Como deves imaginar, a resolução 4K é tudo menos uma grandiosa novidade nos tempos que correm. Até já temos TVs com esta resolução no mercado por pouco mais de 100€ ou 200€, como podes ver aqui. Por isso, é normal dizer que as TVs 8K eram para ser o próximo grande salto, de forma a levar a tecnologia a um nível completamente diferente. Mais resolução, mais detalhe, no fundo, mais futuro. O problema é que o futuro chegou… e ninguém quis saber.
Sim, é verdade que, durante alguns anos, as marcas tentaram vender a ideia de que 8K era o passo seguinte ao 4K. Soava bem no papel, e ainda melhor numa feira de tecnologia. Mas a realidade do lado do consumidor foi sempre muito diferente.
É um dos raros casos em que uma tecnologia chegou demasiado cedo ao mercado, e como tal, teve de voltar para trás.
Mais pixels? Sim! Mas quase ninguém vê a diferença
Este é o primeiro grande problema do 8K. Sim, tem muito mais resolução que o 4K. Até porque, apesar de 8 ser o dobro de 4, a diferença no número de píxeis não é uma simples duplicação. A resolução 8K é 4x superior ao 4K!
Mas, na prática, a esmagadora maioria das pessoas não se senta perto o suficiente da TV para notar uma diferença realmente relevante. Ou seja, estamos a falar de um upgrade que existe mais na ficha técnica do que na sala de estar.
Foi exatamente isso que matou grande parte do entusiasmo inicial. Porque uma coisa é subir de HD Ready ou Full HD para 4K. A diferença é clara. Outra, completamente diferente, é ir de 4K para 8K, com tamanhos normais de televisão e distâncias normais de utilização.
E depois há outro detalhe… não há conteúdo!
Este é ainda mais grave que o primeiro. O 8K chegou ao mercado sem ecossistema. Sem filmes, sem séries, sem streaming, sem Blu-ray, sem nada que realmente justificasse a compra. As plataformas nunca quiseram tocar no tema a sério, porque transmitir 8K é caro, pesado e pouco eficiente.
Ou seja, se já é preciso muita largura de banda para 4K, imagina para 8K. Ninguém quer pagar essa conta para servir um formato que quase ninguém usa.
Por isso, as próprias marcas começaram a fugir!
Quando as marcas começam a abandonar um segmento, a mensagem fica muito clara. A TCL travou a aposta em 8K há já algum tempo. A Sony saiu de cena em 2025. A LG fez o mesmo em 2026. Resultado? A Samsung ficou praticamente sozinha a fingir que isto ainda tem futuro.
Mas não tem.
É curioso, mas o 8K morreu pela mesma razão que o 3D
Era uma ideia gira. Impressionava em demonstrações. Fazia barulho em eventos. Mas nunca resolveu um problema real para o consumidor comum. Aliás, se formos muito honestos, o 8K foi sempre uma resposta a uma pergunta que quase ninguém fez.
E quando um produto é mais caro, não tem conteúdo e não melhora verdadeiramente a experiência… o destino está traçado.






