Quando a Valve anunciou a primeira Steam Deck em 2021 e a meteu no mercado no início de 2022, a indústria dos videojogos apanhou um abanão monumental. Acho que ninguém esperava o que aconteceu. O mercado pensava que a Nintendo dominava o mundo das consolas portáteis com a Switch, e uma estratégia muito diferente de todas as outras empresas, e de facto, muito boa gente pensava que o smartphone iria ser a consola de tudo e de todos.
Mas não! A Steam Deck foi um sucesso, e até empurrou muitas outras empresas a lançar consolas portáteis próprias. Basta olhar para a Lenovo, ASUS, MSI, etc… Existem muitas consolas no mercado. Aliás, até as consolas de emulação, que são muito mais simples e baratas que a deck, ganharam muita confiança com o lançamento da Valve.
De facto, eu acredito que este mercado até poderia ser maior, não fossem as sucessivas crises de componentes no mundo dos computadores.
Mas… Vem aí uma sequela à Steam Deck, e como tal, há que implementar mudanças palpáveis para tentar levar este mercado a um outro nível.
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Steam Deck 2: A consola que começou a loucura tem de evoluir!

Portanto, Gabe Newell e a sua equipa provaram aquilo que quase ninguém acreditava ser viável. Era possível ter um PC portátil competente para correr jogos modernos sem obrigar o jogador a vender um rim. Mais tarde, no final de 2023, o modelo OLED afinou a fórmula e trouxe um ecrã muito mais bonito e uma bateria com mais fôlego.
Só que o tempo passa a correr e o mercado não perdoa ninguém! Em pleno ano de 2026, com Asus, Lenovo e MSI a encher as prateleiras de máquinas armadas com chips Ryzen Z2 e ecrãs brutais, a velhinha Steam Deck começa a mostrar rugas evidentes. Por isso, se a Valve quer mesmo lançar um Steam Deck 2 em 2027 para voltar a mandar no recreio, há cinco exigências fundamentais que não pode falhar por nada deste mundo!
O aparelho original foi genial para a sua época com o seu chip Zen 2 e gráfica RDNA 2, mas tentar empurrar jogos pesados a 720p a 30 frames por segundo já sabe a muito pouco quando a concorrência corre a 1080p nativo sem suar tanto. Vamos olhar para o que a Valve tem mesmo de enfiar na nova máquina se não quiser ficar para trás na corrida.
1. Ecrã OLED Full HD (1080p) a 120Hz como padrão absoluto

Esqueçam os 720p ou 800p. Para 2022 serviu perfeitamente como compromisso entre fluidez e autonomia, mas hoje em dia é inaceitável numa máquina de nova geração. O ecrã é o primeiro contacto do jogador com a consola e a Valve tem de subir a parada:
- 1080p é o ponto de equilíbrio perfeito: Não faz sentido enfiar resoluções malucas de 1440p (QHD) num ecrã de sete ou oito polegadas, porque isso é só queimar bateria e afogar o chip gráfico à toa. Um bom painel Full HD (1920×1080) é mais do que suficiente para oferecer uma nitidez fantástica.
- Adeus aos 60Hz e 90Hz: Com a concorrência direta (como as ROG Ally e Legion Go) a padronizar taxas de atualização de 120Hz ou 144Hz há anos, o Steam Deck 2 tem de trazer um painel OLED a 120Hz logo na versão base.
2. Um processador semi-custom da AMD com Zen 4 e RDNA 3.5

A Valve nunca gostou de pegar em processadores genéricos de prateleira e enfiar na carcaça como fazem a Asus ou a Lenovo. Fez silício à medida no Deck original e voltou a fazê-lo recentemente na nova Steam Machine para a sala de estar. O Steam Deck 2 precisa de seguir exatamente essa mesma estratégia de engenharia.
Não podemos esperar consumos de 100 ou 150 watts num aparelho móvel, claro. Mas olhar para a arquitetura de 4 nanómetros da AMD com núcleos Zen 4 (ou Zen 5 eficientes) aliados a uma unidade gráfica RDNA 3.5 com 16 Compute Units e memórias rápidas LPDDR5X é o caminho óbvio. Uma configuração deste género garantiria um salto geracional brutal, permitindo bater facilmente os 60 FPS estáveis em Full HD com consumo contido entre os 15W e os 25W.
3. Preço abaixo dos 1.000 euros (e nada de loucuras elitistas!)
Aqui é que a porca torce o rabo. O mercado dos PCs portáteis enlouqueceu completamente nos últimos dois anos.
Entre a crise estúpida nos preços da memória RAM e a ganância desmedida das marcas, temos hoje aparelhos como o novo ROG Ally X20 ou o MSI Claw 8 EX AI a custar uns pornográficos 1.300€ a quase 1.800€. O formato portátil voltou a transformar-se num nicho para ricos e entusiastas com dinheiro a arder na carteira.
A Valve tem de recordar a razão pela qual vendeu milhões de consolas: o preço acessível.
4. Joysticks TMR e botões mecânicos: Acabem com o drift de vez!

O formato físico do Steam Deck sempre foi muito confortável para as mãos, mas os componentes internos dos comandos acusam a passagem do tempo. Usar potenciómetros tradicionais nos analógicos é um convite a ter problemas de folgas e o famoso “stick drift” ao fim de um ano de uso intenso.
Para a nova geração, a aposta em sensores magnéticos não é um capricho, é uma obrigação:
- Tecnologia TMR (Resistência Magnética por Tunelamento): É superior ao tradicional Hall Effect, gasta menos energia, é mais precisa no registo de micro-movimentos e custa hoje uma fração do que custava há três anos. Acaba com o desgaste físico nos manípulos para sempre.
- Microswitches nos botões: Abandonar as membranas de borracha moles no D-pad e nos botões de ação e trocar por switches táteis estilo rato de computador garante uma resposta imediata e uma durabilidade de muitos anos sem ficarem esponjosos.
5. Bateria monstruosa de 80Wh!
De que serve ter um monstro gráfico nas mãos se a máquina se apaga ao fim de 45 minutos no comboio? A primeira Deck vinha com uma bateria tímida de 40 Wh, que o modelo OLED esticou para os 50 Wh (dando para umas 2 a 3 horas de jogo pesado no mundo real). Só que rivais como o ROG Ally X já enfiaram autênticos tanques de 80 Wh no mesmo espaço físico.
Com os avanços na densidade energética das baterias, a Valve não tem qualquer desculpa para não meter um acumulador de 75 a 80 Wh no interior do Steam Deck 2. Jogar um título exigente no sofá durante 4 ou 5 horas seguidas sem ter o fio do carregador esticado pela sala é a diferença entre um aparelho verdadeiramente portátil e um pisa-papéis de tomada.
O trono está à espera, mas a margem de erro é zero!
A Valve tem a maior vantagem de toda a indústria. Estamos a falar do ecossistema SteamOS, que humilha por completo a experiência horrível e engessada de tentar usar o Windows com os dedos num ecrã tátil. Mas o software sozinho não faz milagres se o hardware adormecer à sombra da bananeira.
Se em 2027 a Valve conseguir meter um ecrã OLED 1080p irrepreensível, joysticks magnéticos que não avariam, poder gráfico moderno e uma autonomia digna desse nome a um preço que o jogador comum consiga pagar, o Steam Deck 2 vai voltar a atropelar tudo e todos. Resta saber se Gabe Newell tem a coragem de voltar a vender barato para vencer à grande.








