Ter mais concorrência dentro do mundo bancária é sempre uma boa notícia, especialmente em Portugal em que tudo se mexe tão devagar para dar vantagens aos consumidores. Mas, a tão aplaudida migração da Trade Republic para o IBAN nacional, que prometia simplificar o IRS e dar uma conta corrente a sério, trouxe um “brinde” escondido que está a deixar a comunidade de cabelo em pé.
Enquanto toda a gente festejava o fim da burocracia, a plataforma aproveitou a festa para alterar, de fininho, as regras sobre como guarda o teu dinheiro não investido.
Adeus Fundo de Garantia, olá risco de mercado?

Portanto, vamos tentar evitar preciosismos técnicos aborrecidos. Assim, de forma muito resumida, até agora, o teu dinheiro parado na Trade Republic estava 100% depositado em bancos parceiros gigantes (como o Deutsche Bank ou o Citibank) e protegido pelo Fundo de Garantia de Depósitos até 100 mil euros. Era o porto seguro perfeito para meter o fundo de emergência a render 3%.
Isso mudou! Ou seja, com as novas regras, a Trade Republic passou a definir um limite máximo por cliente (que varia entre os 1000€ e os 15 000€) para o dinheiro que fica guardado sob a forma de depósito bancário tradicional. E o que acontece ao resto do teu capital? Vai parar de forma totalmente automática a fundos de liquidez (os chamados money market funds) geridos por entidades como a BlackRock ou o BNP Paribas.
Assim, embora estes fundos monetários sejam de risco muito baixo, eles não são depósitos bancários. Isto significa, pura e simplesmente, que o valor acima do teu limite pessoal deixa de estar coberto pelo Fundo de Garantia de Depósitos de 100 mil euros.
Se as coisas derem para o torto, o teu dinheiro está salvaguardado como ativo segregado (ações), mas o risco de mercado passou a estar do teu lado. E o pior? Se não aceitares a migração em 60 dias, eles cortam-te os juros.
É o famoso “ou comes ou deitas fora”.
O truque para fugires à rasteira e o efeito Revolut
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Esta jogada não é nova e coloca a Trade Republic exatamente no mesmo campeonato de risco da Trading 212 ou da Revolut com os seus fundos flexíveis. A diferença é que a concorrência sempre assumiu isto de forma mais aberta, enquanto por cá a novidade do IBAN português serviu de cortina de fumo perfeita.
Mas calma, nem tudo são más notícias e há uma forma de dares a volta ao sistema. Se não queres correr a mínima nesga de risco com as tuas poupanças… Já há relatos de utilizadores que conseguiram abrir um ticket de suporte na aplicação a exigir a exclusão total dos Fundos do Mercado Monetário. Ao fazeres isto, a corretora é obrigada a manter 100% do teu saldo não investido nos bancos parceiros! Devolvendo-te a blindagem do fundo de garantia de 100 mil euros. Resta apenas confirmar se esta alteração afeta ou não o pagamento dos juros, algo que o suporte ainda está a esclarecer.
A lição que tiramos daqui é a do costume. Ou seja, em tecnologia e finanças, quando a esmola é muita, o pobre tem mesmo de desconfiar. E claro, lê sempre os PDFs anexos antes de clicar no botão “Aceitar”.







