Antigamente, compravas um carro e… bem… era aquilo que tinhas comprado a vida toda. Não existiam mudanças significativas na forma como o utilizavas, porque as peças físicas eram sempre as mesmas e como tal a performance também, e software, a existir, era de muito baixa importância. Hoje em dia? Essa forma de pensar mudou completamente.
Agora, um automóvel pode mudar, evoluir, ganhar funcionalidades (ou perder), ao longo de todo o seu ciclo de vida. Não se dá muita importância a esta mudança de paradigma, porque em Portugal é mais normal comprar carros usados do que novos, mas se calhar é boa ideia começar a dar, porque muda por completo a forma como se lida com um automóvel.
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Um carro é cada vez mais um smartphone. Transforma-se!
Portanto, há alguns meses atrás, escrevi um artigo negativo sobre o facto de os carros terem demasiado software. Isto porque o Class A250e do meu pai perdeu todas as configurações após uma pequena atualização de software. Não foi nada de mais. Qualquer utilizador minimamente apegado à tecnologia conseguia resolver. Mas, para os mais velhos… é um bicho de sete cabeças. (Que eu tive de resolver, claro)
Dito tudo isto, nem tudo é mau. Sim, os carros modernos ganham muitas das dores que a tecnologia trouxe para o nosso dia a dia, mas também trazem muitas das vantagens. E é aqui que a conversa começa a ficar interessante.
Conduzi um Polestar 4 quando este foi lançado, e conduzi o mesmo carro um ano depois. Bem… dizer que é o mesmo carro é errado.
O automóvel recebeu várias atualizações que arrumaram a interface, adicionaram funcionalidades, tornaram a condução mais fluída, e até a câmara 360 recebeu novas animações que de facto ajudam a conduzir, especialmente nos espaços mais apertados.
E isto muda completamente a lógica de “comprar e usar até morrer”. Hoje, compras um carro que não está fechado. Está em constante evolução. Pode melhorar com o tempo, pode ganhar novas funcionalidades, e até pode simplesmente mudar de comportamento.
No fundo, deixas de ser apenas dono de um carro. Passas a ser utilizador de uma plataforma, e isso é de facto muito interessante.
Porém, também levanta várias questões. Quem controla essa evolução? O fabricante? O utilizador? E mais importante… até que ponto é que aquilo que compraste continua realmente a ser teu? Ou o que tu escolheste? Partilha connosco a tua opinião na caixa de comentários em baixo.









