A ideia de que o Facebook, a Meta ou o Instagram estão sempre a ouvir as nossas conversas para depois nos atirarem anúncios certeiros já é quase um clássico das teorias de conspiração digitais.
Mas, sejamos honestos, quase toda a gente já teve aquela experiência estranha: fala-se de algo ao jantar e, no dia seguinte, aparece um anúncio no feed. Coincidência? Elas existem, mas não a este nível.
Entretanto, Adam Mosseri, o chefe do Instagram, veio mais uma vez negar tudo para quem quisesse ouvir. Segundo ele, a app não usa o microfone do seu smartphone em segredo, porque isso não só seria uma invasão brutal de privacidade, como também drenaria a bateria, e claro, até ativaria a luz de utilização do microfone.
Porque é que continua a parecer que nos estão a espiar?
Mosseri deu quatro explicações muito mais banais:
- Pesquisou antes e esqueceu-se. Visitou o site ou procurou o produto antes da conversa e já estava na mira dos anúncios.
- Partilha de dados entre empresas. Os anunciantes comunicam diretamente com o Instagram e outras redes para “seguir” quem visitou os seus sites.
- Interesses cruzados. A Meta mostra anúncios com base no que os seus amigos veem ou no que pessoas com perfis semelhantes ao seu procuram.
- Sugestão subliminar. Pode já ter visto o anúncio antes da conversa, sem reparar, e isso ficou gravado no subconsciente.
Além de tudo isto, há sempre o fator coincidência.
O detalhe que levanta sobrancelhas?
Apesar das garantias de que não usam o microfone, a própria Meta anunciou recentemente que vai passar a usar as conversas com o seu assistente de IA para personalizar anúncios.
Ou seja, talvez não precisem de ouvir em segredo… porque já estamos a falar diretamente com a tecnologia deles.
O debate não é novo.
Em 2018, Mark Zuckerberg teve até de negar a prática perante o Congresso norte-americano no auge do escândalo Cambridge Analytica. Entretanto, em 2023, uma apresentação da Cox Media Group chegou a insinuar que existiam programas de “escuta ativa”, envolvendo empresas como Google e Meta. Ambas negaram.
No fim do dia, a sensação de sermos observados pode nunca desaparecer. Porque, microfone ou não, a quantidade de dados que já damos às plataformas chega e sobra para que elas saibam de mais sobre nós do que aquilo que gostaríamos.
Agora a questão é se você está bem com isso ou não. Pessoalmente, podem saber o que quiserem. Desde que as coisas me apareçam à frente sem eu ter de fazer nada por isso, está ótimo. No grande esquemas das coisas, eu não sou ninguém para uma gigantesca empresa querer saber o que digo, ou o que faço, no meu dia-a-dia.













