Quem anda por Lisboa já sabe ao que vai, e de facto, já nem é só por Lisboa. Estamos a falar de passeios empanturrados de trotinetes atiradas para o chão, veículos a passar a mil à hora a escassos centímetros dos peões e uma sensação generalizada de que a cidade se transformou num parque de obstáculos sem grandes regras.
Pois bem, o Automóvel Clube de Portugal (ACP) cansou-se de pedir por favor e decidiu apontar a artilharia pesada. Mais concretamente, lançou uma petição para exigir um referendo municipal e banir de vez o negócio das trotinetes partilhadas da capital.
Se vai resultar em alguma coisa ou não? Ninguém sabe (provavelmente não). Mas, começam a existir cada vez mais queixas e mal estar.
Trotinetes em Lisboa com os dias contados?

A meta é simples! Juntar 5000 assinaturas de eleitores recenseados no concelho de Lisboa para obrigar a Assembleia Municipal a votar a realização da consulta popular. Depois, a questão fica nas mãos dos próprios Lisboetas. Ou melhor, estes têm de concordam em cortar as pernas a este tipo de exploração assim que as licenças atuais terminarem.
Mais de 5000 acidentes e zero fiscalização: O caos traduzido em números?
De acordo com os dados apresentados pela associação, há mais de 6000 trotinetes partilhadas a circular pelas ruas de Lisboa, o que já resultou em mais de 5000 acidentes desde 2019 e dezenas de feridos graves todos os anos. Só em 2024, a contagem ultrapassou os 1300 acidentes.
O ACP garante que tentou a via do bom senso antes de avançar para a solução radical. Propôs o uso obrigatório de capacete, a exigência de seguro de responsabilidade civil e uma fiscalização a sério nas ruas.
Como nem o Governo nem a Câmara Municipal de Lisboa mexeram um dedo para resolver a vergonha da ocupação dos passeios. A única saída passa por encolher os ombros e correr com as empresas operadoras da cidade.
E a verdade é que Lisboa não seria pioneira neste corte radical. Cidades como Paris e Braga já acabaram com os serviços partilhados, e Bruxelas seguiu exatamente o mesmo caminho. Copenhaga já tem agendado o fim da operação para 2027. Por fim, Madrid optou por esmagar os operadores com regras apertadas, exigindo limites de velocidade severos e capacete obrigatório.







