O sistema Volta tem dado muito que falar em Portugal, mas o problema não está apenas e só no depósito de 10 cêntimos que agora temos de pagar por cada garrafa comprada. Está no facto de tudo estar errado, e de tudo ter sido implementado às três pancadas.
Na realidade, estamos perante um sistema que quer ser verde, mas que na prática só serve para complicar a vida ao consumidor e encher os bolsos a quem já tem muito.
Volta: Já perdi a conta dos “10 cêntimos” que desapareceram
Vamos ser honestos! As máquinas ainda são raras, e obrigam os consumidores a ir a um supermercado (quase sempre de carro) devolver garrafas que se andaram a amontoar em casa, e por vezes, as máquinas pura e simplesmente não funcionam, ou funcionam mal.
Mas, o mais giro foi o que me aconteceu na segunda-feira no aeroporto de Lisboa quando tive de apanhar um avião para Londres, em trabalho.
Portanto, caso não saibas, a área de restauração do aeroporto de Lisboa é caríssima. É quase um assalto consentido. Por isso, quem quer uma garrafa de água para a viagem, e não quer andar com garrafas vazias na mão ou mala, pode sempre comprar uma garrafa pequena logo a seguir à segurança.
Afinal, sempre existiram máquinas automáticas a vender garrafas por 1€, um preço que podes achar exagerado para uma garrafa de água, mas que é obviamente muito mais apetecível face aos 2.5€ ou 3€ que vais pagar no piso seguinte.
Pois bem, com a chegada do sistema Volta, o preço aumentou para 1.5€. Aliás, para 1.5€ + 0.10€. Ou seja, aumentou 60% de um dia para o outro. Coisa linda não é?
A burocracia que ignora a lógica básica
Mas, o mais giro nem é o aumento. É mesmo o facto de não fazer qualquer sentido pagar um depósito de uma garrafa que vai comigo para Londres, ou para qualquer destino no caso. É suposto beber a água, e depois aguentar o tempo todo da viagem e voltar com a mesma garrafa vazia para Lisboa? Isto vale mesmo os 10 cêntimos? Não sei. Para mim não valeu.
No final do dia, esta implementação no aeroporto mostra bem como o sistema foi desenhado sem pensar nos fluxos reais de utilização. Cobrar um depósito num local de onde as pessoas estão literalmente a sair do país é, no mínimo, absurdo. É uma taxa sobre a conveniência disfarçada de ecologia.





