Parece um gesto banal: aproximas-te do multibanco, inseres o cartão e segues a tua vida. Mas antes de o fazeres da próxima vez, vale a pena parar uns segundos porque esse gesto automático pode custar-te tudo o que tens na conta. Não é alarmismo. Ainda recentemente a Polícia Judiciária desmantelou uma rede que, usando exatamente este tipo de esquema, terá causado prejuízos superiores a meio milhão de euros. A técnica chama-se skimming e permite copiar os dados do teu cartão sem que dês por absolutamente nada.
O que é o skimming (e porque o chip já não chega)
O skimming consiste em instalar dispositivos quase invisíveis na máquina para copiar a informação do cartão. Há duas variantes principais: os leitores falsos, encaixados na ranhura ou por cima do teclado, que imitam na perfeição o aspeto original; e uma microcâmara escondida junto às teclas, para registar o PIN enquanto o digitas. Com os dois elementos, os criminosos clonam o cartão e usam-no muitas vezes noutros países antes de te aperceberes.

Durante anos ouvimos que o cartão com chip era a solução definitiva. Já não é. Surgiu uma evolução do golpe, o shimming, que intercepta os dados diretamente do chip através de uma lâmina finíssima colocada dentro da ranhura, mais discreto e muito mais difícil de detetar. Se quiseres perceber a fundo como funciona, explicámos tudo neste artigo sobre shimming.
Onde está o verdadeiro risco
Há uma boa notícia: a rede Multibanco tem tecnologia anti-skimming desde 2011, o que reduz bastante o perigo nas máquinas integradas no sistema. O risco concentra-se sobretudo nas caixas automáticas independentes, as de zonas turísticas, postos de combustível isolados ou locais com pouca vigilância. É aí que convém redobrar a atenção, e ainda mais se estiveres no estrangeiro, onde os níveis de proteção variam muito de país para país.
O que fazer ANTES de introduzir o cartão
Não há forma infalível de detetar uma máquina comprometida, mas há gestos simples que fazem toda a diferença:
- Inspeciona a máquina. A ranhura está solta, colada ou desalinhada? O teclado parece diferente do habitual? Se algo te parecer fora do normal, não uses essa caixa.
- Abana levemente as peças. Muitos skimmers estão apenas encaixados. Um toque suave, sem forçar, pode revelar algo preso à estrutura.
- Prefere multibancos dentro de bancos ou centros comerciais. Máquinas em locais vigiados são muito menos prováveis de estarem adulteradas.
- Tapa sempre o teclado com a mão ao digitar o PIN. Mesmo que o cartão seja clonado, proteger o código pode impedir que o usem.
O contactless também tem os seus riscos
Com o pagamento por aproximação generalizado, surgiu outra preocupação: leitores de radiofrequência capazes de captar dados à distância, sem sequer tocar no cartão. Se quiseres eliminar esse risco, podes desativar o contactless junto do teu banco ou usar uma carteira com bloqueio RFID. Em alternativa, pagar com o telemóvel (que usa dados encriptados e temporários) é hoje uma das formas mais seguras.

Se algo correr mal, age depressa
Mesmo com todos os cuidados, o mais importante é seres proativo. Ativa alertas de movimentos no telemóvel, consulta os extratos com regularidade e, à mínima movimentação suspeita, contacta de imediato o banco e participa às autoridades. Quanto mais cedo detetares, menor o prejuízo.
Por isso, da próxima vez que fores levantar dinheiro: observa, toca e desconfia. Estes segundos podem ser a diferença entre proteger as tuas poupanças e seres a próxima vítima de clonagem.
Entretanto tem também em atenção a isto. Estás no multibanco, inseres o cartão, escolhes a operação e, em vez do que esperavas, aparece no ecrã: “Serviço temporariamente indisponível”. A reação da maioria das pessoas é insistir, tentar outra vez, e outra. Mas é precisamente aí que podes complicar as coisas. Explicamos o que essa mensagem pode significar e, sobretudo, o que nunca deves fazer quando ela aparece. Vê tudo aqui.








