Se costumas acompanhar os meus artigos aqui na Leak sobre o mercado de hardware e componentes para PC, sabes perfeitamente que montar ou atualizar um computador tem sido um autêntico teste à nossa paciência (e à conta bancária).
Ou seja, quando não são as placas gráficas com preços inflacionados, são os componentes de armazenamento que começam a encarecer do nada. Dito isto, se estavas a planear comprar mais memória RAM ou um SSD novo nos próximos meses, o meu conselho é muito simples: compra o quanto antes.
O banco de investimento UBS e a prestigiada empresa de análise TrendForce lançaram novos relatórios sobre o mercado global de memórias e as perspetivas são tudo menos animadoras para o consumidor comum.
Os analistas deitram por terra as previsões mais otimistas e duplicaram as estimativas de aumento de preço para o terceiro trimestre (Q3) de 2026. A culpa, como já deves imaginar, volta a ser do monstro da Inteligência Artificial, que está a engolir a capacidade de produção das fábricas.
A loucura do mercado: Preços dos contratos de DDR sobem 32%
Para perceberes a gravidade da situação, o UBS estimava inicialmente que os preços dos contratos de memória DDR (a RAM que usas no teu PC e portátil) subissem cerca de 17% neste trimestre. Retificaram os dados e apontam agora para um disparo massivo de 32% numa única vaga de negociações. Mas, a festa não fica por aqui. Para o quarto trimestre (Q4), onde costuma haver a azáfama das compras de Natal, esperam mais uma subida de 18% em cima do valor já inflacionado.
No campeonato dos chips NAND, que dão vida aos nossos SSDs e armazenamento móvel, o cenário repete-se com contornos semelhantes. A previsão de aumento para este trimestre saltou dos 17% para uns pesados 30%.
A razão por trás desta razia é um desequilíbrio brutal entre a oferta e a procura que se vai arrastar, pelo menos, até ao segundo trimestre de 2028. Os modelos matemáticos indicam que, em 2027, a procura global por memória vai crescer 36,2%. Isto enquanto as fábricas só vão conseguir aumentar a produção em 19,3%.
Há mais gente e grandes empresas a querer comprar do que chips disponíveis no mercado, o que dá aos fabricantes o poder absoluto de ditar o preço que bem entenderem.
Os gigantes da IA passam à frente e quem paga és tu!
A TrendForce, que acompanha este mercado muito de perto, valida a tese de escassez severa. Mas, deixa uma pequena nota de esperança para o mercado de consumo. De acordo com a empresa, os preços dos componentes para o utilizador comum já estão tão altos, e o mercado de PCs e smartphones está tão morno… Que os fabricantes não vão conseguir esticar a corda infinitamente sob pena de as pessoas deixarem simplesmente de comprar.
Por isso, a estimativa global deles para a subida média da DRAM fixa-se nos 18%.
Ainda assim, o grande problema é o desvio de produção. As grandes empresas de tecnologia (os chamados hyperscalers que gerem os servidores de IA e computação na nuvem) estão a injetar milhares de milhões de dólares no mercado. Isto para garantir contratos de fornecimento de memória a longo prazo.
Como tal, para as fábricas, é muito mais lucrativo produzir memórias de alta velocidade para servidores. Por exemplo, face aos tradicionais módulos DDR4 ou DDR5 para o mercado doméstico.
No fim do dia, a corda parte sempre pelo lado mais fraco. Prepara-te para ver as tabelas de preços das lojas de informática a mexerem para cima nas próximas semanas. Se precisas mesmo de fazer um *upgrade*, o melhor é não adormecer a meio da guerra.






