Voar em 2026: Entre o aperto das pernas e o assalto à carteira… A verdade é que o céu já não é o limite. – Com o crescimento da Leak, tenho a oportunidade de ir a vários eventos nacionais e internacionais. Especialmente agora que também fazemos ensaios a carros. Por isso, comecei a voar regularmente em 2017 e, de facto, o volume de viagens só tem aumentado após a pandemia.
Por isso, se há pessoa que pode dar uma opinião daquilo que é voar nos dias que correm, sou eu. Faço vários voos europeus e também faço voos de longo curso para o Dubai, Egito, China, Tailândia, Taiwan, etc. Aqui é preciso salientar que vou sempre em trabalho e, como tal, vou 99.9% das vezes em económica, ou no máximo, económica “extra” ou “plus”.
Também vale a pena dizer que já voei em todas as companhias, sejam elas de bandeira, premium ou low-cost. As diferenças não são assim tantas, a não ser que queiras mesmo viajar pela Ryanair, que é um mundo um bocadinho à parte, mas até aqui, as diferenças para uma TAP desta vida já não são assim tantas. Porquê? Porque voar, nos dias que correm, não é mais do que andar num autocarro com asas.

Voar em 2026 é um pesadelo mascarado de coisa de rico
Se tens saudades dos tempos em que voar era uma experiência digna de registo, temos más notícias. Em 2026, entrar num avião parece mais uma punição do que o início de umas férias. Porquê? Simples! A indústria otimizou o lucro ao ponto de transformar o passageiro numa simples mercadoria a quem tentam sacar o último cêntimo.
Taxas para tudo e espaço para nada. O novo “normal” nas nuvens!
A realidade é brutal e não há como fugir. As companhias aéreas transformaram o serviço básico num autêntico campo de minas de taxas. Se queres escolher o lugar, pagas. Se queres levar uma mala que não seja do tamanho “correto”, pagas. Aliás, se quiseres entrar primeiro para não ficares sem espaço para a mochila, pagas. Na realidade, é o expoente máximo da ganância corporativa.
Entretanto, enquanto a tua carteira emagrece, o teu lugar no avião segue o mesmo caminho. De 2017 até aqui, passei de ter espaço para as pernas (tenho 1m90) e de até ter um lanchinho decente, para agora ter de andar sempre a correr atrás dos lugares virados para o corredor, e com frutos secos dentro do bolso.
Pode parecer inacreditável, mas o espaço para as pernas e a largura dos assentos foram reduzidos ao mínimo aceitável para enfiarem mais gente lá dentro. Como disse em cima, voar hoje é como ir num autocarro lotado, mas a 10 mil metros de altitude e com preços de luxo. Nada é por acaso!
Stress operacional e passageiros à beira de um ataque de nervos?
Como se o aperto físico não chegasse, a experiência humana também se degradou. As pessoas estão mais mal-educadas porque o clima é de stress. Somamos a isto as filas intermináveis na segurança, a falta de pessoal e a probabilidade cada vez maior de a tua bagagem decidir ir de férias para outro país sem ti. É o caos organizado, e quem paga a fatura (em dinheiro e em paciência) és tu.
E para quem achava que dentro da cabine estaria seguro, o clima decidiu dar uma ajuda: as turbulências severas estão a aumentar drasticamente, tornando as viagens ainda mais desconfortáveis e “saltitantes”.
O veredito: Mais acessível, mas muito mais stressante.
Voar já não é só para alguns. É algo normal, e não é por acaso que Portugal precisa de um aeroporto novo. Está a rebentar pelas costuras, porque o número de passageiros e de aviões é um completo absurdo nos dias que correm.
Podem tentar convencer-nos de que voar é mais seguro e acessível hoje do que há décadas. Tecnicamente, os números dizem que sim, mas a experiência diz-nos que não. A meu ver, o transporte aéreo está a regredir para um estado de pura transação financeira onde o conforto é uma memória distante.
É uma pena. Mas a magia de voar está a desaparecer tão rapidamente quanto os lucros de uma companhia que tão bem conhecemos.






