Foi num evento de grandes dimensões que a Huawei revelou em Berlim o Huawei Mate S, o seu “flagship de flagship”, e o orgulho não era para menos: antes de qualquer concorrente, a Huawei surgia em Palco na pessoa de Richard Yu e anunciava o primeiro smartphones do mundo com Force Touch. Assim de repente e em frente a uma plateia de cerca de mil pessoas, a Huawei adiantava-se aos seus concorrentes, e o anúncio não ficava por aí: novo ecrã, novo e melhor processador, mais memória, sensor de impressões digitais multifuncional, design completamente renovado. Tudo junto, o Mate S não é um Mate 7 melhorado, mas todo um novo smartphone, com charme, performance e funcionalidade. Pouco mais de uma semana após o nosso regresso de Berlim, o que pensamos do Huawei Mate S?

Desenho e construção

Desenho cuidado e materiais de qualidade fazem do Huawei Mate S um dos smartphones mais elegantes de 2015.
Desenho cuidado e materiais de qualidade fazem do Huawei Mate S um dos smartphones mais elegantes de 2015.

Do Mate 7 sempre se disse que era muito parecido com o HTC One M7, e na traseira o Huawei Mate S distancia-se apenas algo mais. Em tudo o resto, no entanto, a arquitectura do dispositivo é sublime e mostra uma qualidade de construção irrepreensível. Mesmo tendo em conta a nota que acompanhava o dispositivo, alertando para o facto de não ser uma versão final, não há um único pormenor desalinhado ou um acabamento incompleto: de qualquer ângulo e em qualquer direcção, o Huawei Mate S tem um acabamento ao melhor nível do que se faz no mercado.

Integralmente em metal, os únicos elementos que fogem à regra e cortam a harmonia da traseira são as duas já expectáveis tiras de plástico que permitem melhorar a recepção das antenas do dispositivo. A apresentação de Richard Yu realçou muito bem como são mais finas e mais discretas que na actual geração do iPhone, mas na verdade, se esta colagem pode dar combustível a quem considera esta estética derivativa, não há muitas opções para recortar a concha de metal e facilitar o trabalho das antenas, e as poucas que há, já estão todas em prática. Atrás, encontramos ainda o módulo da câmara com o seu flash dual LED e o sensor de impressões digitais.

Se algo podemos dizer do desenho do Huawei Mate S é que tem patente riqueza de linhas e acabamentos. Se a traseira é gentilmente curvada em direcção às laterais, estas têm remates em bisel de metal natural cujo resultado ultrapassa o estético e contribuem para um perfil opticamente mais fino e mais confortável para a mão. Mais uma vez, as arestas estão perfeitamente polidas e a Huawei não se poupou a esforços para tal, sendo o seu esforço bem aparente nos orifícios do altifalante perfurados na base do equipamento. Infelizmente, e como tem sido recorrente em muitos equipamentos, só os orifícios da direita são efectivamente altifalantes, sendo os da esquerda microfones.

Uma câmara com estabilização óptica e um sensor digital altamente funcional são dois pontos louváveis no Huawei Mate S.

Quando chegamos à frente encontramos o novo painel 2.5D em Gorilla Glass 3. Recentemente, o autor realçou como este tipo de ecrã é amplamente mais confortável que os ecrãs tradicionais, à medida que cada vez mais aplicações estão mesmo junto às margens dos ecrãs. Numa tentativa de disfarçar os rebordos, a Huawei não os pintou de branco, e o resultado é que quando o telemóvel está em standby, parece ter um ecrã sem qualquer margem, expansivo e amplo, apesar das suas 5.5 polegadas serem mais pequenas que as 6 polegadas do Mate 7. Uma vez ligado, a impressão é diferente, mas o compromisso é aceitável.

Finalmente, o Huawei Mate S é também publicitado como à prova de intempéries. A Huawei não seguiu o caminho de alguns concorrentes que oferecem certificações IP que levam a alguns exageros por parte dos utilizadores, mas declarou que parte da defesa consiste em nano-revestimentos que repelem a água, enquanto o resto é óbvio: o corpo exterior do equipamento é construído praticamente sem orifícios ou descontinuidades, o que limitará em boa parte os locais por onde água ou poeira se possam infiltrar. Tendo em conta o valor elevado do Huawei Mate S, este tipo de defesa é muito bem-vindo.

Qualquer que seja o ângulo a partir do qual apreciamos o Huawei Mate S, o seu acabamento luxuoso e a estética refinada do seu desenho são imediatamente aparentes. Apreciado em estado bruto, este é um dispositivo que não se limita a ser um smartphone, e pode ser facilmente encarado como um adorno ou joalharia para este novo século tecnológico.

