Se há coisa em que a indústria dos videojogos investe milhões sem pestanejar é em formas cada vez mais rápidas, indolores e agressivas de nos sacar o dinheiro da carteira.
Quem joga na consola conhece o filme! Ou seja, queres aproveitar uma promoção relâmpago ou comprar aquela skin cosmética antes de começar a partida, e lá tens de andar com o analógico a navegar por teclados virtuais manhosos no ecrã da televisão, a confirmar códigos de autenticação bancária ou a escrever à mão sequências intermináveis de 12 dígitos de um cartão de saldo da PSN.
Dá trabalho, quebra o ritmo e, às vezes, faz-te pensar duas vezes se deves mesmo gastar aquele dinheiro. E como tal, é uma resistência que a Sony quer remover da equação.
Sony quer transformar o comando num terminal multibanco!?
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Pois bem, a Sony parece ter chegado à conclusão de que esse compasso de espera é mau para o negócio!
Como tal, acabou de ser descoberta uma patente oficial da gigante japonesa intitulada “Video Game Controller-Driven Information Transfer”, que detalha um comando munido de tecnologia NFC capaz de ler cartões de crédito e telemóveis por contactless. Em bom português… A Sony quer que compres jogos na PS Store encostando simplesmente o cartão ao comando como se estivesses a pagar um café!
A ideia parece saída de um sketch de humor sobre o consumismo moderno, mas os diagramas submetidos nos registos de patentes mostram que a engenharia de Tóquio está a levar o assunto muito a sério.
Como funciona? Encostar, apitar e faturar

Portanto, o processo descrito no documento é tão direto que quase assusta pela facilidade com que o dinheiro se evapora da conta. Os diagramas mostram vários cenários práticos pensados para a sala de estar:
- Pagamentos imediatos por contactless: Estás a ver a página de um jogo na PlayStation Store, carregas em comprar e basta encostar o teu telemóvel (via Apple Pay ou Google Wallet) ou o próprio cartão bancário ao centro do comando. O comando confirma a leitura com um aviso sonoro, uma vibração tátil ou um jogo de luzes na barra luminosa, o sinal encriptado segue por Bluetooth para a consola e a transação fica logo concluída.
- Adeus aos códigos de 12 dígitos: Compraste um cartão de saldo de 25€ ou 50€ numa loja física para oferecer no aniversário? Acabou a seca de raspar a fita cinzenta com uma moeda e andar a teclar letras e números no ecrã. O comando lê o chip NFC do cartão de oferta e credita o valor na tua conta da PSN num piscar de olhos.
E as crianças com o comando na mão?
A tecnologia tem o seu lado prático, ninguém o nega.
Reduzir a fricção na hora de comprar e partilhar conteúdos faz todo o sentido num ecossistema moderno. Mas abrir a porta a pagamentos por aproximação direta num periférico que anda solto pela sala, muitas vezes nas mãos de miúdos pequenos ou de visitas, é colocar a cabeça na guilhotina.
Se as compras por impulso e as microtransações predatórias em jogos como EA Sports FC ou Fortnite já são uma dor de cabeça para os orçamentos de muitas famílias, imagina o cenário de teres a carteira em cima da mesa de centro e o teu filho de sete anos decidir encostar o teu cartão ao comando só para desbloquear pacotes de cromos digitais sem qualquer barreira de segurança física pelo meio!
A somar a isto, a reputação da Sony no tratamento de dados e cibersegurança nunca foi propriamente impecável. Dar a um comando sem fios a capacidade de atuar como um terminal de pagamento automático (TPA) vai, com toda a certeza, levantar muitas sobrancelhas junto dos utilizadores mais atentos à privacidade das suas contas bancárias.
A caminho da PlayStation 6?
Como sempre acontece com o registo de patentes, convém manter os pés bem assentes na terra. As empresas registam milhares de ideias por ano apenas para proteger a propriedade intelectual dos seus departamentos de desenvolvimento, sem que isso signifique obrigatoriamente que a tecnologia vai chegar às prateleiras no mês seguinte.
Os desenhos mostram uma silhueta idêntica à do atual DualSense da PS5, mas é praticamente impensável que a Sony vá lançar uma revisão de comandos com NFC a esta altura do campeonato, com a atual geração de consolas a caminhar a passos largos para a sua reta final. O alvo mais lógico para uma invenção destas aponta diretamente para o lançamento da futura PlayStation 6.
Se a funcionalidade virá mesmo de fábrica ou se vai ficar para sempre guardada na gaveta das bizarrias corporativas, o tempo o dirá. Mas a mensagem das grandes tecnológicas continua bem viva… Vale tudo para ganhar dinheiro.






