Com o final do verão, a vespa-asiática entra na sua fase mais ativa do ano e as autoridades vieram alertar para os cuidados a ter. Nesta altura, os ninhos atingem as maiores dimensões (podem ter milhares de vespas) e a atividade junto a eles aumenta. O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) deixou recomendações claras para evitar picadas. Explicamos o que fazer e, sobretudo, o que nunca fazer.
Porque é que há mais atividade agora
O alerta tem uma explicação ligada ao ciclo de vida da espécie. No fim do verão e início do outono, as colónias de Vespa velutina (o nome científico da vespa-asiática) atingem o pico: os ninhos estão no máximo da sua dimensão e começam a surgir os indivíduos reprodutores, os machos e as futuras rainhas.
Depois de fecundadas, essas futuras rainhas abandonam o ninho para sobreviver ao inverno e, na primavera seguinte, fundarem novas colónias. É por isso que esta é a fase de maior movimento junto aos ninhos — e, portanto, de maior risco de encontros indesejados.

O que NUNCA fazer
Esta é a parte mais importante, porque o instinto pode levar-te a fazer exatamente o que não deves. Segundo o ICNF:
- Nunca te aproximes de um ninho — mesmo que pareça inativo ou pequeno.
- Nunca tentes destruí-lo ou perturbá-lo por tua conta (com água, fogo, spray, paus). Mexer num ninho é a forma mais certa de provocar um ataque em massa e aí falamos de dezenas ou centenas de picadas.
- Evita gestos bruscos. Se houver vespas por perto, não tentes afastá-las com movimentos rápidos nem lhes batas, mexe-te de forma calma e afasta-te devagar.
A remoção de ninhos deve ser sempre feita por profissionais (bombeiros ou empresas especializadas), com equipamento próprio.
O que fazer para te protegeres
- Se andas em zonas com vespas (jardins, campo, perto de colmeias), usa roupa que cubra braços e pernas e calçado fechado.
- Mantém-te calmo e afasta-te lentamente se uma vespa se aproximar.
- Não deixes comida ou bebidas doces ao ar livre, que as atraem.
E se fores picado?
Uma picada de vespa-asiática provoca habitualmente dor, vermelhidão, comichão e inchaço no local, desconfortável, mas não perigoso para a maioria das pessoas.
Há, no entanto, um aviso importante: quem tem antecedentes de alergias graves a picadas deve procurar assistência médica de imediato se surgirem sintomas de reação alérgica (dificuldade em respirar, inchaço da cara/garganta, tonturas), que podem aparecer poucos minutos depois da picada. Em caso de dúvida, liga para o SNS 24 (808 24 24 24) ou, numa emergência, para o 112.

Uma nota que desfaz o exagero
Aqui está um esclarecimento que o ICNF faz questão de sublinhar, e que ajuda a não entrar em pânico: a vespa-asiática não é, individualmente, mais perigosa para o ser humano do que a vespa europeia (a nossa vespa “de sempre”). Uma picada não é pior do que a de uma vespa comum.
O verdadeiro problema desta espécie é ecológico: é uma espécie invasora que se reproduz muito e que ataca outros insetos, sobretudo as abelhas, o que representa uma ameaça séria para a apicultura e para a polinização. É por isso que combatê-la é tão importante, mais pela natureza do que pelo perigo direto para as pessoas.
Viste uma vespa (ou um ninho)? Comunica
Se identificares uma vespa-asiática ou um possível ninho, não te aproximes e comunica o avistamento na plataforma STOPvespa, gerida pelo ICNF (stopvespa.icnf.pt). Podes registar a localização e anexar fotografias isso ajuda as autoridades a localizar e a remover os ninhos, e a acompanhar a presença da espécie em Portugal.
No fundo, a regra é simples: mantém a distância, não mexas, e reporta. Deixa a remoção para os profissionais e ajudas a proteger as abelhas (e a ti próprio) sem correres riscos.






