Como já dissemos várias vezes na Leak.pt, se andas a pagar mensalidades por serviços de streaming, é boa ideia ter noção daquilo que realmente estás a conseguir obter com o dinheiro gasto.
Dito isto, p Spotify finalmente introduziu o streaming sem perdas (lossless) para os subscritores Premium, prometendo aos utilizadores aquela fidelidade de estúdio que a Apple Music e o Tidal já esfregavam na cara da concorrência há anos. Mas a realidade do dia a dia é muito diferente do marketing. Ou seja, só porque o serviço é capaz de debitar um som brutal. Não quer dizer que seja isso que está a sair pelos teus auscultadores neste preciso momento.
Ou seja, o Spotify vem configurado de fábrica de forma super conservadora para poupar dados e tráfego nos servidores. Por isso, se nunca foste às definições mexer nas opções certas, estás a pagar balúrdios para… bem… nada.
Conta grátis? Modo “Automático”?

A primeira grande razão para o teu som parecer abafado é óbvia. Ou seja, se estás na versão gratuita do Spotify, estás a receber exatamente a qualidade de tostões pela qual pagas.
Mais concretamente, no leitor web ficas limitado a uns miseráveis 128 Kbps AAC, e as apps de telemóvel e PC não passam dos 160 Kbps. Só a conta Premium salta para os 320 Kbps e abre a porta ao som lossless (equivalente a FLAC em 24-bit/44.1 kHz).
Mas mesmo quem paga comete um erro de principiante fatal: deixar a qualidade em “Automático“. Nesse modo, o algoritmo do Spotify assume uma postura de poupança.
Se tens fibra em casa ou dados móveis rápidos, vai direto às definições e crava a qualidade de streaming no nível máximo (“Muito Alta” ou Lossless) tanto em Wi-Fi como em dados móveis, evitando que o algoritmo decida sozinho estragar a dinâmica das tuas faixas favoritas.
Poupança de dados ativada e downloads antigos com qualidade da treta.
Outro problema clássico reside nas definições esquecidas.
Se em tempos ativaste o modo de Poupança de Dados (Data Saver) porque estavas a estourar o teu plafond mensal, a aplicação continua em segundo plano a esmagar o ficheiro áudio para consumir o mínimo possível.
Pior ainda é o que acontece com a tua biblioteca offline: o Spotify tem uma definição independente para a qualidade das transferências. Se tinhas aquilo definido para qualidade normal para poupar espaço no smartphone e mais tarde ativaste o plano Hi-Res, o serviço vai reproduzir sempre a versão descarregada que já está guardada na memória cache em vez de descarregar a versão de topo da rede.
Se queres o som límpido, tens de alterar a qualidade de download e mandar descarregar as tuas listas novamente.
O mito do Bluetooth lossless e os equalizadores sobrepostos

No fundo, há erros que nem sequer dependem da aplicação, mas sim do hardware que metes nos ouvidos.
Podes ter o Spotify configurado no máximo absoluto, mas se estás a ouvir num par banal de auriculares Bluetooth, estás a levar com compressão com perdas (lossy). Tirando codecs muito específicos e recentes como o aptX Lossless (que exige telemóvel e auscultadores compatíveis), a esmagadora maioria das ligações sem fios corta os dados no ar. Se queres a pureza máxima do FLAC, tens de ligar um cabo analógico e um bom DAC, ponto final.
Há mais!
Depois temos a normalização de volume definida para “Alto” (que esmaga o alcance dinâmico entre partes suaves e explosões de som para deixar tudo no mesmo nível berrante) e os equalizadores manhosos.
Ligar o equalizador interno do Spotify em cima do equalizador nativo do teu smartphone ou computador (como os perfis Dolby Atmos) cria uma sobreposição de filtros que deforma agudos. Além disso, torna os graves numa massa indistinta.
Portanto, perde cinco minutos a ajustar as definições da tua aplicação, desativa filtros desnecessários e deixa a música respirar como os produtores a pensaram no estúdio.