Funcionalidades e mais funcionalidades

Há um capítulo onde a Huawei merece reconhecimento e esse é no domínio das ideias que visam melhorar a experiência de utilização através de soluções inovadoras uma constante procura por melhorar aquelas já implementadas.

Desde logo, o Fingerprint Sense 2.0 introduz novas funcionalidades e velocidade para o que poderia de outro modo ser apenas um sensor de impressões digitais. No menu “ID de impressão digital” encontramos efectivamente cinco funções que podem ser activadas para o sensor, incluindo o atendimento de chamadas, parar alarmes ou mostrar o painel de notificações, além de capturar fotografias e procurar fotos na galeria. Nenhuma destas funções precisa de ser levada a cabo com o dedo cuja impressão digital está gravada e, quando estamos preocupados com as dedadas no ecrã, poder utilizar o sensor de impressões digitais permite de facto limitar o contacto com o ecrã às operações indispensáveis.

Mesmo a captura fotográfica acaba por ser uma excelente ideia porque permite utilizar utilizar muito facilmente o indicador no sensor, com o telemóvel firmemente seguro. Diga-se entretanto que a capacidade de resposta do sensor é imediata: um ligeiro toque e o ecrã acende-se. Como o sensor opera em 360º, não há qualquer dificuldade em desbloquear o dispositivo, não importa a posição em que está no nosso bolso.

O “Controlo de Movimento” é igualmente bastante completo: podemos inverter o Huawei Mate S para silenciar uma chamada, ou erguê-lo até ao ouvido para executar uma de várias acções, de atender chamadas a efectuá-las ou controlar os auriculares.

E claro, temos o novo “Knuckle Sense”, que permite levar a cabo acções através da aplicação de força com os nós dos dedos. Com a possibilidade do utilizador configurar letras que activam determinadas aplicações, basta desenhar a letra correspondente com o nó do dedo para ir imediatamente para a app desejada sem termos de navegar pelas diversas páginas. Infelizmente não parece ser possível adicionar novas letras para a abertura de apps novas, um ponto onde sem dúvida a Huawei poderá melhorar significativamente.

Capturar imagens ou vídeos do que se passa no ecrã é também possível com o Knuckle Sense, que pode ainda ser utilizado para capturar pontos específicos do ecrã.

O mais interessante é que o Knuckle Sense é perfeitamente funcional mesmo com o telemóvel em standby: estando o ecrã desligado, podemos desenhar a letra desejada com o indicador, contornando a necessidade de ligar o ecrã, desbloqueá-lo e clickar no ícone pretendido. Soberbo? Soberbo.

Uma sugestão para a Huawei será refinar esta funcionalidade para nos permitir fazer anotações e comentários em documentos.

Ser ou não ser Force Touch

É aqui que o Huawei Mate S constitui uma semi-desilusão para muitos. A apresentação da Huawei foi dominada pelas maravilhas associadas ao Force Touch, cristalizando semanas de teasers em que nenhuma outra característica parecia ser tão importante. E sejamos claros: a implementação do Force Touch é brilhante: do zoom de imagens à activação de pontos “mágicos” no ecrã onde menus e opções extras surgem, e claro, a capacidade de pesar laranjas. Não: falando a sério, a capacidade do ecrã para medir o nível de pressão exercido até às gramas é interessante para um conjunto de possibilidades de interacção com o telemóvel. Contudo, há ainda muitas implementações possíveis, nas quais a Huawei está a trabalhar, mas que não estão ainda prontas neste momento.

Por isso, e infelizmente – muito infelizmente – para uma plateia fascinada, a informação rapidamente chegou que o Force Touch estaria disponível numa versão premium com 128GB de memória, e que sabemos agora dificilmente estará no mercado Europeu durante este ano. Na verdade, temos um bichinho que nos diz que quando chegar ao mercado já se chamará Huawei Mate 8, mas isso são outros quinhentos.

O primeiro pensamento do autor quando se apercebeu daquela curta frase no fundo do último slide foi que aquilo que tornaria o Huawei Mate S absolutamente revolucionário estava destinado a um nicho no futuro próximo. No entanto, o Huawei Mate S tem no Knuckle Sense uma espécie de Force Touch, no sentido em que é impossível activar as mesmas funções com as pontas dos dedos, ou mesmo com o nó dos dedos, sem aplicar força. Temos por isso alguma esperança que futuro firmware possa aumentar ainda mais o número de acções possíveis deste modo, para criar uma espécie de proto-Force Touch. Já vimos acontecer coisas mais difíceis.

