Fui convidado a estar presente na AI Everything Cairo 2026, para ficar a par de todas as novidades do mundo da inteligência artificial, nomeadamente no lado do negócio. Uma oportunidade interessante, porque apesar de tantas viagens ao longo destes anos, nunca tinha ido ao Egito.
Por isso, aproveitei o facto de ter conseguido terminar o trabalho um bocadinho mais cedo no segundo e último dia da feira, para pelo menos dar uma vista de olhos às pirâmides. Afinal de contas, como tantos outros como eu na faixa dos 30 anos, cresci a ver os filmes da Múmia, e claro, os bons e velhos Indiana Jones.
O Egito sempre teve aquela aura, aquela magia… Por isso, mesmo indo sozinho, decidi ir à aventura. Pois bem, foi uma experiência peculiar, que nunca mais irei repetir.
Apanhei um Uber no Egito e sobrevivi para contar a história
Portanto, caso não saibas, existe Uber no Egito, o que me deu alguma confiança. Especialmente porque é relativamente barato face ao que temos quase sempre de pagar na Europa.
Ou seja, apesar de ser sempre uma zona complicada, especialmente para turistas não acompanhados, decidi arriscar ir a um local onde é possível ter uma excelente vista das pirâmides. Sim, fui apenas e só para tirar algumas fotos para o Instagram, não me julguem.
A viagem até correu bastante bem até perto das pirâmides, onde o meu condutor encontrou o caminho que a app indicava fechado, por um agente da autoridade que decidiu fechar a entrada 20 minutos mais cedo, de forma a chegar um bocadinho mais cedo a casa.
Foi a partir daqui que tudo começou a correr mal. Vamos por partes.
O meu condutor entrou completamente em parafuso quando percebeu que aquela entrada estava fechada.
Foi para a autoestrada, mas quando o percurso não atualizou, decidiu fazer marcha-atrás, onde bateu de imediato, de lado no separador lateral. Rapidamente voltou a andar para a frente, e claro, voltou a bater com o carro no mesmo separador, no mesmo sítio. Ficou parado durante algum tempo, e admito, como fiquei com a porta bloqueada, pensei que fosse um “golpe” para me prender dentro do carro. Ainda assim, tentei mostrar tranquilidade, ao ficar calmo (e calado).
Entretanto, já irritado, fez a manobra, e aqui sim, conseguiu voltar para a entrada que o GPS dizia ser a correta. Foram perdidos 20 minutos neste vai/não vai.
Quando conseguiu voltar à entrada, gritou com todas as pessoas que por ali passaram, até aparecer um segundo agente que aconselhou a tentar a entrada principal e não aquela. Lá fomos! Pensei eu que o pior já tinha passado. Ingénuo, eu sei.
Quando lá chegámos, não deixaram passar porque a venda de bilhetes já estava encerrada. Curioso! Visto que a informação apontava para um fecho às 17h. Claro que aqui vale a pena salientar que eram 15h55.
Foi a partir daqui que o meu condutor começou a tentar falar comigo, em Árabe claro. Felizmente lembrei-me que tenho um smartphone sempre comigo, e usei o ChatGPT para tentar falar com ele. Para trás e para a frente, disse-lhe que ia modificar a viagem para me levar de volta para o hotel.
A segunda bandeira vermelha apareceu neste exato momento, porque me pediu dinheiro extra, por ter perdido demasiado tempo para chegar até ali. (Como se a culpa fosse minha).
Eu disse que lhe dava um extra no final da viagem, através da app da Uber.
Lá fomos, pensava eu, para o hotel… Estava tão errado!
Antes de prosseguir viagem, fomos meter combustível na viatura. Tudo normal, acontece. Mas, a sair do posto de abastecimento, o condutor entra na estrada de forma completamente absurda, e choca de frente com um motociclo. Foi um choque leve, mas ainda assim frontal.
Saiu do carro novamente desvairado, gritou com o motociclista que não tinha culpa nenhuma, e que prontamente se foi embora porque percebeu que nem valia a pena dizer nada.
No meio de tudo isto, eu não tinha reparado, mas o condutor tinha trocado a app de GPS. Ou seja, em vez de usar a app da Uber, começou a usar o Google Maps, para uma localização completamente diferente daquela que eu tinha escolhido. Isto mesmo tendo em conta que a viagem continuava ativa na plataforma da Uber. Aliás, já tinha recebido várias notificações a perguntar se estava tudo bem. Bem… Foi aqui que comecei a ter um pouco de receio pelo meu bem-estar.
Quando voltámos à estrada, o meu condutor levou-me para a velha cidade do Cairo, como podes ver no vídeo em cima, e entre ruas e ruelas, estacionou o carro num local extremamente estranho. Aliás, podes ver a rua no vídeo, ali bem entre os prédios. No fundo, no meio daquilo que é o Egito a sério, onde a pobreza reina. Aliás, estacionou e desligou a viatura. E claro, disse que a viagem estava terminada.
Foi aqui que me escapou um riso, meio de nervoso, meio de irritado. Tudo isto com uma pitada de receio à mistura. Afinal de contas, estava completamente no meio do nada, com cabras ao lado do carro, naquilo que é o Egito puro e duro.
Por burrice, ou coragem sem sentido, foi também aqui que confrontei o condutor através da tradução do ChatGPT.
- “Eu sei que estás a usar o Google Maps em vez da app da Uber, eu tenho a viagem ativa no meu smartphone, e estamos a 30 minutos de distância do hotel. Estamos aqui a fazer o quê?”
No meio de desculpas como “a Uber está a funcionar mal.” ou “Assim evito caminhos maus.” Decidi que não valia a pena correr mais riscos, e passei a mensagem que lhe pagava um valor justo pelo tempo perdido, assim que estivesse perto do hotel. Isto apenas e só para sair dali. Eu já só queria voltar para o hotel são e salvo.
Depois de mais 45 minutos de viagem, consegui chegar ao hotel. Mas até aqui as coisas foram estranhas. O meu condutor não me quis deixar na entrada no hotel, onde existe segurança, e o carro é revistado. Queria seguir em frente. Eu gritei “stop”, e levantei-me do assento. Felizmente, ele encostou o carro 20 ou 30 metros à frente do hotel.
Peguei em cerca de 20€ que tinha comigo para comprar qualquer coisa para os meus sobrinhos, e dei-lhe. Ele queria mais, mas eu não tinha, nem queria dar nem mais um cêntimo, e puxei o puxador da porta, que felizmente abriu (eu não fazia ideia se estava ou não trancada).
Fui para o hotel a pensar no que raio me tinha acontecido. Um pouco a tremer confesso. A primeira coisa que fiz foi fazer uma denúncia de tudo aquilo que tinha sucedido.
Mas foi isto. Acredito que ao usar a plataforma da Uber, mesmo num sítio mais complicado como este, iria resultar numa experiência digna. Mas não. Não foi, de todo, o que me aconteceu.











