Se o Wi-Fi lá em casa falha no quarto, arrasta-se na sala e desaparece por completo na varanda, é natural que a primeira reação seja culpar a operadora ou pensar em pagar por mais velocidade. Mas há uma enorme probabilidade de o verdadeiro culpado estar mesmo à frente do teu nariz: o sítio do router. E a boa notícia é que resolver isto não custa um cêntimo.
O erro número um: o sítio do router
É quase universal. O router é feio, tem luzes a piscar, e por isso acaba escondido: dentro do móvel da TV, atrás da própria televisão, numa gaveta do hall ou enfiado num canto junto ao chão. Do ponto de vista da decoração, compreende-se. Do ponto de vista do sinal, é um desastre.
O Wi-Fi propaga-se por ondas de rádio, e essas ondas perdem força a cada obstáculo que atravessam. Um móvel fechado de madeira já rouba sinal; se for a porta de vidro do móvel da TV, pior ainda. E a televisão em si é das piores vizinhas possíveis: é um painel enorme de metal e eletrónica colado à fonte do teu sinal.
A regra de ouro é simples: o router quer estar à vista, num ponto alto e desimpedido. Em cima de uma estante, por exemplo, e não no chão, porque o sinal propaga-se melhor para baixo e para os lados do que para cima.
O centro da casa vale mais do que a entrada
Outro clássico: o router fica junto à porta de entrada ou num canto extremo da casa, simplesmente porque foi ali que o técnico deixou a tomada de fibra. O problema é que o sinal se espalha em todas as direções a partir do router, como uma bolha. Se o router está num canto, metade dessa bolha está a cobrir a rua ou o vizinho.
Sempre que possível, aproxima o router do centro da casa, ou pelo menos do centro da zona onde realmente usas a internet. Se a tomada de fibra não deixa, um cabo de rede mais comprido para reposicionar o router pode ser o melhor investimento de dez euros que vais fazer este ano. Rende mais do que muitos repetidores.
Os inimigos invisíveis do teu sinal
Há obstáculos que toda a gente conhece, como paredes grossas. Mas há outros bem mais traiçoeiros.
O micro-ondas é o exemplo perfeito: funciona na mesma frequência da banda de 2,4 GHz do Wi-Fi, e quando está ligado pode literalmente atropelar o teu sinal. Se a internet falha sempre à hora de aquecer o jantar, já sabes porquê. Router na cozinha, ou colado a ela, é má ideia.
A água também é uma barreira surpreendente para o sinal. Aquários, termoacumuladores e até paredes de casas de banho (cheias de canos) degradam o Wi-Fi de forma notória. E os espelhos grandes, com a sua película metálica, funcionam quase como escudos.
Dispositivos Bluetooth, babyphones e telefones sem fios antigos também disputam o mesmo espaço no ar. Quanto mais afastado o router estiver deste tipo de aparelhos, melhor.
Pequenos ajustes, diferença real
Além da posição, vale a pena dedicar dois minutos às antenas, se o teu router as tiver externas. Ao contrário do que a intuição sugere, não devem apontar todas para cima: uma combinação de antenas na vertical e outras na horizontal costuma dar melhor cobertura entre pisos diferentes.
E se depois de tudo isto ainda houver zonas mortas em casa, aí sim, faz sentido pensar em soluções como repetidores ou sistemas mesh. Mas experimenta primeiro a mudança gratuita. Há muita gente a pagar por equipamento extra para compensar um router escondido atrás da televisão, quando bastava tirá-lo de lá.
Move o router hoje, faz um teste de velocidade nas divisões problemáticas, e é bem provável que te surpreendas com a diferença.






