Quando pensamos em segurança informática e vírus, a nossa cabeça vai logo direta para o smartphone ou para o computador. É o normal. É aquele tipo de aparelho onde temos tudo, e de facto, acedemos a tudo e mais alguma coisa que realmente importa na nossa vida.
No entanto, esquecemo-nos com demasiada facilidade daquele ecrã gigante pendurado na parede da sala que está ligado 24 horas por dia à rede Wi-Fi de nossa casa… Estamos a falar da Smart TV.
De facto, a Samsung e a LG viram-se obrigadas a entrar numa corrida contra o tempo para banir dezenas de aplicações das suas lojas oficiais. O motivo é assustador. Milhões de televisores estavam a ser transformados, de forma silenciosa, em pontes de acesso à internet para terceiros e criminosos informáticos, através de um esquema conhecido como proxies residenciais.
O que são “resproxies” e porque é que a tua ligação à net está em risco?

Portanto, a explicação técnica para o que está a acontecer é simples. Uma VPN tradicional mascara a tua ligação ao atribuir-te um IP de um servidor algures no mundo. Um residential proxy (resproxy) faz o caminho inverso e muito mais perigoso. Ou seja, rouba o teu endereço IP público de casa para fazer passar tráfego vindo de fora.
Assim, segundo dados revelados pela empresa de segurança Spur, mais de 42% das aplicações analisadas na loja da LG (e um número muito semelhante na Samsung) vinham carregadas com kits de desenvolvimento (SDKs) que transformavam a televisão num “nó” permanente de redirecionamento de tráfego.
Para que serve isto no mundo real? Se um hacker quiser lançar um ataque, fazer recolha agressiva de dados ou cometer uma fraude online, faz o tráfego passar diretamente pela ligação de tua casa. Se as autoridades ou os sistemas de segurança forem investigar a origem do ataque, quem aparece na fotografia com o IP registado és tu e a tua televisão.
Até um jogo oficial do Pac-Man servia de armadilha
O cenário fica ainda mais ridículo quando olhamos para as aplicações visadas. Não estamos a falar de ficheiros APK pirateados instalados por vias obscuras; estamos a falar de jogos e ferramentas presentes na secção de “Escolha do Editor” das lojas oficiais da Samsung e da LG.
Investigadores de cibersegurança descobriram, por exemplo, que uma versão oficial do velhinho jogo Pac-Man continha código embutido da empresa Bright Data. Esta entidade usava a aplicação para aceder e recolher dados através de milhões de televisores residenciais, vendendo depois o acesso a essa rede gigante de nós domésticos a terceiros no mercado.
Como é que isto passava nos controlos das marcas? Muitas aplicações de Smart TV são desenhadas como “cascas vazias” que puxam código externo a partir de servidores remotos. Isto permite aos criadores alterar o funcionamento e enfiar ferramentas de rastreio a qualquer momento, sem terem de submeter uma nova versão para aprovação da Samsung ou da LG.
O que deves fazer já na tua televisão
A Samsung e a LG estão a expulsar estas aplicações das suas plataformas, mas quem já as tem instaladas na memória da TV continua com a porta aberta. A melhor atitude que podes tomar hoje é muito direta:
- Limpeza geral: Vai às definições da tua televisão e desinstala imediatamente todos os jogos e aplicações secundárias que já não usas há meses. Deixa apenas as plataformas de streaming e utilitários estritamente essenciais.
- Atualizações de firmware: Força a procura de novas atualizações de sistema nas definições da TV para garantir que os últimos pacotes de segurança estão ativos.
- Cuidado com o que instalas: Se queres jogar ou correr emuladores, usa uma box dedicada, uma consola ou o PC. As lojas das televisões são um terreno fértil para recolha abusiva de dados.
Costumas ter muitas aplicações instaladas na tua Smart TV ou usas o televisor apenas para os serviços básicos de streaming? Deixa a tua opinião na caixa de comentários em baixo.







