Quando pensamos em poupar na fatura da eletricidade, lembramo-nos logo de desligar luzes ou comprar aparelhos mais eficientes. Mas há duas mudanças que não custam nada, não exigem sacrifícios no conforto e que muita gente nunca fez: escolher a tarifa e a potência certas. Fazê-las mal pode significar dezenas de euros a mais por ano e corrigi-las é gratuito.
Tarifa simples, bi-horária ou tri-horária?
Em Portugal existem três tipos de tarifa de eletricidade: a simples (o preço da energia é igual a toda a hora), a bi-horária (mais barata em certas horas, mais cara noutras) e a tri-horária (três períodos de preço).

Na tarifa bi-horária, a eletricidade é mais barata nas horas de vazio, tipicamente durante a noite e ao fim de semana. Se consegues concentrar os consumos mais pesados (máquina de lavar roupa e loiça, secador, carregar o carro elétrico) nesses períodos, podes poupar bastante. Se, pelo contrário, gastas a maior parte da energia durante o dia, a tarifa simples pode sair-te mais barata.
A regra dos 36%
Como saber qual te compensa? A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) dá uma referência prática: a tarifa bi-horária compensa quando pelo menos 36% do teu consumo acontece nas horas de vazio. Abaixo disso, provavelmente estás a pagar a mais e a simples seria melhor.
Para saberes o teu caso, podes consultar o contador inteligente (os códigos 1.18.1, 1.18.2 e 1.18.3 mostram o consumo em cada período) ou usar o simulador da ERSE, que cruza o teu perfil com as tarifas do mercado.
E há uma excelente notícia: desde janeiro de 2026, os clientes domésticos (com potências até 20,7 kVA) podem mudar a opção horária a qualquer momento, sem qualquer período de fidelização. Basta contactar o fornecedor.
A potência contratada: o erro que quase ninguém revê
A segunda mudança é ainda mais esquecida e pode ser a que mais poupa. A potência contratada (aqueles valores como 3,45, 4,6 ou 6,9 kVA no teu contrato) determina uma parte fixa da fatura que pagas todos os meses, independentemente do que consomes. Quanto maior a potência, maior essa parcela fixa.
Muita gente tem uma potência acima do que precisa, muitas vezes por defeito ou por nunca ter revisto o contrato. E baixá-la um escalão pode representar uma poupança de 60 a 100 euros por ano, sem mudar um único hábito.

Como sabes se podes baixar? Se os disjuntores nunca “saltam” quando tens vários aparelhos ligados ao mesmo tempo, é sinal de que provavelmente tens potência a mais. A ERSE tem um simulador de potência que te ajuda a perceber o valor ideal para a tua casa. Se baixares e depois sentires que ficou curto, podes sempre voltar a subir.
Uns minutos que valem dezenas de euros
O melhor destas duas mudanças é que são gratuitas e reversíveis: não compras nada, não instalas nada, e podes voltar atrás se não gostares. Uns minutos a rever a tarifa e a potência do teu contrato, com a ajuda dos simuladores da ERSE podem traduzir-se numa fatura mais leve todos os meses, sobretudo agora que os preços da energia continuam a subir.








