Enquanto a Intel ainda tenta perceber de onde vem o vento e a Samsung continua a suar para conseguir taxas de aproveitamento decentes nas suas linhas de silício mais avançadas, a TSMC não abranda nem um segundo.
Nós ainda agora começámos a ver os primeiros anúncios práticos dos tão badalados chips de 2nm para smartphones e computadores, e os taiwaneses já estão a pensar no que vem a seguir.
Segundo informações que acabam de rebentar na imprensa de Taiwan, a TSMC já deu luz verde à produção-piloto do seu novíssimo processo de 1.4 nanómetros (conhecido na indústria como o nó A14)!
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TSMC já anda a produzir nos 1.4nm. Mais dinheiro…
Portanto, as fábricas de Hsinchu e Taichung já estão a queimar bolachas de teste nas máquinas mais caras do planeta. Com os olhos obviamente postos na produção em massa para 2028. É uma demonstração de força bruta absolutamente aterradora para quem sonhava roubar a liderança a Taiwan!
Ou seja, se a fasquia dos 2nm já parecia quase ficção científica, passar para 1.4nm vai esmagar a física e deixar quem compete com a TSMC com muito pouca margem de manobra para sobreviver!
O que vale este salto para os 1.4nm (A14)?

Reduzir o tamanho dos transístores a este nível microscópico é uma dor de cabeça monumental de engenharia. Onde qualquer átomo fora do sítio estraga uma bolha de silício inteira. Mas os ganhos previstos podem justificar cada cêntimo investido.
Frente ao nó de 2nm, os números impressionam:
- Mais velocidade ou corte radical na bateria: A TSMC estima que o processo A14 entregue entre 10% a 15% de velocidade acrescida com o mesmo consumo de energia, ou então um corte brutal de 25% a 30% no gasto de bateria.
- Densidade estúpida de transístores: O ganho na contagem de transístores por milímetro quadrado vai permitir enfiar placas gráficas e núcleos de processamento brutais em chips mais pequenos, mantendo o aquecimento sob controlo.
- A rampa até 2028: A fase de testes e produção-piloto arranca agora nas fábricas de Hsinchu e na Fab 25 de Taichung para afinar máquinas, laser e químicos. O objetivo oficial é ter as linhas prontas para bombear milhões de processadores em escala comercial em 2028. Isto com uma revisão A13 (mais densa e compatível com as mesmas linhas de montagem) já programada para 2029.
A Apple já está sentada na primeira fila a esfregar as mãos

Não tenhamos ilusões sobre como o mercado funciona: quem tem dinheiro manda.
A Apple reservou quase a totalidade das primeiras linhas de 3nm no passado. Fez exatamente a mesma jogada de bastidores com os 2nm. E podes ter a certeza absoluta de que já tem o talão de cheques em cima da mesa para monopolizar a primeira fornada comercial destes 1.4nm. A TSMC é a melhor, e a Apple gosta de ter a maioria do processo de produção para si. Porque é bom para si, e limita todas as rivais.
Mas, para o resto da indústria, isto é um pesadelo logístico e financeiro. Fabricar a 1.4nm vai custar valores pornográficos por cada bolacha de silício processada. A TSMC sabe que tem a faca e o queijo na mão. Por isso, dita os preços como bem quer. Quem quiser o melhor processador para meter no mercado vai ter de pagar o preço de ouro que os taiwaneses pedirem na fatura.
O fosso para a concorrência nunca foi tão fundo?
O que mais impressiona no meio deste anúncio nem são os ganhos percentuais de rendimento, é a cadência da máquina de Taiwan. Entre os 2nm e os 1.4nm ainda vamos ver passar o patamar intermédio de 1.6nm (A16). Mostrando que o calendário da empresa não falha um único compasso.
A Intel fala há anos em recuperar a liderança dos nós de produção e a Samsung promete mundos e fundos com a sua arquitetura de transístores GAA. Mas, quando chega a hora da verdade, quem mete os chips mais rápidos, frescos e estáveis dentro dos smartphones e computadores reais que compramos nas lojas é sempre a mesma empresa.
Antes de mais nada, o que pensas sobre isto? Achas que esta corrida louca aos nanómetros ainda se traduz em melhorias reais no teu telemóvel do dia a dia? Ou o silício atingiu um patamar onde as melhorias servem apenas para justificar topos de gama cada vez mais caros nas lojas?








