A Sony ainda é uma daquelas marcas teimosas que se recusa a morrer no mundo dos smartphones. Mas, se não os encontras nas prateleiras, será que a marca existe mesmo no mercado?
Sim, quase toda a gente se lembra dos tempos de ouro da Sony Ericsson ou dos primeiros Xperia que enchiam as prateleiras das lojas ao lado da Samsung. Mas, algures no tempo, a Sony preferiu vender sensores às rivais, em vez de apostar nos seus próprios aparelhos. E claro, ao longo do tempo, os danos foram-se acumulando.
Aliás, há aqui uma reviravolta gira. A Sony continua a lançar novos Xperia, mas na verdade já não fabrica os seus próprios telemóveis. A marca desenha, mete o logótipo na tampa traseira e trata do marketing, mas a montagem e produção física foram discretamente passadas para terceiros para estancar o prejuízo.
Fábricas fechadas e produção entregue a terceiros

Portanto, esta mudança de estratégia começou a ser desvendada quando a imprensa japonesa reparou que a Sony atualizou os registos oficiais das suas fábricas na Tailândia e na China.
Ou seja, unidades que antes produziam exclusivamente smartphones deixaram de ter essa função atribuída, coincidindo com a chegada do Xperia 1 VII. Um dos raros topos de gama no mercado que ainda teima em manter a entrada para auscultadores de 3.5 mm e ranhura microSD.
Nas reuniões com investidores, a administração limitou-se a garantir que a divisão mobile continua viva e focada em mercados-chave como o Japão e a Europa, mas fugiu a sete pés de explicar como é feita a montagem. Na prática, a Sony fez o que muitas outras marcas de renome já fazem há anos. Recorre a fabricantes contratadas (ODMs) para produzir o hardware, reduzindo custos fixos brutais e mantendo apenas a equipa de engenharia de software e câmaras a liderar o projeto.
E agora?
A história da linha Xperia é fascinante porque a Sony sempre foi a marca dos excessos.
Foi a primeira a enfiar ecrãs 4K reais num corpo de telemóvel, criou a adorada gama Xperia Compact quando toda a gente achava que só a Apple sabia fazer telemóveis pequenos e manteve-se fiel ao formato cinematográfico 21:9 durante anos a fio sem ceder à moda do notch ou dos furos gigantes no ecrã.
Nos últimos tempos, porém, a abordagem tornou-se bem mais terra-a-terra. Deixaram cair a resolução 4K para painéis mais sensatos a pensar na bateria. Mataram a gama intermédia Xperia 5 e concentraram os esforços no topo de gama e no mais acessível Xperia 10. Entre outras coisas.
Desta forma, ao deixar de sustentar linhas de montagem próprias e caríssimas, a Sony garante oxigénio financeiro para continuar a vender telemóveis. Isto sem correr o risco de ter de fechar a divisão de vez como fez a LG.
Mas, é inegável que é apenas uma questão de tempo. Feitos pela Sony ou não, os Xperia estão destinados a desaparecer.







