O Renault Twingo está de volta! É um outro lançamento onde a gigante francesa vai buscar alguma magia ao passado, onde consegue, de facto, conjugar nostalgia com design, e até com prazer de condução. Já tivemos o Renault 5, o Renault 4, e agora temos também o Twingo a voltar ao mercado com um design muitíssimo inspirado na sua primeira versão. Aquela que foi também a versão mais popular e bem-sucedida do automóvel.
Dito tudo isto, não aparenta ser um exercício de nostalgia vazio. Pelo contrário. Depois de o conduzir, fiquei com uma ideia muito clara. Esta quarta geração, agora 100% elétrica, é provavelmente a mais lógica de todas, visto que entra num mercado com muito por onde crescer e evoluir.
Que carro é este?
É uma homenagem ao Twingo original, com muita pinta, visto que a Renault decidiu brincar com a memória de muito boa gente. Mas, além do aspeto, que vai com toda a certeza ser um íman de olhares, a realidade é que o carro em si faz mesmo muito sentido, especialmente para quem quer uma solução acessível e de qualidade para percursos citadinos.
Isto porque é preciso ter em conta que aqui não temos um Dacia Spring. É muito mais carro.
Já conduzi o novo Renault Twingo. E faz mais sentido do que nunca
Eu já conhecia bem o Twingo elétrico anterior, por isso a curiosidade aqui era simples. Era conduzir! Seria um novo Renault 5 com alguma dinâmica num carro ainda mais compacto e leve, ou seria um outro Dacia Spring, que tem a grande missão de ser barato? Ou seja, a Renault melhorou realmente o carro, ou limitou-se a trocar a embalagem e a vender a ideia de um regresso icónico? A resposta, felizmente, está mais perto da primeira hipótese.
Logo à primeira vista, apesar de nem ser um dos maiores fãs do design original, a realidade é que este novo Twingo resulta. A Renault voltou a acertar na linguagem visual, como já tinha feito com o Renault 5 e com o Renault 4. Há uma identidade, há referências ao passado, e há até uma fusão entre velho e novo que resulta muito bem.
No final do dia, o Twingo de 2026 continua a parecer um Twingo, mas agora com um ar mais maduro, mais eficiente e mais preparado para os tempos que correm.
Afinal de contas, tem 3.79 metros de comprimento e, por isso, cresceu face ao modelo anterior. Ainda assim, continua claramente a ser um carro de cidade. Nem tenta fingir que é outra coisa, e ainda bem. Curiosamente, mesmo tendo tudo isto em conta, tem um espaço interior que mete inveja a muitos modelos de segmentos acima.
O design é a grande bandeira?
Há pequenos detalhes que ajudam muito a vender o carro. Os faróis têm aquela expressão simpática que encaixa bem no espírito do modelo, há uma linguagem oval repetida em vários pontos da carroçaria e do interior, e a preocupação com a aerodinâmica percebe-se sem grandes dificuldades, o que ajuda, e bastante, na eficiência. Aliás, consegui uma média entre os 11 e 12 kWh por 100 quilómetros percorridos, o que foi… Muito interessante.
Aliás, isto é um ponto importante. Este Twingo não foi pensado apenas para ser bonito. Foi pensado para gastar pouco. Há soluções no exterior que existem precisamente para melhorar o fluxo de ar e cortar consumo. Num elétrico pequeno, com uma bateria igualmente pequena, isto vale muito.
É por isso que, apesar da imagem mais descontraída e até divertida, o carro transmite uma sensação de produto bem estudado.
O interior melhorou (e muito)!
Por dentro, a Renault fez algo que eu valorizo bastante. Em vez de reciclar um interior já conhecido e meter-lhe mais dois ou três truques visuais, optou por criar algo próprio para este carro. O Twingo é… Um Twingo!
Ou seja, o tablier tem personalidade, o ambiente é mais moderno, e há uma tentativa clara de dar ao Twingo uma identidade que o separa do resto da gama. Dito tudo isto, num mercado onde quase todos os interiores começam a parecer versões diferentes da mesma coisa, isto é muito importante.
