.
Voltei para uns auscultadores de 2020. E bem! A Sony teve uma excelente ideia.

Como deves saber, a indústria da tecnologia adora enfiar-nos pela garganta abaixo a ideia de que o que é novo é obrigatoriamente melhor.
Ou seja, num mundo perfeito, todos os anos temos de trocar de telemóvel, todos os anos temos de comprar o relógio mais recente e, no mundo do áudio, a conversa é exatamente a mesma… Novos designs minimalistas, mais sensores, mais inteligência artificial a tentar adivinhar o ruído à tua volta e preços a disparar para lá dos 400 euros.
Só que às vezes as marcas inventam tanto que acabam por estragar o que funcionava na perfeição!

Foi precisamente isso que aconteceu quando a Sony decidiu reformular o design dos seus topo de gama nos últimos anos, acabando com a mítica estrutura dobrável que toda a gente adorava. Mas, a mesma marca percebeu que podia fazer uma brincadeira muito interessante.
Ou seja, a gigante Japonesa Sony ressuscitou o seu maior sucesso de sempre com os novos WH-1000XM4C, meteu-lhes conectividade atualizada sem tocar na alma do produto, e a conclusão a que chego é tão simples quanto desconfortável para a concorrência.
Seis anos depois, este formato continua a dar dez a zero a muito topo de gama moderno!
O regresso do design que nunca devia ter desaparecido!
Quem usou os clássicos XM4 sabe perfeitamente do que estou a falar.
O grande trunfo daqueles auscultadores era a portabilidade real aliada a um conforto à prova de viagens de longo curso. Podias dobrá-los sobre si mesmos, enfiá-los num estojo compacto e arrumá-los em qualquer canto de uma mochila de trabalho ou mala de cabine.

Eram à prova de tudo. Um tanque de guerra. E os novos XM4C também são.
- Dobram: Ao contrário das gerações mais recentes que apenas rodam as conchas e obrigam a carregar um estojo gigante estilo prato de sobremesa, os XM4C voltam a recolher como manda a lei.
- Almofadas fáceis de trocar: O conforto continua impecável para sessões de quatro ou cinco horas de trabalho sem massacrar as orelhas. Melhor ainda: a Sony redesenhou o encaixe das almofadas para que a substituição seja feita à mão em segundos, sem necessidade de ferramentas de plástico ou risco de rasgar o tecido.
- Botões físicos e controlos que funcionam: Dois botões simples para ligar e alternar o cancelamento de ruído, e o habitual painel tátil na concha direita que responde com precisão sem inventar complicações desnecessárias.
Hardware de 2026 dentro de um corpo clássico?
A grande pergunta que muitos colocam é: faz sentido comprar a carcaça de 2020 hoje?
A resposta está nas entranhas do aparelho. A Sony não se limitou a limpar o pó. Colocou componentes modernos onde realmente interessava modernizar.
Por isso, os auscultadores chegam agora equipados com Bluetooth 6.0, garantindo estabilidade máxima e suporte ao codec LDAC de alta resolução para quem exige fidelidade máxima em ficheiros FLAC ou plataformas como o Tidal. Mantém-se também a salvaguarda essencial da entrada jack de 3.5 mm, permitindo continuar a ouvir música por cabo mesmo que a bateria chegue a zero a meio de um voo.
Depois, o cancelamento ativo de ruído (ANC) continua a ser uma autêntica muralha contra o mundo exterior. Aliás, os testes laboratoriais revelam que os XM4C conseguem anular cerca de 87% do ruído circundante e reduzir o volume percebido em mais de 72%.
São muito bons!
O som que conhecemos e a bateria para a semana inteira
No capítulo da autonomia, estamos a falar de cerca de 27 horas de reprodução contínua com o cancelamento de ruído no máximo, esticando para perto das 34 horas se desligares o ANC. Carregas uma vez ao domingo à noite e esqueces o carregador na gaveta durante toda a semana de trabalho.
Claro que nem tudo é perfeito. A Sony podia ter aproveitado a oportunidade para incluir a função de proteção de saúde da bateria que já coloca noutras gamas, e o desempenho dos microfones em chamadas na rua com muito vento continua a ser apenas razoável.
Mas pelo valor certo, os compromissos são mínimos.
A prova de que a evolução pela evolução é um erro. Há que ter noção e poupar dinheiro.
Voltar a colocar estes auscultadores na cabeça é um alívio e uma lição para toda a indústria tecnológica. Mostra que o consumidor não precisa que as marcas reinventem a roda todos os anos só para justificar aumentos de preço astronómicos.
Às vezes, a melhor decisão que uma marca pode tomar é engolir o orgulho, olhar para trás e reconhecer que um design de 2020 era muito mais inteligente, prático e amigo do utilizador do que as modernices frágeis que vieram a seguir. Voltei aos XM4 e não me arrependo nem por um segundo. Continuam incríveis.








