Já todos passamos por aquele momento em que a bateria do nosso smartphone não está a durar tanto quanto quereríamos e quando comentamos o problema com alguém, muitas vezes a resposta é: quantas apps tens abertas?

Eis portanto que a primeira coisa que fazemos é livrar-nos das aplicações abertas, e se dermos ouvidos às pessoas erradas até investiremos em optimizadores de memória, que prometem limpar a RAM de apps e com isso aumentar a velocidade do nosso dispositivo e poupar bateria. Mas como o Bruno mostrou recentemente, gestores de memória não dão os resultados que prometem. Então, fechar apps poupa ou não a nossa bateria?

A resposta é que, na maioria dos casos, ter apps em segundo plano não afecta negativamente a bateria e ajuda mesmo a poupá-la. Se quiser compreender porquê, e encontrar alguns truques para maximizar a bateria, continue a ler.

O que é a RAM e para que serve

A Samsung é das principais fornecedoras de RAM na indústria móvel.
A Samsung é das principais fornecedoras de RAM na indústria móvel.

Na sua definição mais simples, a RAM serve de ponte entre o processador e o armazenamento final dos ficheiros, pois tipicamente a capacidade de escrita/leitura de um HDD não é suficiente para acompanhar o fluxo de informação necessário às operações do processador. A informação necessária à execução de um qualquer programa é por isso mantida na memória RAM, onde o acesso é mais rápido e pronto.

Assim, quando compomos um texto ou trabalhamos numa imagem, os dados ficam primeiro na RAM onde são rapidamente acedidos, e passam para o disco quando guardamos o ficheiro, ou em pontos de salvaguarda periódicos. Sem a RAM, todo o processo de recuperação e escrita de dados seria bastante mais lento, tal como acontece quando a memória RAM se esgota e o computador usa o disco como memória extra.

Com a chegada dos discos Solid State Drive (SSD), as velocidades de acesso aos dados aumentaram acima do que qualquer HDD poderia esperar, e há mesmo quem procure utilizar os SSD como RAM. No entanto a RAM aposta na velocidade de acesso e durabilidade, à custa de armazenamento volátil. Os SSD, pelo contrário, devem armazenar dados permanentemente e por isso estão sujeitos a desgaste; o número de acessos exigidos por operações RAM iria simplesmente encurtar-lhes inaceitavelmente a duração.

Portanto, quanto mais e mais rápida RAM tivermos disponível, mais rápida será a execução de tarefas no nosso computador ou smartphone. Seria de pensar por isso, que quanto mais RAM tivermos livre no nosso telemóvel, mais rápido ele será, e mais bateria poupará, mas o efeito é mais frequentemente o oposto.

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Porque é que muitas apps na RAM não é uma má coisa

Tanto o Android, quanto o iOS têm o hábito de manterem na memória todas as apps abertas, até as fecharmos manualmente ou ficarmos sem RAM e as apps menos prioritárias serem fechadas automaticamente. Isto não é um problema. Ambos os sistemas operativos foram desenhados para fazer isso mesmo, e com boa razão.

Quando uma app passa para segundo plano, fica essencialmente parada e os seus custos na RAM são mínimos.No entanto, quando quisermos aceder-lhes, estarão imediatamente disponíveis.

Podemos dar como exemplo o Huawei Mate S do autor, que com 3GB de RAM é um telemóvel do qual não se espera que encrave. Com 24 apps abertas, incluindo ferramentas do Office, jogos (Real Racing 3 e Dead Effect), serviços de e-mail e apps de redes sociais (Instagram, Twitter e Facebook), o sistema mostra-nos 1,51GB de RAM livres. Meu Deus, é melhor limpar isto tudo, certo?

Voilá, limpamos a memória RAM e recuperamos exactamente… 37MB.

Não só o ganho em memória livre não é interessante, como não justifica o problema que acabamos de criar: cada uma das apps fechadas terá de ser aberta de raiz pelo sistema, o que não só é mais moroso, como consome mais recursos de RAM e processador. Efectivamente, após três apps abertas, a RAM disponível era ainda menor, e assim ficou até a permanência das apps em segundo plano as limpar.

É por esta razão que, na generalidade das situações, manter as apps mais frequentes em segundo plano não só não consome mais bateria, como não torna o telemóvel mais lento. Pelo contrário, abrir e fechar por completo apps, solicita mais o processador e tem um custo elevado na bateria. Mas a resposta depende também de que apps falamos.

Quando é que esta afirmação não é verdade?

Bom, existem sempre cenários em que o melhor é mesmo fechar todas as aplicações, nomeadamente quando a bateria está mesmo fraca e tudo conta.

