A recente contratação de Peter Steinberger, fundador do OpenClaw, por parte da OpenAI não parece ter passado despercebida. Sim, à primeira vista, parece apenas mais um movimento estratégico na guerra pelo talento em inteligência artificial. Mas há quem veja algo muito maior a acontecer.
Para a equipa da MyClaw, uma das primeiras a oferecer implementações plug-and-play do OpenClaw, esta pode ser a transição de um simples framework para algo muito mais ambicioso, e que pode muito bem ser o futuro de quem hoje em dia anda agarrado ao iOS da Apple e Android da Google. Ou seja, um verdadeiro “sistema operativo” para agentes de IA.
De framework experimental a runtime para agentes
Antes de mais nada, até aqui, o OpenClaw era visto como uma base técnica para construir agentes inteligentes. Um conjunto de ferramentas. Ou melhor, um simples ponto de partida.
Mas segundo a MyClaw, o projeto pode estar a evoluir para algo semelhante a um ambiente de execução permanente. Ou seja, um espaço onde os agentes vivem, guardam memória, tomam decisões e executam tarefas de forma contínua.
Isto é interessante, porque nos primeiros tempos, o Android também era apenas mais uma plataforma móvel num mercado cheio de concorrência. Só depois da aposta estratégica da Google é que se tornou no padrão dominante.
Fica a ideia de que a ideia aqui é semelhante. Ou seja, o OpenClaw pode estar num ponto de viragem idêntico, mas aplicado ao universo dos agentes de IA.
O que vai mudar?
Durante muito tempo, a IA foi encarada como algo conversacional. Ou seja, falamos com um modelo, ele responde (bem ou mal), e a interação termina, apesar de hoje em dia a conversa ficar em memória e servir para melhorar conversas futuras.
Agora o paradigma está a mudar.
Os agentes deixam de ser apenas “chatbots evoluídos” e passam a funcionar como operadores persistentes. Mantêm contexto, utilizam ferramentas externas, automatizam processos e continuam a trabalhar mesmo depois da conversa terminar.
É a diferença entre falar com uma IA e delegar-lhe uma tarefa real.
Na prática, um agente funciona quase como uma pessoa, ao se tornar mais independente da conversa que tem com o utilizador.
A OpenAI precisa de mais, e essa vontade pode acelerar tudo
A Inteligência Artificial é tema para tudo e mais alguma coisa. Mas… Não faz dinheiro. Ou pelo menos não faz o dinheiro que muitos desejariam. Por isso, é preciso fazer mais e melhor. Dito tudo isto, quando o criador de um framework passa a integrar a empresa que domina o mercado dos modelos de IA, é natural que as tecnologias comecem a evoluir lado a lado.
A MyClaw descreve isto como um “reposicionamento gravitacional”. O cérebro, que são os modelos de linguagem, e o corpo, que são os agentes, passam a estar mais próximos.
Estamos a assistir ao nascimento de um novo padrão?
Se esta visão se concretizar, OpenClaw pode tornar-se na camada de execução padrão para o trabalho digital autónomo. Ou seja, tal como o Android definiu como as apps funcionam no mundo mobile, OpenClaw poderia definir como a inteligência artificial executa tarefas no mundo real.
Ainda é cedo para afirmar que é exatamente isto que vai acontecer. Mas o movimento estratégico da OpenAI mostra que os agentes deixaram de ser um experimento curioso e passaram a ser parte central do futuro da IA.
No final do dia, a pergunta não é se os agentes vão ganhar importância. Eles vão ser muito importantes. Falta é perceber quem vai definir as regras do jogo.