Mas o mais importante está noutro lado. O espaço atrás melhorou mesmo, e melhorou mais do que eu estava à espera. Sim, o Twingo antigo era um carro que resolvia bem a frente, mas sacrificava demasiado a segunda fila. Aqui já não é bem assim. Continua a ser um quatro lugares, claro, mas já há espaço para dois adultos sem aquele sentimento de compromisso total. Até eu, com 1.90 m, não fico mal sentado atrás do condutor, e nem bato com a cabeça.
Além de tudo isto, a bagageira também cresceu e, finalmente, começa a ficar num ponto mais interessante para a utilização real do dia a dia. Não é um carro feito para grandes aventuras familiares, nem precisa de ser. Mas, se tiveres de levar alguma coisa contigo, também não te deixa na mão.
80 cavalos chegam? Sim. Não precisa de mais.
É inegável que ver um Renault Twingo com menos cavalos do que um Dacia Spring é estranho. Mas… Nunca achei que fosse preciso mais potência.
Sim, é verdade que o Twingo não é, nem nunca quis ser, um portento da performance e da dinâmica. O objetivo é ser despachado e acessível. Mas, não perde o feeling de carro elétrico, 175 Nm de binário, e isso é importante. É um carrinho veloz à sua própria maneira. No fim do dia, é um carro para funcionar bem no dia a dia.
Não, isto não é um pequeno foguetão. Mas se esperavas isto, andavas enganado na vida.
Bateria e consumo. Convence?
Se há coisa que me ficou na cabeça depois deste primeiro contacto, foi a lógica do conjunto. A Renault não tentou fazer milagres com uma bateria gigante, nem caiu na tentação de aumentar tudo só porque sim. O objetivo foi manter o carro leve, eficiente e coerente.
Por isso, temos aqui a primeira bateria LFP do grupo, com 27.5 kWh de capacidade, que por sua vez promete 263 quilómetros de autonomia, WLTP. Não é um número absurdo. Mas… Estamos a falar de um “carrito” do segmento A. Não era suposto ter 400 ou mais quilómetros de autonomia.
Por exemplo, para o meu consumo diário de 120 quilómetros por dia chega e sobra. Teria de carregar todos os dias. Mas, mesmo assim, seria uma poupança muito significativa face ao meu Plug-In atual. Vale ainda a pena comentar que temos carregamento rápido de 50 kW, o que é mais do que suficiente para aquilo que a Renault mete em cima da mesa.
Além disso, a química LFP também traz outra tranquilidade. É uma bateria que aceita uma utilização menos obsessiva, sem aquele medo constante da degradação. Podes carregar a 100% sem o mesmo peso na consciência, e isso para muita gente vale ouro.
É giro de se conduzir?
Sim, é um carro afinado. Continua a ser um carro pequeno, claro, mas absorve melhor e também segura melhor o corpo em curva. É confortável e fiável. É até bastante fácil de prever o que vai fazer em cada momento.
A direção continua leve, como se quer num carro destes, e a sua capacidade de viragem continua a ser um dos seus grandes trunfos. Em cidade, isso faz uma diferença brutal. É daqueles carros que parece sempre à vontade, mesmo quando a rua não ajuda nada.
Não é um kart como o Renault 5, mas… Novamente… Não era esse o objetivo.
O preço é o detalhe que pode fazer toda a diferença?
O novo Twingo arranca nos 19.500 euros antes de descontos e incentivos. Já com IVA. Ou seja, deixa muito rapidamente de ser apenas um elétrico simpático e eficiente. Passa a ser também uma proposta realmente competitiva. Especialmente quando se metem apoios ao barulho, ou se fala de carros para empresas.
É uma proposta que pode, de facto, mudar o jogo no segmento.
Conclusão
O novo Renault Twingo não é o elétrico mais potente, nem o mais tecnológico, nem o mais impressionante da nova vaga de lançamentos. Mas, não é por isso que deixa de ser um dos mais interessantes.
Tem o tamanho certo, o motor certo, a bateria certa e a atitude certa para aquilo que deve ser um verdadeiro carro de cidade em 2026. Talvez não seja o carro indicado para família ou grandes viagens. Mas, como carro secundário, vai meter muita gente em sentido.












