Sony 1000X “The Collexion”: A Sony decidiu que era boa ideia desenvolver os seus próprios AirPods Max… Valeu a pena?

A realidade é: no mundo do áudio sem fios, já tudo parece e sabe ao mesmo. Pode parecer estranho quando existem tantas marcas diferentes a produzir produtos para todas as carteiras. Mas é a verdade. Na gama alta temos a Apple com os AirPods Max, a Bose com os seus QuietComfort, e claro, temos a Sony com os seus 1000XM6.
Todos diferentes, mas todos iguais. Por isso, apesar de não ser possível revolucionar o mercado por razões óbvias. (Ou seja, porque andamos a usar Bluetooth, que apesar de todos os avanços, ainda é um fator limitador na qualidade das músicas que ouvimos, pela sua fraca largura de banda.)
Mais concretamente, para comemorar uma década da emblemática linha 1000X, a Sony decidiu lançar os auscultadores sem fios mais caros da sua história. Chamam-se 1000X “The Collexion” e a intenção é ir atrás de quem quer estatuto. De facto, a ideia de criar um produto com materiais de topo e uma assinatura sonora ultra-ampla é sedutora, mas a Sony acabou por tropeçar em alguns pontos que podem ser importantes para os utilizadores mais exigentes.
De facto, os 1000XM6 “normais” fazem mais sentido que isto, porque as diferenças são irrisórias, e o produto “normal” está agora bastante mais barato. Ainda assim, para quem apenas quer um produto bom e mais premium (leia-se mais diferente que o normal), temos aqui uma proposta extremamente interessante.
Construção de luxo! Mas… Notas?

No capítulo do design, os Collexion afastam-se do aspeto mais plástico e homogéneo dos WH-1000XM6.
Ou seja, a marca apostou forte na pele sintética de alta qualidade na haste e nas conchas, combinada com detalhes em titânio. O toque é inegavelmente premium e o conforto ao fim de várias horas de uso é simplesmente exemplar. As conchas são mais finas e elegantes, o que evita aquele visual gigantesco na cabeça.

No entanto, e isto pode ser grave para algumas pessoas, ao contrário dos XM6, estes auscultadores não dobram. Isto complica o transporte. Além disso, a bolsa incluída na caixa parece uma mini-mala de mão. Não é fácil levar estes auscultadores em viagens onde o espaço na mala seja algo valioso. Acabas por ser obrigado a levar ao pescoço, e isso nem sempre é “giro”.
Além disso, no campo da bateria, enquanto o padrão da indústria e da própria Sony anda nos 30 a 40 horas de autonomia, os Collexion ficam-se por umas medíocres 24 horas com o cancelamento de ruído ligado. É verdade que ainda bate as 20 horas fracas dos AirPods Max, mas continua a ser uma regressão inexplicável num produto deste preço.
Som amplo e cristalino, e claro, ANC Sony!
Se procuras um palco sonoro gigante, com uma separação instrumental soberba e suporte para áudio sem perdas (via cabo ou codec LDAC), estes auscultadores cumprem com distinção. O novo processador V3 e o sistema DSEE Ultimate fazem um trabalho notável a dar vida nova a ficheiros comprimidos do Spotify.
Além disso, a Sony decidiu promover forte os modos de áudio espacial 360 Upmix, que prometem transformar qualquer faixa estéreo num ambiente tridimensional. O que é giro, mas acredito que a grande maioria das pessoas queira o som sem efeitos baseados em algoritmos estranhos.
Quanto ao cancelamento ativo de ruído (ANC), apesar de contar com o processador QN3 e 12 microfones, a própria Sony admite que este modelo não foi desenhado para isolamento absoluto. Ainda assim, não falha. Afinal, é Sony.
Veredicto: Vale a pena o investimento?
Os Sony 1000X “The Collexion” são uma demonstração de força da engenharia japonesa para provar que conseguem fazer um produto refinado e luxuoso. Um pouco acima das rivais.
Mas há compromissos que não deveriam existir. O facto de não dobrarem é grave, especialmente quando esta foi uma das bandeiras do XM6 face aos XM5.
Ainda assim… Adoro os auscultadores, e conseguem aquilo que apenas os AirPods Max são capazes de fazer no mercado. Chamam a atenção! Isso é curioso.







