O teu próximo smartphone vai ser mais rápido em 2026 mas…

A indústria dos smartphones prepara-se para enfrentar um paradoxo curioso em 2026. Segundo novos dados da Counterpoint Research, o envio global de processadores para telemóveis deverá cair cerca de 7%. Normalmente, menos envios significariam problemas para a indústria, mas desta vez, a previsão é que as receitas dos fabricantes cresçam a dois dígitos. O que está a causar esta estranha dinâmica? A resposta reside em grande parte na inteligência artificial e na forma como esta está a transformar as prioridades de fabrico. Assim o smartphone que poderás comprar em 2026 será muito mais caro.

Smartphone mais caro em 2026? A culpa é dos Data Centers e da IA

A razão principal para a queda no número de envios é a procura explosiva por parte dos centros de dados. À medida que a IA se torna omnipresente, as fabricantes de chips estão a desviar recursos para produzir memória HBM (High Bandwidth Memory), que oferece margens de lucro muito superiores e é essencial para os grandes servidores de IA.

inteligência artificial não representa um perigo para os humanos!

Esta mudança de foco provocou uma subida acentuada nos preços das memórias DRAM convencionais. Consequentemente, tornou-se muito mais difícil para as marcas criarem telemóveis acessíveis sem perderem dinheiro.

O fim dos telemóveis baratos?

O impacto mais severo será sentido nos smartphones abaixo dos 150 dólares. O aumento dos custos de produção torna estes dispositivos de entrada quase insustentáveis. Como resultado, as empresas estão a concentrar esforços nos modelos de gama alta, onde as margens de lucro são mais seguras.

Simultaneamente, a indústria está a transitar dos processos de fabrico de 3nm para 2nm. A Samsung já deu o primeiro passo com o Exynos 2600, posicionando-o como o primeiro chipset 2nm GAA do mundo, com a Apple e a Qualcomm a seguirem o mesmo caminho para se manterem competitivas.

Quem domina o mercado em 2026?

Apesar destas turbulências, a MediaTek deverá manter a sua posição de liderança. A marca, muito forte nos segmentos de entrada e gama média, deverá segurar uma quota de mercado de 34% em 2026. Embora seja uma ligeira queda face a 2025, é suficiente para manter a concorrência à distância.

mediatek não tira pé do acelerador. dimensity 9400+ em abril!

A Qualcomm surge em segundo lugar com 24,7%, seguida pela Apple com 18,1% no segmento premium. A Samsung destaca-se como a única grande empresa a aumentar a sua quota, chegando aos 12,1%, fruto de um maior foco nos seus próprios chips Exynos.

O que isto significa para ti

Se planeias trocar de telemóvel em 2026, prepara-te para ter acesso a funcionalidades muito mais avançadas, mas também para pagar um preço mais elevado.

Os telemóveis de topo deverão atingir uma performance de IA no dispositivo na ordem dos 100 TOPS, com 90% dos modelos premium a suportarem funcionalidades de IA que funcionam sem ligação à internet. Já para os telemóveis de gama média, entre os 100 e os 500 dólares, a experiência de IA dependerá muito mais do processamento na nuvem para manter os custos controlados.

Em resumo, não esperes que o volume de envios de smartphones recupere totalmente antes de 2027. Até lá, vais ver as marcas a simplificar as suas linhas de produtos, a apostar em chips próprios e a destacar o aumento de performance para justificar as etiquetas de preço mais pesadas.

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Bruno Fonseca
Bruno Fonseca
Fundador da Leak, estreou-se no online em 1999 quando criou a CDRW.co.pt. Deu os primeiros passos no mundo da tecnologia com o Spectrum 48K e nunca mais largou os computadores. É viciado em telemóveis, tablets e gadgets.

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