Tu olhas para o teu smartphone no dia a dia e a sensação é de estares a viver em pleno filme de ficção científica. Afinal, abres a aplicação do teu banco em meio segundo com a leitura da cara ou do dedo, fazes uma transferência imediata por MB Way, compras um bilhete de avião com dois toques no ecrã e vês as notificações a cair no relógio em tempo real.
Tudo parece ultra-moderno, polido, desenhado com as linguagens de programação mais recentes e cheio de chavões sobre inteligência artificial e nuvem.
Mas… O mundo real, aquele que quase nunca vês, está bastante longe desta realidade.
Tecnologia moderna em todo o lado? Não. Muito longe disso!

Há um segredinho sujo que a indústria tecnológica tenta esconder a todo o custo debaixo do tapete.
Se puxares um bocadinho a cortina desse design bonito e fores ver o que está a correr nos bastidores das maiores infraestruturas do planeta, o cenário não é moderno. De facto, é um autêntico museu dos horrores jurássico!
Há bancos que movem triliões de euros a depender de código COBOL dos anos 60, hospitais e governos colados a máquinas de fax, linhas de montagem milionárias controladas por computadores com Windows 95 e sistemas de aviação que ainda atualizam dados críticos com… disquetes de 3.5 polegadas! Se a malta soubesse o que realmente segura o mundo digital, ninguém dormia descansado à noite!
Uma discussão recente numa comunidade de entusiastas e profissionais de TI puxou o fio à meada sobre as tecnologias com décadas de vida que continuam a segurar indústrias inteiras. E a conclusão é assustadora. Falar em tecnologia com 20 anos é ser incrivelmente meigo. Para muitos setores vitais, coisas do início dos anos 2000 são vistas praticamente como “novidade acabada de sair da caixa”.
O maior problema está nos bancos!

O caso mais gritante, e aquele com que lidamos todos os dias sem sonhar, é o sistema financeiro internacional.
Toda a gente adora a estética limpa das fintechs e das apps bancárias modernas. Mas aquilo é apenas uma camada cosmética (o chamado front-end). Quando a transação financeira tem de ser efetivamente validada e registada, a magia acaba e entramos nos anos 60 ou 70:
- O império imortal do COBOL e da IBM: A esmagadora maioria dos grandes bancos mundiais continua a processar o grosso das suas operações em mainframes gigantescos da IBM a correr rotinas escritas em COBOL (uma linguagem de programação criada em 1959!). Há programadores com mais de 70 anos a serem arrancados da reforma a peso de ouro porque os bancos já não encontram ninguém jovem que perceba como alterar uma vírgula naquele código sem mandar a base de dados abaixo.
- Se funciona… Não se mexe! Várias instituições já tentaram migrar para sistemas modernos. Quase todas falharam ou gastaram centenas de milhões de euros em projetos que duram há 15 anos sem conclusão à vista. Porquê? Porque aquele código velho, por mais arcaico que seja, já foi testado triliões de vezes. É sólido como uma rocha.
Aviação, comboios e hospitais. É assustador!

Se achas que o caricato fica pelos bancos, há mais exemplos.
- Controlo aéreo e reservas dos anos 60: Os sistemas que gerem as reservas da aviação comercial mundial (como o velhinho SABRE) assentam em arquiteturas desenhadas há mais de meio século. Pior! Há frotas inteiras de aviões comerciais onde as atualizações críticas das bases de dados de navegação ainda são feitas manualmente com disquetes inseridas na cabine dos pilotos pelos técnicos de manutenção.
- A praga do papel e do Fax na saúde: Em pleno século XXI, hospitais e seguradoras médicas nos países mais ricos do mundo continuam absolutamente viciados no aparelho de fax. A desculpa é sempre a mesma… Leis antigas de proteção de dados e enquadramento jurídico que consideram a linha telefónica ponto-a-ponto como o único canal legalmente inviolável. Enquanto isso, prontuários andam a ser impressos e digitalizados à mão como se estivéssemos em 1988.
- Fábricas e CNCs agarradas ao Windows 98: Entra numa fábrica de componentes automóveis, semicondutores ou metalomecânica pesada. Vais encontrar máquinas de corte a laser ou CNC que custaram meio milhão de euros a serem operadas por computadores com MS-DOS ou Windows 95/98. Como a máquina física dura 30 ou 40 anos e a placa controladora só fala com aquele sistema operativo específico. Por isso, as empresas mantêm computadores pré-históricos ligados à corrente ( isolados da internet para não apanharem vírus) a rezar todos os dias para que o disco rígido IDE não entregue a alma ao criador.
Nem tudo tem de ser o último grito!
Nós vivemos na ilusão de que o mundo avança a um ritmo alucinante só porque a Apple lança um telemóvel novo todos os anos e a indústria nos tenta convencer de que precisamos de Inteligência Artificial até na máquina de lavar a loiça. Mas isso é a bolha do consumo.
No mundo real, onde as coisas realmente importam, energia, transportes, água, defesa e finanças, a estabilidade bate a novidade dez a zero.
O problema é que esta teimosia tem um prazo de validade. Eventualmente a evolução também tem de chegar aqui. De facto, estamos a esticar a corda ao limite, a colar remendos de segurança modernos em cima de sistemas que foram concebidos antes do fim da guerra fria.
Antes de mais nada, o que pensas sobre isto? No teu trabalho ou no teu dia a dia ainda tropeças em programas pré-históricos? Como Sistemas em DOS ou máquinas a correr Windows antigo? Ou vives num ambiente 100% modernizado?








