Eu ainda sou do tempo em que a Intel corria atrás dos GHz como se fosse a solução para todos os males do mundo. Estou a falar da altura dos velhinhos processadores Pentium, que, com apenas um núcleo de processamento, precisavam desse incremento de velocidade para oferecer performance a sério.
Mas tudo mudou. Hoje em dia, todo e qualquer processador é feito de uma mistura de núcleos de processamento, que, separados ou todos juntos, cumprem a sua missão. Dito isto, com tanta coisa para gerir, a velocidade de relógio perdeu importância, até porque aumentar a velocidade de relógio de vários mini-núcleos diferentes resultava quase sempre em temperaturas altas e gastos energéticos estranhos.
Pois… A história gosta muito de se repetir e, como tal, tudo indica que, passados 20 anos, vamos mesmo voltar a dar as boas-vindas à loucura dos GHz.
Smartphones: A louca corrida aos GHz está de volta!

Portanto, ainda a poeira mal assentou nos anúncios recentes da Qualcomm com os seus novos chips de 2nm, e a máquina de rumores já está a todo o vapor a olhar para o que vem a seguir. Isto porque… Parece que há planos para ir um bocadinho mais além, mesmo sem mudar o processo de produção, que agora é o de 2nm da TSMC.
Estamos assim a falar do Snapdragon 8 Elite Extreme Gen 7 do próximo ano. O grande chamariz? Frequências de relógio a rebentar com a barreira dos 5.4 GHz num processador para telemóveis!
O problema?
É que por baixo desta montra de gigahertz quase absurdos, os ganhos reais de IPC (instruções por ciclo) e os resultados em testes de referência como o Geekbench 6 arriscam-se a ficar abaixo dos 10%! Ou seja, estamos perante a velha receita de esticar as frequências até ao limite do aquecimento para disfarçar que a evolução arquitetural bateu numa parede!
Já não é fácil aumentar os níveis de performance, especialmente quando não se troca o processo de produção.

Presa aos 2nm da TSMC?
O grande detalhe técnico que explica esta aparente estagnação de ganhos substanciais está no processo de fabrico. Ao contrário do que alguns analistas mais otimistas previam, a Qualcomm não vai dar nenhum salto imediato para novos nós de silício mais compactos. A marca vai continuar fiel ao processo N2P de 2 nanómetros da TSMC.
Quando não há uma nova litografia para entregar eficiência mágica de borla, os truques da indústria repetem-se.
- Força bruta nos relógios: Sem uma revolução de densidade ou de arquitetura interna dos núcleos Oryon, a forma mais rápida de mostrar pontuações mais altas é subir a rotação do motor. Apontar para os 5.3 GHz ou 5.4 GHz num chip de telemóvel é um feito técnico impressionante, mas serve sobretudo para garantir que o número na barra dos testes sintéticos é ligeiramente maior do que o da geração anterior.
O lado positivo para a carteira dos fabricantes?
Nem tudo são más notícias neste abrandamento do ritmo de revoluções anuais. Manter a produção no mesmo nó N2P da TSMC traz uma vantagem que pode ser crucial para os consumidores portugueses e europeus. Estamos a falar da estabilidade de custos.
Com a TSMC a amadurecer as suas linhas de 2nm e a preparar a transição para nós ainda mais avançados, as taxas de aproveitamento das bolachas de silício melhoram e os custos de produção tendem a estabilizar.
Isto significa preços mais apelativos, ou pelo menos nada de aumentos para o consumidor final.
A era dos saltos gigantescos de desempenho acabou…
Tudo isto vem confirmar o que temos vindo a alertar há muito tempo. O mercado de processadores móveis atingiu uma maturidade brutal onde lançar uma nova geração todos os anos com a promessa de uma revolução deixou de fazer qualquer sentido.
Antes de mais nada, o que pensas sobre isto? Achas que frequências de 5.4 GHz num smartphone fazem algum sentido prático no teu quotidiano, ou a indústria dos processadores móveis está apenas a espremer números para justificar lançamentos anuais?






