Se estás à procura de uma televisão nova, ou de qualquer televisão hoje em dia, é inevitável que acabes a comprar uma Smart TV. No papel, parece um upgrade fantástico em relação aos modelos antigos, mas na prática, o valor real destas funcionalidades inteligentes é questionável. A lista de desvantagens é longa e assustadora, ao ponto de muitos especialistas recomendarem desligar completamente a TV da Internet. Sabes quais são as verdades sobre as Smart TVs que as marcas te escondem?
5 verdades sobre as Smart TVs que as marcas te escondem
1. Elas não foram feitas para durar (pelo menos o software)
Quando dizemos que as Smart TVs não são feitas para durar, não estamos a falar do painel ou da qualidade de imagem. Há muitos exemplos de TVs com mais de dez anos que ainda funcionam perfeitamente. O problema é o cérebro da TV.

O ciclo aqui é semelhante ao dos smartphones: após apenas alguns anos, o sistema operativo e as aplicações começam a ficar lentos, a bloquear e, eventualmente, deixam de receber atualizações. O hardware de processamento da TV envelhece muito mais depressa do que o ecrã. O destino final? Vais acabar por comprar uma box ou um stick de streaming porque o sistema da própria TV tornou-se inutilizável, muito antes de o ecrã avariar.
2. A tua TV está literalmente a espiar-te
Nesta altura, já aceitámos que tudo o que fazemos online deixa rasto. Mas talvez fiques chocado ao saber que a tua TV faz muito mais do que registar o que vês na Netflix.
Existe uma tecnologia chamada ACR (Automatic Content Recognition) presente na maioria das TVs modernas. O que ela faz é capturar amostras do que está no ecrã para identificar o conteúdo. E isto não se aplica apenas a apps de streaming. Se estiveres a ver televisão por cabo, um DVD antigo ou a jogar na consola, a TV sabe o que estás a ver.

Esta informação utiliza-se para criar um perfil teu, que depois é vendido a anunciantes. E sim, isto persegue-te noutros dispositivos: se andares a ver filmes clássicos na TV, não te admires se começarem a aparecer anúncios relacionados no teu computador. A boa notícia? Podes desligar isto nas definições de privacidade, embora as marcas tendam a esconder esta opção atrás de nomes simpáticos como “melhoria de experiência”.
3. As TVs baratas subsidiam-se pela tua privacidade
Já reparaste como podes comprar uma TV 4K enorme por um preço incrivelmente baixo? Não é magia, é negócio. Embora todas as TVs tenham práticas de recolha de dados questionáveis, os modelos mais baratos são os piores.
A verdade é que, muitas vezes, a única razão para conseguires comprar uma TV decente por tão pouco dinheiro é porque o verdadeiro lucro da marca não está na venda do hardware, mas na venda dos teus dados após a instalação. Se o produto é demasiado barato, o produto és tu.
4. Pagamos por inteligência que não usamos
Mesmo que compres uma TV topo de gama hoje, é muito provável que acabes por ligar lá uma Apple TV, um Chromecast ou uma Fire TV Stick. Porquê? Porque as interfaces desses dispositivos são quase sempre mais rápidas, mais limpas e melhores do que o sistema nativo da TV.

No fundo, estamos todos a pagar por processadores e sistemas operativos integrados nas televisões que raramente usamos ou que abandonamos ao fim de seis meses a favor de um dispositivo externo melhor.
5. As atualizações podem estragar a tua TV (propositadamente)
Existe um conceito chamado “enshittification” (em português vernáculo, algo como “emerdificação”), onde um produto começa por ser ótimo, mas piora com o tempo para beneficiar a empresa e não o utilizador.
Isto acontece frequentemente com as Smart TVs. Compras o aparelho, a interface é limpa e rápida. Passado um ano, fazes uma atualização de sistema obrigatória e, de repente, o menu inicial está cheio de anúncios, recomendações de coisas que não queres ver e o sistema ficou mais lento.
A tua TV transformou-se num cartaz publicitário gigante na tua sala. Esta é a razão principal pela qual deves considerar seriamente nunca ligar a tua TV à rede Wi-Fi e usá-la apenas como um monitor burro para as tuas consolas e boxes de streaming.

