Já reparaste que o teu carro parece “recusar-se” a passar de uma certa velocidade, por mais que carregues no acelerador? Não é avaria nem coincidência, é o limitador de velocidade a fazer exatamente aquilo para que foi programado. E a forma como ele trabalha é mais interessante (e mais difícil de contornar) do que a maioria das pessoas pensa.
Limitador de velocidade do teu carro: como funciona?
Um limitador de velocidade é o componente que impede o carro de ultrapassar um determinado valor, por razões de segurança. Alguns vêm instalados de fábrica, outros são acrescentados depois por terceiros. Nem todos os carros têm um, sobretudo os modelos mais antigos, mas a maioria dos carros modernos já vem equipado, e na União Europeia é mesmo obrigatório por lei o sistema de Assistência Inteligente à Velocidade (ISA).

Na prática, o limitador está ligado a sensores eletrónicos que comunicam com a unidade de controlo do motor (ECU, o “computador” do carro). Estes sensores monitorizam a tua velocidade constantemente e, assim que atinges o limite definido, cortam ligeiramente a entrada de ar e combustível nos cilindros. Como os carros atuais usam sistemas “throttle-by-wire” (sem cabo físico entre o pedal e o motor), basta ajustar o sinal elétrico para travar a aceleração.
O resultado é praticamente impercetível: podes pisar o acelerador a fundo, mas o carro simplesmente não sobe mais de velocidade. Não há solavancos nem reação brusca — a potência vai-se dissipando até estabilizares no limite permitido.
Às vezes dá para “furar” o limite
Depende do tipo de sistema. Muitos carros têm um limitador que o próprio condutor pode ativar e ajustar, normalmente através de botões no volante com a sigla LIM. Nesse caso, por segurança, é possível ultrapassar temporariamente o limite, basta pisar o pedal a fundo até acionar o “kickdown”, que permite ao carro ignorar o limitador por instantes, útil em manobras de emergência como uma ultrapassagem urgente.
Já os limitadores de velocidade máxima instalados de fábrica são outra história: existem para proteger os pneus e o motor, e não há forma de os contornar apenas com o pedal. O Ford Mustang Dark Horse 2024, a versão mais orientada para pista do modelo, é um bom exemplo, apesar de ter 500 cavalos, a velocidade máxima está eletronicamente limitada a cerca de 270 km/h.
Os limitadores também não são exclusivos de carros a combustão. Os elétricos costumam limitar artificialmente a velocidade máxima através do controlador de potência, mesmo quando o motor teria capacidade para ir mais além, isto ajuda a poupar bateria e a proteger a autonomia. E o fenómeno estende-se ainda a veículos comerciais, de carrinhas de entregas a camiões pesados.
É possível remover o limitador?
Tecnicamente sim, e há quem o faça. O método mais comum é a reprogramação da ECU (chamada “ECU tuning”), em que um especialista reescreve o software da unidade de controlo para ganhar desempenho ou eliminar o limite. Outra opção é um chip de performance, um módulo externo que se liga ao computador de série do motor. Em alguns modelos mais antigos existem ainda truques mecânicos específicos, por exemplo, em certos carros dos anos 90 bastava desligar sensores da caixa de velocidades para que o computador perdesse a leitura das rotações nas mudanças mais altas, deixando o limitador “cego” e inativo.
Mas a questão de saber se deves fazê-lo é diferente. Os limites de fábrica costumam refletir aquilo que o fabricante considera seguro para o motor e para todos os componentes associados. Ultrapassar esse valor em 20 a 30% é arriscar uma falha mecânica séria. Em veículos comerciais, como um autocarro escolar, há ainda barreiras legais que não podem ser contornadas. E, já agora, alterar discretamente o carro também pode fazer disparar o preço do seguro ou, pior, invalidar a apólice em caso de acidente.
E tu, já sentiste o teu carro a “travar-se” sozinho ao chegar a uma certa velocidade?