Câmaras: poucos megapixéis, excelentes megapixéis

A app de câmara tem bastantes implementações, incluindo para fotografia nocturna.
A app de câmara tem bastantes implementações, incluindo para fotografia nocturna.

Outra área onde a Huawei marca pontos, é na riqueza do interface das câmaras disponíveis no Huawei Mate S, em si mesmas uma replicação do já disponível no P8 e no Honor 7, e agora também no G8. Efectivamente, a combinação de uma câmara de 13MP com uma frontal de 8MP não é actualmente o máximo que a indústria oferece, mas a qualidade que obtemos com este hardware não nos faz sentir a falta de maior resolução, à custa de nitidez ou capacidade de captação de luz.

As imagens são altamente competentes e encontramos os mesmos modos interessantes de fotografia introduzidos no P8, como os rastos de luz, seguimento de estrelas ou intervalo de tempo. Não é ainda, como a Huawei diz, qualidade SLR, essencialmente porque com os rastos de luz o sensor não está continuamente exposto como numa máquina fotográfica, mas faz vários varrimentos de fracções de segundo que equivalem a várias fotografias sobrepostas que um algoritmo depois procura combinar. É uma solução interessante, algo reminiscente do que a Pentax introduziu com a sua K-3 para suavizar a água sem necessidade de longas exposições, mas ainda deixa zonas de luz descontínua na imagem. O seu potencial criativo, claro, é interessante e tem pernas para andar.

O nosso ponto favorito é no entanto o modo “Pro”, ou “Câmara Profissional” que em linguagem do mortal comum significa que todos os parâmetros são ajustáveis de modo manual, mesmo o foco se assim o desejarmos. A implementação da Huawei desta opção é bastante avançada, mas precisa de alguns ajustes nesta fase. Os ajustes fazem-se por meio de um selector virtual no ecrã, mas não está implementado um feedback táctil. Um “clique” seria muito bem-vindo, mas o maior problema é a área do ecrã que activa uma opção é bastante restrita (ao milímetro), o que dificulta uma selecção rápida do parâmetro: por exemplo, em vez de uma exposição de 1/100, é fácil levantar o dedo e ver a roda deslizar para 1/125 ou 1/80. Pelo contrário o ajuste do foco manual é fantástico, faltando apenas um indicador luminoso do objecto em foco.

Não é algo muito badalado, mas a câmara frontal traz efectivamente um flash LED que duplica como luz multicolor de notificações e destaca-se a possibilidade de ajustarmos este flash em potência, uma implementação rara (inédita) num smartphone.

Finalmente, esperamos ver um futuro suporte para ficheiros RAW, que com esta câmara e este interface é um verdadeiro must.

Experiência de utilização

Com acabamentos em bisel, as laterais têm uma espessura de 2,65mm, criando um perfil muito ergonómico.
Com acabamentos em bisel, as laterais têm uma espessura de 2,65mm, criando um perfil muito ergonómico.

Match point para a Huawei, o design francamente brilhante do Huawei Mate S corresponde, ponto por ponto a uma ergonomia soberba. Ou quase.

Pessoalmente, preferiríamos o selector de volume mais abaixo, tendo em conta das dimensões do dispositivo, mas a suave curvatura traseira, em conjunto com as margens biseladas oferecem uma ergonomia quase sem falhas. Ao longo desta semana viemos cada vez mais a apreciar a excelente localização do sensor de impressões digitais. Há quem o prefira na frente, a Sony reinventou-o na lateral mas, com as dimensões do do Huawei Mate S, a sua posição está invariavelmente na zona ocupada pelo indicador, ainda que não na sua ponta. Claro que a experiência pode variar conforme o tamanho da mão, mas por comparação aos sensores frontais, pelo menos o smartphone está sempre mais firmemente seguro nos dados com o polegar firmemente na lateral.

Depois temos o interface EMUI 3.1. Aqui também a Huawei ofereceu grande controlo aos utilizadores. Além das possibilidades de mistura de temas e animações de origem do Android, temos de raiz amplas opções de temas que incluem mudanças nos ícones, tipo ou tamanho de letra e uma quantidade apreciável de temas online prontos para serem descarregados.

A ligeira curvatura da traseira do Huawei Mate S é ergonomicamente irrepreensível.
A ligeira curvatura da traseira do Huawei Mate S é ergonomicamente irrepreensível.

