Se há coisa que me irrita, é falar com amigos, familiares, ou conhecidos, e todos me dizerem “fiz um trabalho para a faculdade em 5 minutos com a ajuda do ChatGPT, e tive 17”. Só eu sei o que sofri nos meus tempos de faculdade, e meus amigos, não havia Inteligência Artificial para ninguém. Penei muito! Ainda me lembro do código não funcionar de forma nenhuma, e eu andar nos fóruns todos da Internet à procura de uma solução milagrosa, quando a hora de entrega se aproximava a uma velocidade absurda.
Mas, a realidade é que nem estou a falar apenas da falta de exigência de alguns estabelecimentos de ensino. A realidade é que IA veio para ficar, e como tal, o próprio sistema vai ter de se adaptar a uma nova realidade. Quer queiras quer não, isto é uma ferramenta poderosíssima.
Universidade vai ter de mudar? A culpa é da IA!

Portanto, se há tema que sempre gerou discussões acesas entre famílias, estudantes e o mercado de trabalho, é o valor real de um diploma universitário.
Sim, durante décadas venderam-nos a ideia de que o percurso tradicional. Ou seja, tirar a licenciatura, queimar as pestanas em cadeiras teóricas durante anos a fio e só depois entrar no mercado. Este era o único passaporte garantido para o sucesso profissional. No entanto, com a revolução da Inteligência Artificial a atropelar modelos de trabalho a um ritmo alucinante, até essa certeza de pedra e cal está a ruir.
De facto, quem decidiu meter o dedo na ferida desta vez foi Sam Altman, o líder da OpenAI. Durante uma conversa com estagiários e jovens da área tecnológica, o homem forte do ChatGPT afirmou sem rodeios que 3 ou 4 anos na universidade é demasiado tempo para as exigências do mundo atual, garantindo que dois anos nos dias que correm é bastante mais… Interessante.
Como assim?
Para quem não se lembra, Sam Altman abandonou a prestigiada Universidade de Stanford em 2005, precisamente ao fim de dois anos de curso, para fundar a sua primeira startup (a Loopt) e entrar na incubadora Y Combinator.
Olhando para trás, Altman admite que a experiência universitária foi fantástica para ganhar independência, trabalhar em projetos práticos e fazer contactos humanos essenciais. Mas, insiste que continuar sentado nas aulas por mais dois anos teria sido uma perda de tempo com “retornos claramente decrescentes”.
Na visão do patrão da OpenAI, a velocidade a que o mundo e a tecnologia evoluem tornou os planos curriculares tradicionais lentos e desfasados da realidade. Hoje em dia, um programador ou criador consegue montar uma startup inteira sozinho dentro de um quarto, apenas com disciplina, visão e ferramentas de Inteligência Artificial para gerar código, desenhar interfaces e estruturar planos de negócio.
A ironia é linda de se ver! Afinal, a IA está a fechar a porta aos recém-licenciados
As palavras de Altman até podem soar inspiradoras para quem quer atirar os livros ao ar e começar a empreender de imediato, mas trazem uma dose de ironia bastante gira de se ver. Afinal de contas, foi precisamente a vaga de automação liderada por empresas como a OpenAI que começou a destruir os primeiros degraus da carreira de milhares de jovens.
Os números na indústria tecnológica contam uma história preocupante:
- Queda brutal nos estágios: As vagas de estágio nas grandes tecnológicas caíram cerca de 30% nos últimos anos, uma vez que a IA passou a resolver com rapidez as tarefas básicas de análise e programação que antigamente eram entregues aos novatos.
- Porta fechada aos recém-formados: A percentagem de contratações de recém-licenciados pelas gigantes tecnológicas desceu para patamares mínimos de apenas 7%.
O canudo ainda importa ou o paradigma mudou de vez?
É evidente que ninguém está a dizer que áreas críticas como a medicina, a engenharia civil ou o direito vão dispensar o rigor académico de uma universidade a curto prazo. Mas no ecossistema digital, tecnológico e criativo… Passar quatro anos a aprender teoria enquanto a indústria muda de três em três meses começa a ser um luxo com pouco sentido prático.
O foco mudou para a capacidade de aprender de forma diferente. Ou, aprender a aprender. Isto significa dominar as ferramentas modernas de IA e de colocar projetos reais a funcionar no mundo real.
Concordas com Sam Altman que os cursos superiores deviam ser muito mais curtos e práticos ou achas que nada substitui a formação universitária completa de quatro anos? Deixa a tua opinião na caixa de comentários em baixo.







