Durante anos, deu para fechar os olhos. A realidade é que a Motorola sempre foi fraca em atualizações. Toda a gente sabia disso, mas existiam outras coisas onde meter os olhos. Bons preços, hardware competente, Android relativamente limpo.
A coisa compensava, e de facto, as atualizações chegavam… Eventualmente. Mas, uma coisa é atualizações atrasadas, outra é não haver atualizações.
Motorola nunca apostou nisto.
Quem compra um smartphone da Motorola já entra no jogo sabendo que vai receber menos updates do que num Samsung ou num Pixel. Dois grandes updates quando muito, patches de segurança com sorte, e tudo sempre a conta-gotas.
Irritante, sim. Mas tolerável enquanto o preço e o hardware equilibravam a balança.
O Moto G17 muda tudo isso.
Zero atualizações de Android. Zero!
O Moto G17 foi lançado discretamente e, em termos de hardware, é aquilo que se espera de um smartphone barato em 2026. Ecrã grande, câmara decente, bateria generosa, desempenho suficiente para o dia a dia. Nada de especial, mas também nada escandaloso.
Mas… O resto é estranho.
Este telefone não vai receber uma única atualização de Android. Zero. Nem uma. Dois anos de patches de segurança e acabou. Pior ainda, chega ao mercado com Android 15, quando o Android 16 já anda cá desde meados de 2025.
Isto não é um acaso. É um decisão estratégica, e claro, um teste ao mercado.
Porquê?
Lançar um smartphone novo com um Android já antigo e assumir à partida que nunca será atualizado é algo que não devia ser aceitável em 2026. Sim, é um equipamento low-cost, e neste segmento, é raro o consumidor que faz sequer ideia da versão do Android que lhe dá vida. É equipamento de 150 euros.
Mas… É estranho! A Motorola já lançou modelos com cinco anos de atualizações. Já prometeu sete anos em gamas mais altas. Ou seja, sabe que o software importa. Simplesmente escolhe não aplicar isso a toda a linha.
O Moto G17 é um sinal perigoso?

Mesmo que este modelo seja um caso isolado, o dano está feito. Mostra que a Motorola continua a ver o software como um detalhe secundário, algo que se corta quando convém.
Um smartphone já não é só hardware. É tudo! É banco, é identidade digital, é acesso a serviços, é segurança. Vender um equipamento sem futuro de software é, no mínimo, estranho.
Conclusão
Se este é o futuro da Motorola nas gamas mais acessíveis, então há um problema sério. Mas teremos de ver como a coisa funciona no mercado primeiro. Porque se vender como sempre vendeu, então a culpa não é da Motorola, é da falta de exigência dos consumidores.

