Pagar mais de 500 euros por um telemóvel tornou-se, para muita gente, um verdadeiro crime contra o próprio orçamento. Mas, é cada vez mais necessário. O mercado está no caos devido à crise de memória, e alguém vai ter de pagar a fatura.
Tudo isto vai resultar em aparelhos mais caros, menos poderosos, e por vezes a tocarem nos dois lados negativos da coisa. Ou seja, para manterem os preços abaixo de patamares proibitivos, as marcas vão ter de cortar nas curvas.
Se estás a adiar a troca do teu telemóvel à espera que o modelo do próximo ano traga grandes saltos tecnológicos pelo mesmo preço, é melhor tirares o cavalinho da chuva. Em vez de evoluções, a ficha técnica dos smartphones acessíveis arrisca-se a sofrer retrocessos em componentes chave.
Processadores reciclados e conectividade em segundo plano?

O primeiro grande sacrifício está no processador (SoC).
Com a vaga da inteligência artificial a monopolizar a produção de semicondutores e as grandes marcas a garantirem as linhas de montagem para os topos de gama, algo tem de ficar para trás.
Na prática, isto significa que a maioria dos smartphones abaixo dos 400 ou 500 euros vai continuar a reciclar os mesmos chips da Qualcomm ou da MediaTek das gerações anteriores. Mudam o nome na caixa, mas o ganho real de desempenho será nulo.
Além disso, os modelos mais caros também vão dar saltos menos interessantes.
Outro ponto crítico é o modem de rede. Para poupar uns trocos por unidade, as fabricantes tendem a optar por modems de Wi-Fi e 5G mais baratos ou de fornecedores secundários. O resultado final nota-se… Chamadas a falhar, pior captação de rede em zonas de sombra e velocidades de dados instáveis.
Ecrãs estagnados e câmaras secundárias fraquíssimas
No capítulo dos ecrãs, o cenário não é mais animador.

Embora o painel OLED a 1080p se tenha tornado o mínimo olímpico na gama média, não esperes grandes saltos de resolução ou de eficiência energética enquanto a memória continuar cara. Nos modelos mais baratos, abaixo dos 200 euros, a tecnologia LCD vai continuar a ser empurrada à força para manter os custos baixos.
Por fim, o departamento fotográfico

Em vez de investirem em sensores principais maiores e com melhor captação de luz, que realmente fariam a diferença na qualidade da imagem, as marcas vão continuar a encher a traseira dos telemóveis com sensores antigos, ou baratos, como os sempres inúteis sensores de 2 MP para macro ou profundidade. É a tática clássica de vender a ideia de “tripla câmara” quando, na verdade, apenas uma serve para alguma coisa.
No final do dia, a crise dos componentes obriga a escolhas difíceis. Se pretendes comprar um Android acessível nos próximos tempos, o segredo passa por analisar muito bem o que realmente importa antes de cair nas cantigas de embalar das fichas técnicas.







