Houve um tempo em que comprar um telemóvel novo era quase um evento. Abrir a caixa, apreciar o novo design, descobrir truques novos, testar uma câmara ainda mais poderosa, uma ideia qualquer que podia até ser parva… mas era nova e por isso excitante. Ou seja, havia novidade. Havia até identidade. Por isso, os consumidores tinham vontade de brincar com a novidade.
Hoje? Compras um novo topo de gama, passas os dados, mudas duas ou três definições, e ao fim de meia hora, é apenas mais do mesmo.
É triste mas é verdade.
Os smartphones ficaram bons demais… e parecidos demais!
Este é o grande problema.
A realidade é que os smartphones modernos, e não estamos a falar apenas dos modelos Pro, Max e Ultra, já são tão bons, tão rápidos e tão competentes, que a evolução anual deixou de ser emocionante. Passou a ser apenas… previsível.
O ecrã está um bocadinho melhor. A bateria dura mais um bocadinho. O processador aquece menos. A câmara faz mais umas brincadeiras com IA. Está tudo melhor, sim. Há de facto melhorias. Mas, ao mesmo tempo, está tudo igual.
Isto é especialmente verdade quando passas de um Galaxy para outro Galaxy, ou de um iPhone para outro iPhone. As duas gamas que mais apostam na mesma receita ano após ano.
Antigamente havia ideias! Hoje há o quê?
Nos velhos tempos, as marcas ainda andavam à procura da fórmula certa. E isso era ótimo para quem comprava. Existiam fórmulas diferentes a serem desenvolvidas ao mesmo tempo, o que por sua vez resultava em produtos diferentes nas prateleiras.
Havia telemóveis com teclado físico, câmaras rotativas, designs malucos, formatos estranhos, experiências novas. Nem sempre resultava, mas havia vontade de arriscar.
Hoje ninguém quer arriscar nada.
As marcas perceberam que o consumidor médio prefere algo previsível, fino, estável e semelhante ao que já tinha. Ou seja…
Sim! Também há culpa do nosso lado
Convém dizer isto. Se trocas de smartphone regularmente, é normal que não sintas grande coisa. O salto já não é suficiente para impressionar. Já não estamos em 2010, onde dois anos mudavam tudo. Hoje, dois anos mudam quase nada no uso real. Basta olhar para o S24 Ultra e S26 Ultra, ou iPhone 15 e iPhone 16. A experiência de utilização é exatamente a mesma para a esmagadora maioria das pessoas.
A culpa é nossa porquê? Simples, porque continuamos a comprar. Mesmo que seja a mesma coisa.
Dobráveis e marcas chinesas ainda tentam mexer a coisa!
Se há algum lado do mercado que ainda tenta criar entusiasmo, é este.
Os dobráveis continuam a ser diferentes. Ainda têm problemas? Têm. Durabilidade, preço, plástico no ecrã, dúvidas a longo prazo. Mas pelo menos tentam fazer algo novo.
Depois tens várias marcas chinesas a apostar forte em bateria, carregamento rápido e câmaras absurdas. Poucas são as fabricantes Chinesas que lançam o mesmo design 2 anos seguidos. Nem sempre mudam a experiência base, mas pelo menos dão a sensação de que alguém ainda quer impressionar o utilizador.
Conclusão
Os smartphones já não são excitantes porque deixaram de querer ser. E de facto, também porque os consumidores deixaram que isso acontecesse.









