Houve uma altura em que ver televisão em casa era simples. Tinhas um pacote da MEO, NOS ou Vodafone, pagavas uma fatura, tinhas centenas de canais e pronto. Não era barato, mas pelo menos era previsível, e até existia alguma qualidade no serviço.
Hoje? A conversa mudou por completo.
A TV tradicional perdeu força, o streaming tomou conta da casa, e a promessa de liberdade e poupança transformou-se numa nova dor de cabeça. Agora, além do pacote de TV da tua operadora, tens mais apps, mais mensalidades, mais confusão e, no fim do mês, uma conta que já começa a meter medo.
Aliás, se fores fazer contas ao ano, é provável que te dê uma coisinha má.
Em Portugal, ver tudo em casa já começa a custar demais
Durante algum tempo, o streaming parecia a solução perfeita, e de facto era. Subscrevias uma ou duas plataformas, e ficavas com a sensação de que estavas a fazer um grande negócio, porque tinhas acesso a tudo ou quase tudo.
O problema é que esse tempo já lá vai.
Hoje, quem quer acompanhar séries, filmes, documentários, conteúdo infantil e ainda algum desporto, acaba quase sempre preso a várias subscrições ao mesmo tempo. Netflix, Disney+, Max, Prime Video, SkyShowtime, Apple TV+, talvez até outra qualquer que apareceu entretanto com uma ou duas séries da moda.
O problema é quando se juntam todas.
O streaming ficou fragmentado. E foi aí que tudo encareceu e ficou pouco prático.
Este é o verdadeiro centro do problema. O conteúdo que antes estava mais ou menos concentrado começou a espalhar-se. Cada estúdio quis a sua plataforma. Cada marca quis a sua vitrine e, claro, a sua mensalidade.
Resultado? O consumidor deixou de pagar por entretenimento. Passou a pagar por pedaços de entretenimento.
Queres ver uma série que está numa plataforma. Depois outra que saltou para outra. Depois um filme que, afinal, já saiu do catálogo e foi parar a outro serviço qualquer. E quando dás por ti, já tens meia dúzia de apps instaladas, várias cobranças no cartão, dores de cabeça e, na realidade, a sensação de que nunca tens tudo no mesmo sítio.
Em Portugal, o problema ainda fica pior por causa do desporto!
E aqui é que a realidade portuguesa começa a doer a sério. Porque uma coisa é quereres ver séries e filmes. Outra coisa bem diferente é juntares a isso o futebol e o resto do desporto premium.
Se queres ver todos os jogos do teu clube, são cerca de 600 euros por ano. Se quiseres ver também NBA, MotoGP, F1, etc… depende sempre de onde andam os direitos de transmissão. É caro. E é irritante.
Depois ainda há outros problemas, porque estes canais premium não gostam de facilitar a vida aos consumidores. Querem o dinheiro certinho ao fim do mês. Oferecer jogo a jogo? Nunca. Isso é perder dinheiro.
A conta está pior do que no tempo da antiga TV paga
Durante anos, venderam-nos a ideia de que o streaming vinha salvar o consumidor. Foi treta.
Hoje há muitas famílias em Portugal que continuam a ter pacote de TV, internet e telemóvel, e que, por cima disso, ainda somam duas, três ou quatro plataformas de streaming. Ou seja, a velha fatura não desapareceu. Foi acompanhada por uma nova camada de mensalidades.
Quando tudo sobe, o consumidor muda de comportamento!
É por isso que começa a ser cada vez mais comum ver pessoas a cancelar serviços, a rodar subscrições ao longo do ano, a ativar uma plataforma só para ver uma série específica e a desligá-la logo a seguir.
Aliás, muitos consumidores estão fartos desta gestão que só irrita e dá dores de cabeça. Por isso, viraram-se para a pirataria. Stremio, Plex, IPTV. Há de tudo. Aliás, há vários serviços IPTV que oferecem tudo num único produto por 5€ mensais.
Conclusão? O consumidor português não quer deixar de ver. Quer é pagar menos e ter menos chatices.
Chegar a casa e ver uma série devia ser um exercício de relaxamento. E não outra forma de fazer contas à vida.









