Pois bem, a E-Ink juntou-se à MediaTek para criar e-readers a cores com IA, naquilo que é uma nova geração bastante apetrechada de tecnologia. Mas, será que os leitores querem mesmo este “entulho”?
Quem gosta de ler livros digitais, banda desenhada ou mangas sabe perfeitamente que os e-readers com ecrãs de e-paper são uma autêntica bênção para os olhos, e de facto, para a nossa carteira e bem estar mental. Podes ter centenas ou milhares de obras num único aparelho. É um quase absurdo.
Mas, a promessa deste mercado sempre foi a simplicidade! Ou seja, uma imitação perfeita do papel, sem reflexos e com uma bateria que dura semanas. No entanto, a gigante dos ecrãs E Ink decidiu que estava na altura de inventar moda e aliou-se à fabricante de chips MediaTek para lançar a próxima geração de leitores de ebooks a cores.
Cores vibrantes para banda desenhada e ecrãs gigantes de 13 polegadas?
Portanto, vamos começar pela parte que realmente interessa e que promete melhorar a nossa vida.
A parceria entre as duas empresas vai dar vida a novos chips (como os MT8115 e MT8126) desenhados especificamente para gerir ecrãs de e-paper a cores das linhas Gallery e Kaleido.
Assim, com um suporte de cor que chega aos 7 bits, os novos e-readers vão conseguir reproduzir tons muito mais fiéis, detalhados e realistas. Aliás, se és fã de banda desenhada, revistas ou livros técnicos ilustrados, esta evolução promete ser um regalo visual, alcançando uma excelente definição de 300 PPI em ecrãs que podem ir até às 13,3 polegadas.
Além disso, a MediaTek promete resolver dois dos maiores calcanhares de Aquiles desta tecnologia! A lentidão nas transições de página e o irritante efeito de arrastamento (“ghosting”). Os novos algoritmos prometem taxas de atualização muito mais velozes, navegação na web fluida. E, de facto, até a capacidade de reproduzir pequenas animações sem que o ecrã pareça uma lousa mágica avariada.
Para garantir isso tudo, a Inteligência Artificial entra ao nível do hardware para acelerar o movimento das partículas de tinta eletrónica. Até aqui, tudo espetacular.
E o resto?
O problema começa quando olhamos para as restantes funcionalidades que decidiram enfiar no pacote.
Afinal, graças ao desempenho de 7,4 TOPS destes novos processadores, os e-readers da marca Linfiny (e de outras que se vão seguir) vão passar a fazer transcrição de voz em tempo real, resumos automáticos de texto e traduções instantâneas em 20 línguas diferentes. A Intel e a MediaTek gabam-se de que tudo isto corre localmente no aparelho, sem precisares de estar ligado à nuvem, transformando o teu leitor de livros num “caderno inteligente” capaz de rivalizar com os tablets tradicionais.
Ou seja, encher um dispositivo supostamente simples com funções de produtividade e ferramentas de IA… Passou a ser a nova obsessão das marcas para justificar preços mais altos ao longo de 2026.
É precisamente aqui que a comunidade de leitores começa a torcer o nariz, e com toda a razão.
Até porque esta avalanche de Inteligência Artificial ameaça trazer três grandes problemas. Baterias que se esgotam num piscar de olhos (destruindo o grande trunfo dos e-readers). Armazenamento interno sobrecarregado com ficheiros de sistema. E, claro, um aumento absurdo no preço final dos dispositivos.
Achas que os e-readers fazem bem em evoluir para o mundo da Inteligência Artificial e das cores vibrantes ou preferes que eles continuem a ser aparelhos simples e focados apenas na leitura ao longo de 2026? Deixa a tua opinião nos comentários.





