É fácil dizer que ninguém no seu perfeito juízo gosta de acumular garrafas em casa, ou no carro, para de vez em quando ir meter uma-a-uma em uma qualquer máquina do sistema Volta. Mas a realidade é que este sistema, apesar das suas falhas, é necessário. De facto, sem ele, Portugal perderia cerca de 600 milhões de euros do PRR.
Há muito a melhorar. Bem ou mal, há mesmo muito a fazer.
Mas, a grande maioria dos problemas que muitas pessoas, e até alguns políticos apontam, não são bem problemas do projeto Volta. São mais da realidade que se vive em Portugal. A miséria existe, sempre existiu, e pelos vistos só ficou mais aparente em 2026.
O problema já existia. Agora está à vista de todos. Em Lisboa é pior porque os turistas também estão a ver!

Todos nós gostamos de bater no Volta, porque acontece muito chegar a uma máquina e esta estar avariada, cheia, ou com uma fila daquelas que irrita até o Menino Jesus. Mas tudo isto pode ser resolvido. As máquinas podem evoluir, podem ser acrescentadas, etc. Os outros problemas, esses já são mais complicados.
Há muitas pessoas a passar mal no dia a dia em Portugal. Com fome, com frio, e com necessidades básicas que ninguém se lembra que podem falhar. O problema nunca foi o Volta existir! O problema é o país fingir que a miséria só começou quando ela passou a fazer nódoa no postal que os turistas querem meter nas redes sociais!
Tratar o sintoma sem curar a doença não resolve nada
Enquanto o debate público continuar centrado nas pessoas que andam à procura de garrafas nos mais variados sítios, em vez de discutir a razão pela qual temos pessoas com emprego a dormir em tendas e a precisar de sopa na rua, a fatura vai continuar a chegar.
Antes de mais nada, o que pensas sobre isto? Achas que as cidades se preocupam mais em esconder os sinais da pobreza para manter o postal turístico limpo, ou este choque de realidade é o empurrão que faltava para os governantes abrirem os olhos?








