Quantas vezes já vos avisei aqui na Leak.pt que a indústria dos smartphones bateu numa parede e que as marcas andam desesperadas à procura de truques para nos tirar dinheiro do bolso todos os anos? O hardware estagnou, e não é fácil fugir disto.
Ou seja, hoje em dia, qualquer processador de gama média ou gama média-alta aguenta perfeitamente cinco anos de uso diário, as câmaras tiram fotos impecáveis em qualquer gama e os 7 anos de atualizações de sistema prometidos pelas fabricantes deviam significar que podes encostar a carteira durante bastante tempo.
Mas… Isso seria terrível para as marcas. Significaria vender muitos menos aparelhos por ano, o que nunca pode ser o objetivo de uma empresa.
Sendo exatamente por isso que deves olhar com atenção para a apresentação do novo Pixel 11. Temos aqui a descoberto a estratégia mais perigosa e cínica da Google para forçar a malta a fazer upgrades antes do tempo. Subir os preços, cortar nas especificações base e trancar as melhores novidades de Inteligência Artificial exclusivamente nos modelos novos a pretexto do chip Tensor G6.
Pagar mais para ter menos?
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O anúncio do Pixel 11 Pro foi um balde de água fria por vários motivos. Primeiro, a Google decidiu aumentar o preço da sua linha principal ao mesmo tempo que reduziu a memória RAM nos modelos Pro de base para os 12GB. Claro que ninguém vai ter problemas de fluidez com 12GB de RAM, mas pagar mais caro por menos hardware no pacote é o clássico exemplo de um mercado que perdeu a vergonha.
Depois, reparem no discurso oficial… A Google quase não falou de ganhos de potência bruta de CPU ou GPU. Em vez disso, focou quase toda a conferência no poder da nova TPU e em ferramentas como o Google Rambler (que transforma desabafos e mensagens de voz confusas em texto perfeitamente estruturado e pronto a enviar).
As demonstrações são brutais, mas o subtexto é curioso: a desculpa perfeita para deixar os telemóveis antigos de fora.
A velha tática de tornar o teu telemóvel com um ano “obsoleto”
Supostamente, os SoC Tensor nunca se focaram na performance, porque foram pensados para IA. O problema aqui é, se um Pixel 9 ou Pixel 10 Pro já não consegue correr uma funcionalidade de texto no ano seguinte porque “o chip antigo não aguenta”, para que serviu gastar mais de 1000 euros?
De facto, vimos a Samsung tentar a mesma manobra no passado, a sugerir que a Galaxy AI exigia chips de última geração para funcionar, quando na realidade os processadores do ano anterior tinham potência de sobra para mastigar as mesmas instruções.
O perigo do “aluguer” permanente de tecnologia
As marcas perceberam que já não nos conseguem convencer a trocar de telemóvel por causa de mais dois megapíxeis na câmara ou de um ecrã ligeiramente mais brilhante. O que é absolutamente normal. Por isso, a nova moeda de troca para nos obrigar a gastar dinheiro passa por cortar o acesso ao software mais inteligente a quem não comprar a novidade do ano. Isto com a óbvia desculpa do hardware não aguentar.
Se as grandes tecnológicas continuarem por este caminho, o conceito de ter um smartphone durante quatro ou cinco anos vai ser sabotado por dentro. Transformando o ato de ter um telemóvel de topo numa espécie de “renda anual” obrigatória só para não ficar com um aparelho estúpido no bolso.
Concordas que a Google e outras marcas estão a usar a IA como desculpa barata para forçar a compra de modelos novos. Ou achas legítimo que as novidades fiquem presas aos chips mais recentes? Deixa a tua opinião na caixa de comentários em baixo.






