Como já disse no passado, nos dias que correm, com o dinheiro que se pede por subscrições de plataformas de streaming, ou canais premium de TV, existem de facto razões para enreder por caminhos mais cinzentos. Mas, ainda assim, há assuntos na internet que deixam qualquer pessoa minimamente atenta ao mundo da tecnologia de boca aberta… Ou seja, no meio dos fóruns dedicados ao streaming em Portugal, surgiu um utilizador a fazer uma pergunta honesta, mas que deixou meia comunidade com os cabelos em pé! Vale a pena trocar a box de TV da MEO por uma Xiaomi Box para ver IPTV e Stremio?
Tudo isto porque a box da operadora, diz ele, costuma cortar o som no Stremio e obriga a fazer cinco resets seguidos para voltar a funcionar.
Mas, o verdadeiro problema aqui não é a falta de som nem a capacidade de processamento da box. É a absoluta falta de noções sobre como funcionam os equipamentos que as operadoras nos metem dentro de casa.
“A box não é tua. É emprestada. E claro, eles vêm tudo”: O perigo de ter pirataria no quintal da operadora…

Portanto, usar a box oficial da MEO, NOS ou Vodafone (seja a Android TV ou o descodificador tradicional) para instalar listas de IPTV ilegal ou aplicações como o Stremio é uma ideia francamente terrível. Não é que funcione, porque vai com toda a certeza funcionar. O problema é que… A operadora sabe muito bem o que estás a fazer.
É o equivalente a ir roubar a casa do vizinho, e avisar que o vais fazer no dia anterior. A box não é tua. É um equipamento alugado, cedido pela operadora, que corre software gerido por eles e com acessos remotos constantes.
Mas… As operadoras andam a controlar tudo?
Embora a MEO, ou qualquer outra operadora, não ande ativamente a mandar a polícia a casa de quem instala um APK manhoso na box. A operadora tem telemetria total do equipamento.
Isto significa que sabe que aplicações estão instaladas, que tráfego passa por ali e quando é que a box é utilizada. Meter pirataria diretamente no ecossistema de quem te vende a ligação à internet e te aluga o aparelho é pura loucura. Podes meter uma VPN para ajudar, mas… É sempre má ideia. Isto é inegável.
Além disso, há a questão do desempenho puro e duro. As boxes das operadoras são otimizadas para correr a aplicação proprietária de televisão e pouco mais. A gestão de memória RAM é agressiva, os descodificadores de áudio e vídeo são limitados, daí as falhas constantes de som no Stremio quando se usam certas faixas de áudio, e o hardware engasga-se todo assim que lhe pedem algo fora da rotina.
Xiaomi, Formuler ou Fire Stick: O salto que tens de fazer e não é assim tão caro.
Se o objetivo é ter uma experiência de streaming decente sem passar a vida a reiniciar a box cinco vezes por noite, a resposta é óbvia… Passa por comprar um dispositivo próprio. Dispositivos como a Xiaomi TV Box, um Amazon Fire TV Stick ou, para quem quer levar o IPTV a sério, uma box da Formuler, oferecem um ecossistema completamente independente, e muita mais performance.
O que por sua vez significa liberdade, e 0 dores de cabeça.
Para além de resolver os problemas de descodificação de áudio no Stremio (que muitas vezes se resolvem apenas mudando o leitor externo para o VLC ou ajustando as definições da app), um dispositivo dedicado garante que o utilizador é o único dono do hardware. Não há atualizações impostas pela operadora a bloquear aplicações de um dia para o outro nem relatórios de utilização a serem enviados para os servidores da MEO.
Continuar a usar a box da operadora para este tipo de consumo é poupar meia dúzia de tostões num dispositivo dedicado para passar o tempo a sofrer com bloqueios e lentidão. É altura de devolver o hardware à MEO e comprar uma box a sério.