O Huawei Mate S é bastante responsivo, sem qualquer problema detectado agora quanto a pontos do ecrã que não reagem tão depressa, nem soluços nas transições. O ecrã 2.5D é dos mais confortáveis que alguma vez experimentamos, quanto a nós uma característica destes ecrãs semi-curvos e os rebordos mais extremos também parecem responder bem. O ecrã, de resto, parece ter uma camada oleofóbica que o torna relativamente imune a impressões digitais e sujidade. É algo propenso aos reflexos, uma característica dos OLED, mas tem excepcionais ângulos de visão, muito perto dos 180º sem que tenhamos qualquer problema de visualização. Claro que os tons mais escuros se tornam pretos aparentes, nada inesperado, e tudo somado é dos melhores ecrãs no mercado.

Como equipamento para produtividade, o Huawei Mate S tem grande potencial. Ainda de regresso a Portugal, vindo de Berlim, o autor iniciou aí o os primeiros rascunhos relativamente aos artigos que temos vindo a publicar na Leak. As virtudes do equipamento para profissionais passam pelo ecrã de boas dimensões e elevada qualidade, pouco propenso a cansar a vista, e um teclado de origem muito completo, que traz diversos idiomas prontos e permite escrever documentos complexos com alguma facilidade.

Nesta fase da vida do produto, ainda a cerca de um mês da sua disponibilidade nos escaparates, as implementações estão já muito bem conseguidas, sem bugs visíveis, nem comportamentos estranhos. Existem duas excepções de pouca importância: num caso, o Knuckle Sense parece ser mal interpretado como um toque longo quando o ecrã está activo. Noutro caso, embora o Fingerprint Sense 2.0 esteja preparado para funcionar com dedos húmidos, a sua exactidão é substancialmente menor.

Som e vídeo

Com o seu chip Hi6402, o Huawei Mate S produz som de elevada qualidade.
Com o seu chip Hi6402, o Huawei Mate S produz som de elevada qualidade.

O ecrã de 1080p é muito interessante para entretenimento. O dispositivo passa facilmente vídeos em Full HD sem perturbações e a pixelização não está lá para ser vista. A filmagem de vídeo é bem conseguida e a estabilização óptica faz um bom trabalho, embora os resultados não sejam extraordinários.

Fazendo justiça ao mercado deste dispositivo, a Huawei inclui ainda no pacote alguns dos melhores auriculares disponíveis de raiz com um telemóvel, com uma construção em metal e com um som bastante denso e volumoso, potencialmente ao nível do melhor que já experimentamos. O som é nítido com pouca propensão ao ruído e como dispositivo de chamadas o som é de grande qualidade, tanto na recepção, quanto no envio. O seu único senão é a tendência para escorregarem para fora dos ouvidos, razão pela qual não são os auscultadores com que o autor anda fora de casa e ponto final.

O mérito vai em grande medida para o chip áudio HiSilicon Hi6402 que já equipa o P8, com Smart Amplifier e uma construção com câmara de som integrada. Por seu turno, a app musical está bem construída, e permite organizar facilmente as nossas preferências musicais. Quando em utilização, podemos aceder à app através do ecrã inteligente da smart cover, ou activando a opção de letras no ecrã, um painel semi transparente que se sobrepõe às apps em utilização para um controlo multimédia imediato. O único senão será o vício de tocar músicas aleatoriamente quando chegamos a um álbum na vista vertical e não na vista gráfica horizonal, mas de modo geral, quem gosta de Rock, vai adorar o Mate S.

Quando o HiSilicon Kirin 935 entra em acção

No Antutu, o Huawei Mate S pulveriza a performance do Mate 7 e iguala equipamentos com Snapdragon 810.
No Antutu, o Huawei Mate S pulveriza a performance do Mate 7 e iguala equipamentos com Snapdragon 810.

Actualmente, o HiSilicon Kirin 935 é o processador de topo da Huawei. O fabricante tem trabalhado no duro para evoluir os seus processadores e não depender de produtos de terceiros e, com quatro núcleos a 2.2GHz e 4 a 1.5GHz, o Kirin 935 oferece ganhos sobre o Kirin 930 que não são apenas marginais. Em breve será certamente suplantado pelos Kirin 940 e Kirin 950 baseados numa arquitectura FinFET de 16nm e com o dobro da largura de banda, mas até lá continuará a ser o porta-estandarte da Huawei. As suas limitações encontram-se ao nível da incapacidade para gravação de vídeo 4K (ainda que a utilidade do formato seja duvidosa fora de ecrãs 4K) e na GPU Mali-T628, que já leva 3 anos em cima e começa a mostrar fraquezas face às gerações mais novas.

