Com tudo a ficar mais caro, e com a inovação tecnológica a andar pela hora da morte, já me questionei várias vezes… Para quê andar a lançar smartphones de topo todo os anos, quando pouco ou nada muda?
Pois bem, para algumas fabricantes isso não é sequer uma questão. Tem de existir um novo lançamento. Mas, para a Nothing, vamos ver uma pausa em 2026. Nada de novo flagship, por opção.
A Nothing decidiu carregar no travão. Pelo menos no que toca a smartphones topo de gama.
Foi o próprio Carl Pei a confirmar que não vai existir um novo flagship da marca em 2026. A justificação é direta e até refrescante num mercado viciado em lançamentos anuais.
- “Não vamos lançar um novo topo de gama só porque sim.”
E, honestamente, custa discordar.
O Phone (3) vai ficar mais tempo em palco

O Nothing Phone (3) correu mal. Isto é inegável. Mas… Vai ser o topo-de-gama da Nothing para 2026. Um pouco à imagem daquilo que aconteceu com o Phone (2) que também teve mais que uma geração nas prateleiras.
A Nothing prefere investir em melhorias por software, otimizações e afinações no modelo atual. A marca admite que os custos de componentes, especialmente memória, continuam elevados, mas também vê aqui uma oportunidade para fazer algo raro no Android.
Tratar um flagship como produto vivo durante mais tempo.
Num mercado onde muitos topos de gama ficam esquecidos poucos meses depois, isto é diferente.
O foco passa para a gama média
Isso não significa que a Nothing vá ficar parada. Pelo contrário. Já está confirmado que a série Nothing Phone (4a) chega nos próximos meses, muito provavelmente com duas versões.
Um modelo base e um modelo Pro, com destaque para:
- câmara com zoom ótico na versão Pro
- melhor proteção contra água e poeiras
- carregamento mais rápido
Ou seja, exatamente onde o consumidor olha hoje com mais atenção. Preço controlado e compromissos mais aceitáveis.
Headphones ganham protagonismo
Outro ponto interessante é o reforço no áudio. A Nothing quer apostar mais forte nos headphones over ear em 2026, um segmento onde já mostrou ter ideias diferentes.
Depois de um primeiro modelo que se destacou num mercado saturado, faz sentido insistir. É um espaço onde ainda há margem para identidade própria, algo que já não é tão fácil nos smartphones.
Uma decisão rara e, talvez, necessária
A Nothing começou como uma marca irreverente, depois entrou numa fase de lançamentos constantes, quase ansiosos. Esta pausa nos flagships parece um regresso à calma e ao foco.
Em suma, menos produtos, mais bem pensados. Menos pressa, mais identidade.
Num mercado onde toda a gente lança tudo, todos os anos, esta decisão pode acabar por ser uma das mais inteligentes que a Nothing já tomou. Pode até vir a ser o “normal” num futuro muito próximo.

