O Toyota bZ4X foi o primeiro verdadeiro elétrico da marca com plataforma dedicada. Ou seja, em 2022 marcou o arranque daquilo que seria uma Toyota finalmente interessada a sério no mundo elétrico.
Mas temos de ser muito honestos, o primeiro elétrico foi apenas um primeiro passo para perceber o que de facto tem de ser feito no mercado. Dito isto, em 2026 já não chega apenas existir. É preciso oferecer um produto realmente apelativo, e isso significava ter de evoluir perante o que já tinha sido feito. E foi exatamente isso que a Toyota fez.
Três anos depois do lançamento, o bZ4X regressa com melhorias onde realmente interessa. Não tanto no design, mas naquilo que define um elétrico nos dias de hoje. Ou seja, bateria, autonomia, potência e carregamento.
Por fora muda pouco. Mas por dentro… já é outra conversa!
Visualmente, as diferenças são subtis. O bZ4X continua a ser um bZ4X. Ou seja, continua a apostar numa imagem moderna, com linhas vincadas e uma presença forte na estrada. Ainda assim, há pequenos ajustes que o tornam mais refinado e com melhor eficiência aerodinâmica, algo que se nota durante a condução.
De facto, sempre senti que o primeiro bZ era um produto inacabado, mas com potencial. Agora estamos de facto a chegar a algum lado, e ainda bem. Porque a Toyota é muitas vezes acusada de fugir aos elétricos, mas isso não é verdade. Aliás, na minha opinião, a Toyota é das marcas que melhor está a “jogar” o jogo, ao apresentar alternativas para tudo e todos.
Voltando ao carro, é lá dentro que se nota mais evolução. O painel de instrumentos foi reposicionado para ficar mais alinhado com o campo de visão, o ecrã central está mais elevado e a nova consola central, agora chamada de “ilha digital”, está mais baixa e mais prática.
Além disso, temos agora dois carregadores sem fios e uma melhoria geral nos materiais. Não é uma revolução, mas é claramente algo superior ao que já existia. Continua a não ser referência absoluta no segmento, mas já não desilude como antes.
Mais potência, mais autonomia… finalmente!

Entretanto, na motorização, a grande evolução está no sistema elétrico. A Toyota afinou tudo, e isso nota-se imediatamente nos números e na experiência ao volante.
A versão de entrada chega com 167 cv, uma bateria de 57.7 kWh e uma autonomia capaz de ir até aos 442 km. Já a versão mais interessante sobe para 224 cv, com uma bateria de 63.1 kWh e uma autonomia que pode chegar aos 579 km.
Ou seja, finalmente começa a entrar nos valores que o mercado exige em 2026. Isto é especialmente verdade porque são números “reais”.
Continua confortável, mas agora também é mais competente
Ao volante, aquilo que já era bom continua lá. O conforto, a estabilidade e a facilidade de condução continuam a ser pontos fortes deste modelo. Porém, agora há mais resposta, mais confiança e uma sensação geral de produto afinado. Não é um carro desportivo, nem quer ser. Aliás, é muito difícil criar um elétrico desportivo, porque normalmente são SUVs grandes e pesados, e a Toyota não gosta de se meter em projetos sem vitória à vista.
Mas já não é apenas um elétrico competente. Começa a ter mais personalidade.
No fundo, era isto que faltava?
O bZ4X original foi importante para a Toyota, mas chegou um pouco verde para um mercado que já estava a crescer e a maturar. Esta atualização muda isso. Porém, o facto de a Toyota ter uma estratégia elétrica com carros que são bZ e outros que não são acaba por confundir o mercado, como se vê no exemplo do novo C-HR+.
Ainda assim, mais autonomia, mais potência e uma experiência mais refinada fazem deste modelo algo muito mais competitivo e, por isso mesmo, finalmente interessante. Falta perceber o posicionamento de preço em Portugal, porque isso pode ditar todo o seu sucesso.