A combinação do HiSilicon Kirin 935 com a Mali-T628 e 3GB de RAM fica por isso muito perto do topo na maioria dos benchmarks (GeekBench 3, Antutu). A pontuação, algo variável, perde apenas para os poderosos Samsung S6, e embora possamos comprar o Kirin 935 ao Snapdragon 801, a performance em bruto supera alguns equipamentos com o Snapdragon 810, caso do HTC One M9, o que é bastante meritório, já que não traz os problemas de sobreaquecimento consigo.

Com o Kirin 935 a oferecer pontuações 20% mais altas que o Kirin 925, o Huawei Mate S pulveriza o desempenho bruto do seu antecessor e está definitivamente entre os melhores SoC da geração de 2015.

O ecrã em Full HD significa que as fps sofrem algo por comparação a ecrãs de menor resolução, mas os benchmarks valem o que valem e este hardware traduz-se numa excelente capacidade para correr jogos e aplicações pesadas sem soluços.

A soma final é que o Kirin 935 surpreende pela positiva e o Huawei Mate S possui um desempenho muito difícil de igualar.

Duração da bateria

Tendo em conta a potência do processamento e a elevada resolução do ecrã, o ideal seria que a bateria do Huawei Mate S tivesse mais sumo, e ao longo desta semana concluímos que 2700mAh são insuficientes para uma utilização intensiva do equipamento. E por intensiva, não significa jogos pesados horas a fio, mas tarefas normais de produtividade, como navegação Wi-Fi e e-mails, caso em que o Huawei S dura um dia, mas não exactamente 24 horas.

Durante os primeiros dias da nossa experiência, conseguíamos drenar a bateria numa tarde, ao ponto de pensarmos que o nosso exemplar tinha problemas. Com o passar do tempo e um maior conhecimento do equipamento, uma utilização razoável durante dois dias tornou-se possível. O Android Lollipop tem de resto uma excelente implementação de poupança de bateria e convém utilizá-la, utilizando o perfil inteligente que gere melhor a capacidade de processamento e fechando as aplicações que gastarem demasiada memória em segundo plano.

Ainda assim, a bateria é definitivamente o ponto fraco do Huawei Mate S.

Conclusão

As pré-encomendas do Huawei Mate S começam hoje, 15 de Setembro, e nesta fase o que temos a dizer é que este é sem dúvida um dispositivo com características vencedoras. As limitações da GPU e uma bateria demasiado curta podem ser factores impeditivos para alguns, tendo em conta o preço elevado do equipamento, e podem realmente limitar o seu atractivo. Afinal, se realmente puxarmos pelo seu potencial o Huawei Mate S fica sem energia numa tarde.

Mas ninguém lhe tira os méritos incontornáveis, como a capacidade de superar uma grande parte dos equipamentos actualmente no mercado, tornando-se um dos smartphones mais potentes no mercado. Juntamos a isto uma câmara eficaz com implementações inteligentes, soluções interessantes de interface e um Fingerprint Sense vastamente melhorado, e o Huawei Mate S é um renascimento face ao Mate 7, com uma experiência de utilizador totalmente satisfatória.

Estas características chegam-nos finalmente num envelope com design refinado e harmonioso, além de acabamentos de topo, altamente confortáveis para a utilização do dispositivo. Da curvatura traseira, às laterais com apenas 2,65mm (biseis excluídos) e ao ecrã 2.5D, o Huawei Mate S deverá ser dos equipamentos mais confortáveis e ergonómicos no mundo dos smartphones, e isso também vale o investimento extra, por comparação à  mera potência em bruto.

Em última instância, o que verdadeiramente pensamos do Huawei Mate S até agora? Fala por ele o facto de se ter tornado de imediato o nosso telemóvel principal, no qual lidamos com uma boa parte da burocracia diária e profissional. A experiência de utilização que oferece graças ao conforto do toque e desempenho do hardware é praticamente incomparável, colocando-o no topo do mercado, enquanto que no dia em que a versão Force Touch chegar definitivamente ao mercado, este será um equipamento com potencial demolidor face a concorrentes como o iPhone 6s.

Até lá, com o número de componentes “in house”, o Huawei Mate S confirma a Huawei como claro membro de um restrito grupo de fabricantes capazes de autonomamente conceberem e fabricarem um flagship capaz de agitar o mercado.

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