Quase um em cada três utilizadores de Internet na União Europeia paga por filmes, séries ou desporto em streaming. Os dados mais recentes do Eurostat colocam este tipo de entretenimento muito acima das subscrições de notícias e do streaming de jogos.
Durante 2025, 32,7% dos utilizadores europeus de Internet tiveram uma subscrição paga de um serviço de vídeo ou desporto.
A música aparece em segundo lugar, com 23%. Apenas 7,2% pagaram por jornais, revistas ou sites noticiosos, enquanto 6,1% subscreveram serviços de streaming de jogos.
Os números ajudam a explicar por que razão existem cada vez mais plataformas e por que estas continuam a aumentar preços, criar planos co m publicidade e restringir a partilha de contas.
Irlanda e Dinamarca lideram o streaming
A Irlanda é o país com maior adesão entre os destacados pelo Eurostat. Cerca de 63,9% dos utilizadores de Internet pagaram por filmes, séries ou desporto.
A Dinamarca surge logo depois, com 61,1%, seguida pelos Países Baixos, com 59,2%.
No extremo oposto encontra-se a Bulgária, onde apenas 9,3% dos utilizadores possuem este tipo de subscrição. Eslovénia, Letónia e Lituânia também apresentam percentagens abaixo dos 18%.
Estas diferenças não dependem apenas da popularidade da Netflix ou da Disney+. O rendimento disponível, os preços locais, a oferta televisiva, os hábitos de consumo e o acesso a serviços legais influenciam a disposição para pagar.

Os dados não revelam quanto cada pessoa gasta
Os 32,7% não significam que cada utilizador tenha apenas uma subscrição. Uma pessoa pode pagar simultaneamente Netflix, Prime Video, HBO Max, Disney+ e um serviço desportivo.
O Eurostat também alerta que as categorias não devem ser somadas. O mesmo utilizador pode pagar por vídeo, música, notícias e gaming, aparecendo em várias percentagens.
Os dados apresentados não mostram quanto é gasto por mês nem quantas plataformas existem em cada casa. Portanto, não é possível calcular diretamente o valor médio suportado por uma família europeia.
Também não se deve concluir que os restantes 67,3% recorrem a pirataria. Muitos utilizadores vivem em agregados onde outra pessoa paga a subscrição, utilizam serviços gratuitos ou simplesmente não consomem regularmente este tipo de conteúdo.
Porque o vídeo está tão acima das notícias?
As plataformas de vídeo oferecem grandes catálogos e uma utilização partilhada por várias pessoas da mesma casa. Isso facilita a perceção de valor, mesmo quando os preços aumentam.
Nas notícias, grande parte da informação continua a estar disponível gratuitamente através de televisões, rádios, redes sociais e sites financiados por publicidade. Convencer alguém a pagar por um conteúdo que encontra parcialmente noutro lugar é mais difícil.
Ainda assim, a diferença é enorme. Apenas 7,2% dos utilizadores pagam por jornais, revistas ou sites noticiosos. O vídeo consegue uma percentagem mais de quatro vezes superior.
A música também apresenta uma adesão considerável. Serviços como Spotify, Apple Music e YouTube Music beneficiam da utilização diária e da conveniência de reunir milhões de músicas numa só aplicação.
Onde fica Portugal?
O comunicado resumido do Eurostat não destaca a percentagem portuguesa. Para realizar uma comparação rigorosa será necessário consultar diretamente o conjunto estatístico isoc_ec_ibgs e selecionar Portugal.
Não se deve estimar a posição portuguesa com base no número de clientes anunciado pelas plataformas, porque muitas empresas não divulgam subscritores por país. Contas partilhadas e pacotes oferecidos pelas operadoras também dificultam a contagem.

O contexto nacional tem, contudo, particularidades importantes. Algumas subscrições são integradas em pacotes de telecomunicações, enquanto os direitos desportivos continuam divididos entre diferentes operadores e serviços.
O streaming continuará a crescer?
Os dados mostram que pagar por entretenimento digital já é um comportamento comum, mas não garantem crescimento ilimitado.
A fragmentação dos conteúdos obriga os consumidores a escolher entre várias plataformas. Os aumentos de preços e as restrições à partilha podem levar mais pessoas a subscrever apenas durante alguns meses, cancelando depois de verem uma série específica.
Os planos com publicidade procuram resolver esse problema através de preços mais baixos. Para as empresas, criam também uma segunda fonte de receitas.
O resultado é um mercado em que mais pessoas pagam por streaming, mas nem sempre permanecem no mesmo serviço durante todo o ano.
Fonte: dados e metodologia do Eurostat.







