Sou muito honesto, eu já vivo a minha vida com a ideia de que tudo está muito atento ao que eu faço no meu dia-a-dia. Não porque alguém me está a espiar, mas sim porque os serviços atuais dependem de informação para melhorar e de facto oferecer funcionalidades interessants para o meu dia-a-dia. Mas, eu estou bem com isso. Se o facto de um serviço saber que eu me levanto de manhã, vou ao WC, e bebo um café com leite melhora a minha vida, por amor de deus, guardem essas informações todas.
Dito isto, é muito óbvio que a captura de informação é muito limitada, e como é ainda mais óbvio, nenhuma fabricante de renome se iria arriscar a ser “apanhada” na curva. Muito menos a LG.
Televisões LG andam mesmo a espiar os clientes?

Lembras-te daquele tempo em que uma televisão servia apenas para sintonizar canais, ligar a consola e ver um filme sem nos preocuparmos se o ecrã na sala estava a cuscar a nossa vida privada? Pois é, esses dias já estão longe há muito. Hoje em dia, comprar uma Smart TV topo de gama significa meter um computador gigante com microfones, câmaras e dezenas de rastreadores de publicidade no meio da casa.
E de facto, quando o assunto envolve segurança e privacidade, o que não falta são esqueletos a cair do armário. O alvo do momento é a LG, na sequência de uma investigação técnica que está a deixar a comunidade tecnológica em polvorosa.
Mais concretamente, o canal Gamers Nexus, em colaboração estreita com a malta do Level1Techs, publicou um vídeo detalhado de quase duas horas onde demonstra que alguns televisores da gigante sul-coreana podem ser explorados por atacantes para gravar conversas em tempo real. Isto mesmo quando o utilizador pensa que desligou o microfone nas definições.
Entretanto, a LG já veio a público negar tudo a pés juntos, mas… O mal está feito.
Man-in-the-middle e publicidade: Onde nasce a vulnerabilidade?

Na demonstração prática, feita num modelo topo de gama LG G5, os investigadores conseguiram montar um ataque do tipo man-in-the-middle (interceção de tráfego entre a TV e a rede). A grande falha parece estar enraizada na funcionalidade de Reconhecimento Automático de Conteúdo (ACR), o tal sistema que analisa constantemente o que estás a ver para alimentar algoritmos de anúncios direcionados.
Segundo o teste independente, a vulnerabilidade conta com:
- Microfone sempre ativo: Mesmo desativando o microfone no menu do sistema, um atacante com controlo sobre o dispositivo conseguiu aceder ao áudio ambiente da divisão.
- Fontes externas comprometidas: A falha permite puxar som através de portas HDMI ou de webcams ligadas por USB.
- Espionagem na rede local: O televisor comprometido conseguiu identificar e recolher endereços IP de outros dispositivos ligados ao mesmo router, mesmo que estes nunca tenham tido qualquer ligação direta com a TV.
Para piorar o cenário, os investigadores alegam que o aparelho era capaz de continuar a registar amostras de áudio localmente mesmo quando a ligação à internet era cortada. Preparando os dados para envio posterior assim que a rede voltasse a estar disponível.
A resposta da LG: “Não é verdade!”

Perante a tempestade mediática e os milhões de visualizações que o vídeo gerou em poucas horas… A LG apressou-se a emitir um comunicado à imprensa internacional. Obviamente a desmentir categoricamente as acusações.
Ou seja, a fabricante garante que o áudio só é processado nos seus servidores quando o utilizador carrega ativamente no botão de voz do comando Magic Remote. Ou quando utiliza a palavra-passe de ativação (wake-word).
A empresa sublinha ainda que qualquer deteção acidental de voz é analisada localmente pelo processador do televisor e eliminada de imediato sem nunca sair da máquina. Só que a confiança dos consumidores já está muito desgastada.
Esta não é, nem de perto, a primeira vez que a indústria das televisões inteligentes é apanhada em curvas perigosas. E como tal, não é fácil limpar a imagem no que toca à recolha de dados sem consentimento explícito.
E agora? Estás com medo? O que podes fazer?
Para quem tem uma Smart TV ligada à internet e preza o mínimo de privacidade dentro de quatro paredes… A recomendação mais conservadora que circula entre os especialistas é direta. Ou seja, desligar os recursos de reconhecimento automático de anúncios. Desativar os assistentes de escuta contínua. Ou, no limite, cortar o acesso do televisor à rede Wi-Fi e utilizar uma box de streaming dedicada.
Em suma, é o que é. Nos dias que correm, as marcas querem transformar a nossa sala num entreposto de dados publicitários a todo o custo. Agora? Cabe-nos a nós decidir até onde estamos dispostos a abrir a porta. Antes de mais nada, partilha connosco a tua opinião na caixa de comentários em baixo.