Há alguns anos atrás, quando a RAM era escassa, a nossa resposta poderia ser diferente. Com RAM limitada, existe um trabalho extra de eliminar de lá apps de baixa prioridade quando a memória enche. Hoje em dia é diferente: inclusivamente as apps estão melhor codificadas e purgam mais eficientemente a memória quando estão em segundo lugar, deixando menos dados perdidos e ocupando menos recursos.

Algumas apps, no entanto, são marotas em segundo plano e estão constantemente a despertar o telemóvel da sua suspensão à procura de actualizações, mensagens novas, ou a notificar o utilizador. Os piores casos são os jogos, as apps de mensagens e a lojas de apps como a Google Play Store.

É fácil perceber que as apps de mensagens existem apenas para que tenhamos mensagens a tempo e horas e por isso enviam uma grande quantidade de sinais para a rede à procura de “novidades”, enquanto as app stores estão à procura de actualizações para as apps instaladas.

Poupar a bateria com estas apps pode por isso exigir que as fechemos simplesmente, ou limitemos de modo mais duro o seu acesso.

Como poupar bateria, limitando as apps em segundo plano.

A opção mais óbvia é restringir os dados em segundo plano, o que impedirá estas apps de acederem à rede móvel  em busca de informação.

No caso do Windows é fácil. Basta ir às Definições, Sistema, e encontrar o gestor de bateria. Aí, em “utilização de bateria”, encontraremos a opção para alterar as definições das apps em segundo plano, escolhendo quais podem receber informação, enviar notificações, etc. Como desactivar estas trocas de dados efectivamente impede as apps de receber actualizações ou mensagens, podemos igualmente adicioná-las a uma lista de exclusão da poupança de bateria.

No caso do Android continua a ser relativamente fácil, mas a diversidade de skins pode gerar confusão. Tipicamente, os dados em segundo plano podem ser encontrados no separador das redes, qualquer que seja o seu nome, e depois na gestão/tráfego de dados. No caso do Huawei Mate S e outros dispositivos Huawei teremos de ir a “Aplicações em Rede” e e finalmente pressionar a roda dentada das definições para activar a restrição de dados em segundo plano.

No caso do Aquaris A4.5 com Android One ou do Asus ZenFone 2, com Lollipop, o processo passa por ir ao separador de redes, “Utilização de dados” e depois activar a restrição no menu no canto superior direito.

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Gerir a rede Wi-Fi

Mesmo que estejam em segundo plano com dados móveis limitados, as apps podem utilizar a rede Wi-Fi. A própria ligação Wi-Fi gasta bateria, pelo que em telemóveis Android podemos ir às definições avançadas da rede Wi-Fi e permitir que a rede se desligue quando o telemóvel entre em suspensão, e impedir que os serviços de localização procurem redes, mesmo estando o Wi-Fi desligado, o que elimina um gasto de bateria silencioso.

Desactivar notificações

Ora o facto de termos as redes desactivadas não significa que algumas apps não continuem a procurar informações e a acordar o telemóvel com notificações. Por isso o melhor é desactivá-las, mas não há um modo fácil de o fazer: cada app tem de ser gerida individualmente. Podemos aceder às aplicações a partir do menu “dispositivo” das definições onde encontramos as aplicações, ou no caso do Huawei Mate S, a partir de definições>aplicações>gerir aplicações.

Utilizar o gestor de bateria

O gestor de bateria pode ser mais ou menos avançado, dependendo do dispositivo. Por exemplo, no caso do Huawei Mate S, o separador “Economia da Bateria” permite suspender os dados móveis quando o ecrã desliga, mesmo que não estejam restringidos em segundo plano. Encontramos igualmente as “aplicações protegidas”, aplicações que não são congeladas com a suspensão.

A diferença é que quando as apps não estão protegidas, entram num estado mais profundo de hibernação. Por exemplo, quando um browser está protegido, quando desligamos o ecrã, a página em que estamos permanece carregada. Se o browser não está protegido, teremos de voltar a carregar a página. O mesmo é válido para os jogos: quando estão nas aplicações protegidas, não perdemos o ponto/menu em que nos encontrávamos só porque saímos da app e desligamos o ecrã, isto em detrimento da bateria.

Conclusão

Portanto já sabe: se as apps que tem na memória são frequentemente utilizadas, o melhor é deixá-las lá, onde a disponibilidade imediata puxa menos pelo processador e bateria. No entanto, no caso de apps específicas que procuram frequentemente actualizações, mesmo quando a rede está desligada, é necessário adoptar medidas específicas de bloqueio dos seus comportamentos.

Para descobrirem mais formas de poupar na bateria, não se esqueçam de ler o artigo do Bruno Fonseca.

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