Durante muitos anos, escolher um smartphone era quase sempre uma questão de preço. Quanto custa? O que oferece? Vale a pena face à concorrência? Qual é a sua qualidade-preço? Pois bem, isso está a mudar.
O que até faz algum sentido. Como os componentes estão um bocadinho parados no tempo, e como tal, a diferença de performance entre gerações é cada vez mais baixa, a bateria passou finalmente para o topo da lista, e honestamente, já não era sem tempo.
Segundo um novo inquérito, a autonomia é agora mais importante do que o preço na decisão de compra de um smartphone. Não é a mais importante, porque isso seria complicado. Mas, é mais importante do que pagar menos 100€ ou 200€.
Algo que faz todo o sentido, porque no dia a dia, aquilo que mais estraga a experiência de utilização continua a ser exatamente o mesmo problema de sempre. Ficar sem bateria a meio do dia.
A bateria passou finalmente a prioridade?
É uma mudança muito interessante, mas ao mesmo tempo muito lógica. O smartphone deixou de ser apenas uma ferramenta para mensagens, chamadas e redes sociais. Hoje em dia é tudo ao mesmo tempo. Trabalho, vídeos, jogos, mapas, pagamentos, fotos, edição, IA, música, banco, bilhetes, e por aí fora.
Ou seja, o telemóvel está constantemente a ser puxado ao limite. Por isso, a bateria tinha mesmo de passar para primeiro plano.
Aliás, basta olhar para aquilo que está a acontecer no mercado. Os consumidores já não trocam de smartphone todos os anos como antigamente. Guardam o aparelho durante mais tempo, usam-no até ao limite, e por isso mesmo querem algo que continue a servir bem ao fim de dois, três ou quatro anos.
Preço importa? Claro que sim. Mas já não é tudo.
Isto não significa que o preço deixou de ser importante. Não deixou. Especialmente numa altura em que os smartphones estão absurdamente caros. O que mudou foi a forma como o comprador olha para o valor do produto.
Antes bastava ser barato. Agora tem de durar, e isso começa quase sempre na bateria, porque o resto dos componentes consegue durar 4 ou 5 anos com bons níveis de performance. (Isto a não ser que andes a comprar equipamentos de gama baixa).
As fabricantes já perceberam isto. Algumas mais depressa do que outras.
Curiosamente, as marcas chinesas andam há algum tempo a responder muito melhor a esta nova realidade. Basta olhar para aquilo que a HONOR, Xiaomi, OPPO, vivo e OnePlus têm feito com baterias maiores e tecnologias como o silício-carbono.
Enquanto isso, Apple e Samsung continuam a andar com muito mais cuidado do que deviam.
Sim, conseguem otimizar bem o software. Sim, fazem um bom trabalho em eficiência. Mas a realidade é que o mercado já começou a mexer, e estas duas gigantes arriscam ficar para trás numa área que agora passou a ser crucial.
No fim do dia, isto muda tudo
Se a autonomia é agora mais importante do que o preço, então a indústria vai ter de se adaptar. Não há volta a dar. Mais capacidade, melhor eficiência, carregamento mais inteligente e menos truques de marketing.
É a última deixa para a Samsung e Apple!








