Usas óculos? O futuro pode ser muito curioso para ti!

Durante mais de 200 anos, apesar das mudanças no design, visto que hoje em dia há óculos para todos os gostos e feitos, a realidade em que no lado funcional da coisa mudaram muito pouco.

Claro que passámos dos bifocais d Benjamin Franklin, no século XVIII, para lentes progressivas nos anos 60, mas a base manteve-se sempre a mesma. Ótica pura, mecânica, fixa. Se queres ver ao perto e ao longe, tens de aprender a viver com zonas de foco diferentes e alguma distorção pelo meio.

O sistema não é perfeito. Mas… Pode vir a ser.

Óculos que funcionam como os teus olhos… antes da idade pesar!

A IXI Eyewear, uma empresa sediada na Finlândia e já financiada com mais de 40 milhões de dólares, incluindo dinheiro da Amazon, está a preparar óculos que ajustam o foco automaticamente, em tempo real, sem o utilizador ter de pensar em nada.

A ideia é simples na teoria. Fazer com que os óculos se comportem como o olho humano saudável, aquele que ajusta o foco naturalmente conforme olhas para algo ao perto ou ao longe.

Porém, na prática, a coisa é tudo menos simples.

Lentes de cristal líquido com rastreamento ocular

O segredo está nas lentes.

Em vez de vidro tradicional, a IXI usa lentes de cristal líquido que mudam de curvatura eletronicamente. Essas mudanças são controladas por sensores de rastreamento ocular espalhados pela armação, que usam luz infravermelha invisível para perceber exatamente para onde estás a olhar.

Assim que o sistema deteta se estás a ler um menu, a olhar para o telemóvel ou a conduzir, ajusta instantaneamente o foco da lente.

Sem zonas fixas, sem transições forçadas, e claro, sem aquele truque de inclinar a cabeça para acertar no sítio certo da lente.

Com esta abordagem digital, a lente inteira pode ser usada para ver ao longe, algo que, segundo a empresa, faz uma diferença enorme para quem já se habituou às limitações dos progressivos.

Leves, discretos… e com bateria

Apesar de toda a tecnologia lá dentro, os protótipos pesam apenas 22 gramas, o que os coloca ao nível de armações normais. A bateria e a eletrónica estão escondidas na haste, com carregamento magnético. Mas, claro, a autonomia obriga a carregar os óculos durante a noite. A IXI quer que pareçam óculos normais.

Nem tudo é perfeito… ainda

Claro que há compromissos. Existe uma zona de transição na lente onde o cristal líquido deixa de atuar, e essa área não é ideal para olhar diretamente. A empresa garante que essa zona é pequena e raramente perceptível no uso real, mas é uma limitação assumida.

Há também questões de segurança. Se a eletrónica falhar, os óculos entram num modo de segurança e regressam a uma correção base, normalmente focada na visão ao longe.

Por isso, ainda estão a ser feitos testes para confirmar se são totalmente seguros para condução prolongada.

Quando chegam e quanto vão custar?

A produção deverá arrancar na Finlândia, com lançamento inicial na Europa, assim que as autorizações regulamentares estejam concluídas. Os Estados Unidos vêm a seguir, após aprovação da FDA. Para já, só estão previstos dois ou três formatos de armação, em vários tamanhos.

O preço ainda não foi revelado, mas a marca não esconde a ambição. Isto vai ser um produto premium, e isso significa sempre (muito) caro.

O início do fim dos óculos tradicionais?

Não é a única empresa a tentar resolver este problema, mas é uma das mais avançadas. A tecnologia faz sentido, a ciência está lá, e o conceito é sólido. O verdadeiro desafio está na fiabilidade, autonomia e aceitação do mercado.

Se resultar, pode mesmo mudar a forma como usamos óculos.

Siga a Leak no Google Notícias e no MSN Portugal.

Receba as notícias Leak no seu e-mail. Carregue aqui para se registar É grátis!

Nuno Miguel Oliveira
Nuno Miguel Oliveirahttps://www.facebook.com/theGeekDomz/
Desde muito novo que me interessei por computadores e tecnologia no geral, fui sempre aquele membro da família que servia como técnico ou reparador de tudo e alguma coisa (de borla). Agora tenho acesso a tudo o que é novo e incrível neste mundo 'tech'. Valeu a pena!

Em destaque

Leia também