Como já dissemos várias vezes na Leak.pt, a transição para o formato exclusivamente digital nos videojogos tem sido vendida pelas grandes editoras como o auge da conveniência e da modernidade. Afinal de contas, carregas num botão, o jogo descarrega e começas logo a jogar no conforto do sofá. Apesar do preço não ser mais baixo, a experiência é basicamente perfeita, certo?
Mas, a Sony teve a lata de afirmar que qualquer consumidor com dois dedos de testa já devia saber que não é dono de absolutamente nada quando gasta 80€ na PlayStation Store. É chocante? Talvez, mas é a realidade.
“Já sabias que não era teu”: A resposta da Sony!

Portanto, o caso estalou na Califórnia na sequência de uma ação coletiva movida por jogadores, apoiada numa lei recente que obriga as lojas digitais a dizer com todas as letras, e de forma bem visível no momento do pagamento, se o cliente está a comprar um produto ou apenas a alugar uma licença.
Pois bem, os advogados da PlayStation alegaram que o consumidor “razoável” já compreende perfeitamente que compras digitais não conferem propriedade real. Atirando a culpa para as letras miudinhas enterradas em páginas intermináveis de termos e condições.
Mais concretamente, a argumentação legal da Sony tenta justificar que a posse digital é uma impossibilidade física. Isto porque os ficheiros não são bens escassos como um disco físico numa prateleira. No entanto, quando entras na loja da consola, os botões que carregas continuam a dizer “Comprar Agora” e “Confirmar Compra”, usando toda a linguagem tradicional de uma venda legítima.
Mas, no fim do dia, é um aluguer.
2028 também significa a morte do mercado de usados
Esta postura torna-se verdadeiramente assustadora quando olhamos para a estratégia global da marca a médio prazo.
A Sony já tem na calha o plano para extinguir a produção de discos físicos, o que significa que o consumidor vai ficar encurralado num ecossistema fechado onde a PlayStation Store tem o monopólio absoluto dos preços.
Além disso, sem caixas nas lojas físicas, acaba o mercado de segunda mão. Também acaba a possibilidade de emprestar um jogo a um amigo e acaba qualquer concorrência que permita poupar dinheiro.
Ficas com ainda menos escolha, e de facto, com muito menos controlo.







